sexta-feira, 6 de março de 2020

Menina que via Filmes: Liberté [Crítica]


Título Original: Liberté 
Título no Brasil: Liberté
Lançamento: 12/03/2020 (2h 12min) 
Gênero: Drama
Direção: Albert Serra
Elenco: Helmut Berger, Ingrid Caven, Iliana Zabeth
Nacionalidades: Alemanha, Itália
por Gabriela Leão




Em 1774, em algum lugar da Alemanha, um grupo de nobres libertinos que foi expulso da corte puritana de Luis XVI buscam o Duque de Walchen, que irá auxiliá-los na exploração dos limites da moral e autoridade. Precisam encontrar um local seguro para conduzir essa busca pelo prazer, praticar a libertinagem, uma filosofia presente  no século das luzes.  

A sinopse oficial do filme aproxima-se disso, mas uma descrição mais exata seria dizer que o longa te convida para passar uma noite no meio do bosque e explorar os limites da moral sexual junto destes nobres. Se não tivesse lido a sinopse antes, não teria ideia de quem eram essas pessoas, o que estavam fazendo ali, ou qual a época exata do produto. Saberia apenas serem da nobreza, pelas roupas, de qualquer momento entre as idades média e moderna, podendo chutar as nacionalidades de acordo com os idiomas falados. Após uma breve conversa com o tal Duque de Walchen, e o vislumbre de alguns preparativos, logo passamos para a esperada noite e os “prazeres” que ela trará. 

Eu não sei dar nota para um filme desse, então me baseei pura e simplesmente em como me senti. Lá pela metade do longa, eu já queria sair do cinema, estava de saco cheio e levemente incomodada. Mas acho que entendi a proposta, e não me surpreenderia se algumas notas altas rolassem por aí. Liberté, como também diz na sinopse oficial, traz a hipocrisia da nobreza, pessoas que se vestem e se apresentam como sofisticadas, intelectuais, de classe, mas que no fundo não passam de animais buscando o prazer. Vemos esses homens e mulheres espalhados pela mata, à espreita, caminhando devagar e silenciosamente, observando a presa, para finalmente dar o bote. Ok, entendi, são todos animais. Ok, entendi, a nobreza não era nada pura por debaixo dos panos. Não tem nenhuma novidade nisso, e não há nenhuma genialidade específica em colocar esses nobres no meio de uma floresta se esgueirando durante a noite. Em algum momento um deles até chama uma outra de um animal, como se não tivéssemos entendido ainda. 
Acho que existe uma proposta de despertar a hipocrisia do expectador também, o filme busca incomodar, é explícito, exagerado nessa noite de luxúria da nobreza. Talvez queira dizer para o público que, se você está ali assistindo, sem se incomodar, você está no mesmo saco do que os personagens. Está consentindo com aquilo tudo, é mais um deles ali, se esgueirando pelo mato, assistindo os outros. Bem, já estou um pouco cansada de filmes que buscam incomodar pelo simples propósito de incomodar. Ainda mais para provar um ponto que já estamos cansados de saber - a quantidade de obras que apontam os limites que o ser humano é capaz de chegar em questão de sexualidade são muitas. 
E Liberté é só isso. Mostra os nobres fazendo suas safadezas. Incomoda, mas nem sequer é chocante. A alta sociedade de 1774 é incapaz de se aproximar dos limites da moralidade que são desbravados pelos homens atualmente, não sonhavam com o que seria o advento da deep web. Como chocar a audiência com uma mulher amarrada em uma árvore, tendo leite sendo derramado sobre ela, quando existe hentai no mundo? O filme se propõe a fazer uma crítica e discutir um ponto que já está batido, cansado, passado. A ousadia se perde. Uma tentativa de incomodar ao extremo, que é só uma leve chateação. Ou é só pornografia mesmo, mas neste caso também seria péssima. Não sei. 
De qualquer forma, não funcionou para mim. Liberté me pareceu apenas mais um filme de alguém que acredita estar fazendo algo inovador e ousado, mas que só ficou ruim mesmo. Eu posso não ter entendido, talvez tenha alguma outra camada aí que não consegui enxergar. Isso é sempre uma possibilidade, mas, já que aqui é o espaço para minha opinião, só digo que é bem ruim mesmo. A única coisa legalzinha foi a escolha do nome, lembrando que a maior parte do grupo seria formada de franceses, em uma véspera de revolução (e que eu só sei disso por causa da sinopse).  


3 comentários:

  1. Eita!
    Eu ainda não tinha visto ou lido nada sobre este filme,mas fiquei meio pé atrás com esse enredo.
    Pura e simplesmente isso? Sexo na realeza?? Animais escondidos embaixo das roupas pomposas?
    Sei lá..rs
    Acho que é o tipo de filme que não me deu vontade ver não.
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

    ResponderExcluir
  2. Não tinha ouvido uma palavra sobre esse filme até agora, fiquei incomodada com esse filme apenas lendo a crítica, mas vou dizer que me bateu uma curiosidade de saber um pouco mais kkkk

    ResponderExcluir
  3. Gabriela!
    Não me importo com filmes explícitos, desde que tenha um sentido e mostre porque a sociedade faz tudo o que faz, mas sexo só para mostrar sexo, nem graça tem, né?
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir

Sua opinião é muito importante para mim! Me diga o que achou dessa postagem e se quiser que eu visite seu blog, informe o abaixo de sua assinatura ;)