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quinta-feira, 2 de abril de 2026

O Drama [Crítica]

 


Título no Brasil: O Drama 

Título Original: The Drama

Ano: 2026

Direção: Kristoffer Borgli 

Roteiro: Kristoffer Borgli 

Elenco: Robert Pattinson, Zendaya, Alana Haim

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes 


Quando A24 anunciou "O Drama" e começaram a sair as primeiras imagens de Zendaya e Robert Pattinson como um casal, confesso: eu comprei totalmente a ideia. Era aquela estética de romance moderno, meio Tumblr, meio “casal perfeito da geração atual”. Parecia confortável, leve… até sair o trailer e dar aquela leve sensação de “opa, tem coisa errada aqui”. E tem mesmo.


O filme começa exatamente como você espera: Emma e Charlie são apaixonados, têm uma dinâmica gostosa de assistir e funcionam muito bem juntos. A química entre Zendaya e Robert Pattinson é um dos maiores acertos aqui, é o que faz a gente se envolver rápido e, principalmente, querer continuar até o fim, mesmo quando tudo começa a desandar.


Sem entrar em spoilers, tudo muda a partir de uma simples brincadeira entre amigos, aquelas perguntas meio “qual a pior coisa que você já fez?”. Só que o que Emma revela… não é simples. E é aí que "O Drama" mostra a que veio. O filme pega uma situação absurda e leva até o limite, tipo aquelas discussões hipotéticas que a gente tem com amigos, mas transformadas em algo real, com consequências reais. E o mais interessante é que ele não fica só no casal. O que começa como uma crise íntima vai crescendo até virar uma discussão muito maior, sobre julgamento, moralidade e, principalmente, sobre essa nossa necessidade quase automática de apontar o dedo.


Tem um momento em que você começa a se perguntar: “ok… mas e se fosse alguém que eu amo?” E pronto, o filme já te ganhou ali. Porque ele não quer te dar respostas fáceis, ele quer te deixar desconfortável.


O mais curioso é como o diretor Kristoffer Borgli usa o humor. E não é qualquer humor — é ácido, meio desconcertante, daquele que faz a gente rir e logo depois pensar “meu Deus, eu ri disso?”. Durante a sessão, dava pra ouvir a galera rindo em momentos completamente tensos. E isso não é por acaso. É justamente essa mistura que torna tudo mais suportável… e mais provocador também.


Outro detalhe que eu gostei muito é como o ambiente acompanha o emocional dos personagens. A casa do casal, que começa aconchegante, vai ficando sufocante, caótica… quase como qualquer relacionamento quando começa a ruir. É um detalhe simples, mas que funciona muito bem. Ao mesmo tempo, o filme levanta várias camadas: cultura do cancelamento, julgamento coletivo, hipocrisia social… e até questões mais profundas que ele nem precisa explicar demais, mas que estão ali, implícitas. Especialmente quando pensamos na personagem da Emma e tudo que envolve quem ela é.


"O Drama" vai dividir opiniões, com certeza. Tem gente que pode achar pesado, desconfortável ou até “inapropriado” em certos momentos. Mas, sinceramente? Acho que essa é a ideia, porque no fim das contas, o filme não está só contando uma história, ele está testando a nossa própria moral.


Saí da sessão meio mexida, sabe? Aquele tipo de filme que continua na cabeça horas depois e que, quanto mais você pensa, mais desconfortável fica. Mas no bom sentido. Num cenário cheio de produções seguras e previsíveis, ver algo assim, que arrisca, provoca e ainda consegue ser envolvente, é quase um alívio.

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