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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

[Resenha] Morte Invisível @editoraarqueiro

Título Original: Et Stille ucerklight drab
Título no Brasil : Morte Invisível
Autoras : Lene Kaaberbol e Agnete Friis
Editora Arqueiro
Tradução: Marcelo Mendes
Número de págs: 318







Primeiro é importante informar que por mais que " Morte Invisível " seja visto como continuação de " O Menino da Mala", na verdade não é. Explico : o primeiro livro nos apresenta a personagem principal Nina, uma enfermeira de coração ONU que quer salvar a todos.  Em comum somente a personagem, as histórias não são ligadas uma a outra , exceto que Nina é o centro delas, sempre tentando ajudar em ambas.
Em Morte Invisível começamos conhecendo uma mãe - Natasha- que está prestes a ficar presa na Dinamarca por imigração ilegal, ela é oriunda da Ucrânia e vive com a filha Rina no país sem permissão de trabalho ou moradia. Para quem pouco conhece desses casos acho válido informar que nem todos os países fazem parte da União Européia, apenas 28 estados. Ucrânia é  do leste europeu e é conhecida por seu alto número de mulheres que se prostituem. Desde o fim da União Soviética em 1991 o país vem sofrendo com crises seguidas de alto número de desemprego o que faz com muitas mulheres imigrem ilegal para outros países próximos. Natasha é mais uma dessas mulheres que apenas quer ter um emprego e cuidar de sua filha em um país mais seguro ( Ucrânia vive em conflitos por territórios com a Russia e por outras questões culturais). Nina não entende como alguém pode julgar uma mãe e separá-la da filha e como sempre faz, opta por ajudar.
A protagonista sempre deixa de lado seus familiares e ajuda quem está por perto. Ao mesmo tempo conhecemos outra história a de dois meninos ciganos húngaros que em busca de algo que gere dinheiro a eles acabam descobrindo algo que jamais poderiam imaginar, na ingenuidade acreditam que lhes trará riqueza quando na verdade o que encontram no desativado hospital soviético causará muitas mortes.
O que as autoras nos levam são para dois mundos : o da imigração ilegal e o do preconceito. Tanto Natasha quanto Pitkin e Tamás tem algo em comum: desejam uma vida sem miséria em um país melhor.
Se ao mesmo tempo achei válidos os envolvimentos no livro com os temas citados acima achei também que as autoras quiseram colocar muita coisa em um livro só. A verdade sobre o que está matando vários ciganos é ligado a fanatismo religioso , um pré genocídio, quando por exemplo descobrimos que o intuito de muitos envolvidos é destruir aquilo que lhe está incomodando, as falas finais de uma das envolvidas nos arrepiam, é preconceito puro, é intolerância, é algo que já devia estar tão fora de moda que só veríamos em museus
Mas as autoras acertam, o tom dado aos personagens é de ingenuidade, os que sofrem nem imaginam o quanto são odiados, a personagem que quer ajudar nem imagina que haja tanto ódio no mundo e no final temos a certeza que a história se passa na Dinamarca mas poderia ser em qualquer país do mundo, afinal, o preconceito existe sempre. Infelizmente. Um livro maravilhoso. 


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

[Resenha] O Menino da Mala @editoraarqueiro

Título Original: Drengen I Kufferten
Título no Brasil: O Menino da Mala
Editora Arqueiro
Autoras : Lene Kaaberbol
e Agnete Friis
Tradução: Marcelo Mendes









Tinha muita vontade de ler esse livro, mas acabei não o comprando em 2013 quando foi lançado, esse ano recebi outro das mesmas autoras e pensei que fosse continuação, o que fez com que comprasse o livro correndo e o lesse em um dia. Gostei muito da história mas ainda está longe de ser um Stieg Larsson como pregam na chamada de capa. 
Nina Borg é uma enfermeira dinamarquesa que está sempre disposta a ajudar tudo e todos, ela é tão boa que coloca sua profissão acima de seu próprio casamento. Acostumada a ajudar lituanos e outras nacionalidades que imigram ilegalmente para seu país, ela não sabe dizer não quando alguém precisa de ajuda. Sabendo disso sua amiga Karin lhe pede um favor, que vá até uma estação de trem e pegue uma mala. Ela não diz o que tem na mala, só pede que a moça a pegue.
Em outro capítulo conhecemos Sitiga , uma mulher que acabou de acordar em um hospital mas não faz ideia de porque foi parar nele. De acordo com os médicos ela havia bebido muito, a questão é que ela não bebe e estranha o fato de seu ex marido que mora na Alemanha ter pego o único filho do casal : Mikas.
Nos capítulos de Nina logo descobrimos como o próprio nome do livro já´entrega que há um menino dopado , de apenas 3 anos e nu dentro da tal mala. Nina fica desesperada, liga para Karin que mais a confunde do que a ajuda e antes que ocorra o encontro a amiga é morta. Tenso para a protagonista. O que uma pessoa normal faria? Entregaria o menino na polícia, certo? Essa não é a decisão de Nina que opta por levar o menino ao médico amigo e ele mesmo diz que não faz ideia do que o menino tomou.
Nesse suspense todo o que sabemos é que o interesse pela vida do menino existe, e Karin só diz antes de morrer que não era para ser um menino.
O leitor fica bem confuso e sem saber muito os reais motivos, e é difícil fazer uma resenha onde qualquer personagem citado a mais possa estragar as surpresas do livro e seu final.
Achei o livro bom, mas esperava bem mais, ele corre com a história do meio para o final e não nos dá muito do que queríamos saber, em uma história que envolve ainda russos sinistros.
Longe de ser um Stieg Larsson, a protagonista tem nuances de bondade e de valentia mas as vezes dá sono com suas falas.
O Menino da Mala é um livro bom, mas nada que me tenha feito amar a história como achei que amaria, É um suspense bom e somente isso.