sexta-feira, 15 de maio de 2026

Obsessão

 


Título no Brasil: Obsessão

Título Original: Obsession 

Ano: 2026

Direção: Curry Barker 

Roteirista: Curry Barker 

Elenco: Michael Johnston (II), Inde Navarrette, Cooper Tomlinson  

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes

Existe uma linha muito tênue entre romance e obsessão, e “Obsessão” entende isso perfeitamente. O longa parte de uma premissa que, nas mãos erradas, poderia facilmente virar apenas mais um terror adolescente com estética genérica. Mas o que o filme faz é justamente o contrário: ele pega uma fantasia romântica extremamente comum no cinema, a ideia de ser amado intensamente por alguém, e transforma isso em algo sufocante, perturbador e emocionalmente desconfortável.

A trama acompanha Bear, interpretado por Michael Johnston, um garoto tímido e apaixonado pela melhor amiga, Nikki, vivida por Inde Navarrette. Sem coragem de revelar seus sentimentos, ele acaba encontrando um objeto misterioso capaz de realizar desejos. E, claro, faz aquilo que parece a solução perfeita para qualquer romântico desesperado: deseja que Nikki o ame de volta.


O problema é que ela ama. Ama demais. E é exatamente aí que o filme começa a ficar assustador.

O que mais me surpreendeu em “Obsessão” foi a maneira como ele transforma situações extremamente comuns em cenas de puro desconforto. Uma conversa entre casal, uma surpresa “fofa”, um jantar, uma troca de mensagens… tudo passa a carregar uma tensão absurda. Existe algo profundamente angustiante em perceber Nikki perdendo o controle pouco a pouco enquanto Bear entende que talvez tenha ultrapassado um limite impossível de consertar.

Existe uma crítica muito clara sobre posse emocional, egoísmo e a romantização da obsessão dentro de certas fantasias masculinas. O roteiro deixa evidente que o verdadeiro horror da história não nasce exatamente da maldição, mas do desejo de Bear de ser amado a qualquer custo, sem pensar nas consequências disso para Nikki como indivíduo.

Ao invés de transformar a personagem feminina apenas em uma “namorada maluca”, o filme cria algo muito mais desconfortável: uma garota presa dentro de sentimentos que nem parecem mais pertencer a ela. E muito disso funciona graças à atuação absurda de Inde Navarrette.

Visualmente, “Obsessão” também entende muito bem o tipo de atmosfera que quer criar. O filme não depende de jumpscares baratos o tempo inteiro nem tenta exagerar nos elementos sobrenaturais. O terror aqui é psicológico, íntimo e emocional. A sensação constante é de sufocamento. Como se algo estivesse errado o tempo todo, mesmo nos momentos mais silenciosos. E isso torna tudo ainda mais perturbador.

Ao mesmo tempo, acho impossível ignorar uma discussão que o próprio filme levanta sem necessariamente aprofundar completamente: mais uma vez, vemos uma mulher sendo colocada como figura do descontrole emocional e da ameaça. Embora o roteiro deixe claro que Nikki também é vítima daquela situação, ainda existe um incômodo em perceber como o horror feminino continua sendo uma ferramenta tão recorrente dentro do gênero.

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