quarta-feira, 28 de setembro de 2016

[Resenha] Achados e Perdidos @suma_BR

Título Original: Finders Keepers
Título no Brasil: Achados e Perdidos
Autor: Stephen King
Editora Suma de Letras
Tradução de Regiane Winarski
Número de págs: 350









No segundo volume da trilogia King volta com tudo, e no maior estilo Misery conheccemos Morris Bellamy, um cara que entra na casa de seu escritor favorito, conhecido como um gênio da escrita, chamado John Rothstein. Ele não gostou do final que o escritor deu a um dos personagens e vai com amigos mascarados na casa dele cobrar justificativas além de rouba-lo, só que ele leva seus textos ainda não publicados além de matar o cara. Não, isso não chega a ser um spoiler, porque é através dessa morte que sua vida mudará. Ele infelizmente não será pego por esse assassinato mas mais tarde o prenderão por outro crime, o assassino passará exatamente 35 anos na cadeia. Sempre com a ideia na cabeça de rever esses escritos, mas para sua surpresa os mesmos não estarão no local que ele deixou. 
Ele então vai descobrir que um garoto o pego e vendeu e aí sim sua vida viará um inferno, o que de fato, cá entre nós, ele merece.
Dessa vez King não guarda nenhum segredo, já que quando ele existe já o desvendado em poucas páginas, o mote é mesmo entender que há louco para tudo e que agente paga por aquilo que fazemos nessa vida mesmo, ou as vezes temos ajuda de algo sobrenatural, o que não acontece nesse livro. Não espere monstros, como ele mesmo costuma dizer os monstros existem e estão dentro de nós mesmos.
Apesar de fazer parte de trilogia de Bill Hodges, o detetive dessa vez tem uma pequena participação,muito inferior aquela que teve no primeiro livro, Mr. Mercedes.

Tem que ler para entender como King é genial, construindo e desconstruindo personagens, o cara arrasa sempre. 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Menina que via Filmes: Conexão Escobar [Crítica]

Título Original: The Infiltrator
Título no Brasil: Conexão Escobar
Data de lançamento 15 de setembro de 2016 (2h 07min)
Direção: Brad Furman
Elenco: Bryan Cranston, Diane Kruger, John Leguizamo mais
Gênero Suspense

Nacionalidade EUA
Ano: 2016







Pablo Escobar, o poderoso chefão da Colômbia já rendeu inúmeras histórias para a sétima arte, além da excelente série da Netflix: Narcos. Pensando por esse ponto, o que mais se tem para contar sobre ele? Muita coisa se vermos o filme Conexão Escobar onde Bryan Cranston vive o papel de Robert Mazur, ou Bob, um agente da alfândega que vê sua vida mudar radicalmente quando aceita ser um infiltrante no mundo do crime.
Baseado em fatos reais, vemos o durão policial se transformar em amigo dos traficantes na pele de um investidor que quer lavar o dinheiro deles, passado na década de 80- mais precisamente em 1985- o filme nos leva ao mundo em que os Estados Unidos como maior consumidor de drogas do mundo, sofre para vencer o que seus próprios nacionais amam consumir.
Com isso Bob esquece a família para se jogar de corpo e alma na operação perigosa que conta ainda com John Leguizamo no papel Emir Abreu, um outro agente que irá ajudá-lo a se parecer mais com os latinos que irá conhecer e com Diane Kruger como Kathy, a moça que se fará passar por noiva de Bob, ou melhor de Musella, seu nome falso para chegar até os parceiros de Escobar e sonhando alto, com ele mesmo.
Do lado do crime ainda temos um sumido Benjamin Bratt no papel de Roberto Alcaino, um dos importantes colombianos que viviam nos EUA comandado por Escobar. Vale ressaltar que o filme nos mostra o tempo inteiro o como apesar de crápulas no mundo das drogas para suas famílias eles eram ídolos e extremamente religiosos, quem via a esposa e filha de Alcaino por exemplo, jamais diria que seu pai era braço direito de Escobar.

Os críticos especializados alegaram que o filme deixa faltar muitas informações, como razões para que Bob e Kathy aceitem arriscar tanto suas vidas. Para mim a idade do protagonista é que foi um ponto de interrogação, já que ninguém questiona sua diferença de idade da falsa noiva por exemplo, o que me faz acreditar que até mesmo pelo cálculo das datas o ator escolhido é bem mais velho do que o Mazur original. 
O que importa fora esses detalhes é que saímos felizes do cinema por termos tido aquilo que esperávamos, boas atuações e um roteiro que segura firme as pontas até o final. 

Menina que ia ao teatro: 5 x Comédia [Crítica]





















Título Original: 5 x Comédia
Teatro Oi Casa Grande
Até 30 out 2016
qui, sex e sáb 21:00 | dom 20:00 

R$ 50.00 (balcão setor 3), R$ 70 (balcão setor 2), R$ 100 (plateia setor 1) e R$ 120 (plateia vip e camarote)

Texto: Antonio Prata, Jô Bilac, Cristina Julia Spadaccini, Gregorio Duvivier, Pedro Kosovski
Direção: Monique Gardenberg, Hamilton Vaz Pereira
Elenco: Bruno Mazzeo, Debora Lamm, Fabiula Nascimento, Lucio Mauro Filho, Thalita Carauta


Quando soube que a peça estava passando no Oi Casa Grande me animei, e comprei entradas para ir com a família toda. Uma pena que a peça não tenha sido nem 10 por cento do que esperava.
Com 5 atores de peso, conhecidos do grande público por serem humoristas e volta e meia estarem em produções da TV Globo e de filmes nacionais, o espetáculo acerta na escolha do elenco, mas erra a mão nos roteiros, cada um faz um ato escrito por uma pessoa diferente.
O primeiro deles mostra Debora Lamm e é escrito por Antonio Prata e fala sobre uma atriz de teatro infantil que sempre foi a Branca de neve e agora as crianças só querem as irmãs de Frozen, é engraçado algumas vezes mas não traz nada de extraordinário por mais que a ótima atriz se esforce muito.
Depois temos o melhor: Bruno Mazzeo ( sempre ele!), engraçado como de costume ele arrasa fazendo o pai que é preso porque quer ajudar o filho a dormir e está enlouquecendo com a criança que só chora. O teatro inteiro riu muito de todo diálogo dele com o delegado quando interrogado e se fosse ele o tempo todo eu teria amado a peça.
Então vem uma 3ª cena trazendo Fabiula Nascimento, uma atriz que gosto muito mas que no texto mala se fazendo de um pássaro muito chato só consegue deixar a plateia olhando pro relógio. Na 4ª cena temos Thalita Carauta, uma figurante bem engraçada que apesar do texto também não ajudar muito se sobressai e consegue que sua encenação seja a 2ª melhor da noite.
Quando as coisas vão melhorando entra Lucio Mauro Filho, e que pena que um cara que gosto tanto que para mim sempre será o Tuco de A Grande Família tenha se prestado a um papel tão chulo que combina bem com quem o escreveu: Gregorio Duvivier. Esse ator/ roteirista deve ter feito algo a mim em outra encarnação, porque nada justifica o horror que tenho dele nessa, para vocês terem ideia não vejo filmes com ele e quando assisto vídeos do Porta dos Fundos eu evito os que ele está. Sem contar sua posição política ( esquerdista morando no Leblon, assim fica fácil né queridão) que não suporto nem ouvir.
Mas vamos à essa parte, eu nem sabia que o texto era do Gregorio, e a cena começa, Lucio Mauro é casado com uma atriz que está fazendo uma suruba e ele se sente super mal com isso, finge que está tudo bem mas não está à vontade. Com palavrões e deixando boa parte da plateia sem graça - inclusive eu que levei mãe e sogra para ver essa baixaria- a cena termina sem necessidade alguma de ter sido inventada.
Uma pena que essa peça não seja nada do que esperava, de todos que foram comigo, ninguém saiu feliz, a gente só falava no como poderia ter tido somente a parte do Bruno Mazzeo. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

[Resenha] Contos Peculiares @intrinseca + Vídeo com Razões para Ler Ransom Riggs





























Título Original: Tales of the Peculiar
Título no Brasil: Contos Peculiares
Autor: Ransom Riggs
Editora Intrínseca
Número de págs: 208


Amar um autor é pegar seu livro e não consegui largar, é não sossegar enquanto não virar a última página, e se isso acontece depois de você ter lido 3 livros do autor, é paixão eterna. Por essa razão falar de qualquer livro de Ransom Riggs já virou um imenso prazer para mim.
Dessa vez uma edição linda e super bem trabalhada da Editora Intrínseca chega às livrarias trazendo suas histórias e desenhos entre cada capítulo. As crianças e adultos peculiares são sem dúvida uma das melhores histórias criadas recentemente, e Ransom merece todos os elogios.
Em Contos Peculiares entramos no mundo de 10 peculiares, cada qual da sua forma e com o seu aprendizado, que genialmente escrito pelo autor passa para nós também.
No primeiro conto intitulado Os Esplêndidos Canibais conhecemos uma aldeia de peculiares, a Swampmuck, onde todos viviam de forma muito humilde até chegarem ao local canibais desnutridos. Ao explicarem sua condição um dos aldeões Hayworth ficará com pena por eles se alimentarem somente de carne podre e oferecerá a perna que perdeu trabalhando. Confusos, mas gratos os canibais aceitam de bom grado e se espantam ao saber que a perna cresce novamente. Dão lhe então uma boa quantia de dinheiro o que faz crescer os olhos de toda a aldeia que se envolverá em um ciclo de ganância sem volta, uma tremenda lição para aqueles que fazem tudo por grana. Depois ele nos leva ao mundo de A princesa da língua bifurcada que me lembrou muito os X Men, a tal princesa é linda, seu pai se orgulha de sua beleza, mas ele nunca parou para prestar atenção no motivo dela falar tão pouco. E a razão é porque ela teme escamas nas costas e uma língua bifurcada, nesse conto a aceitação dos parentes e da sociedade faz toda a diferença, coisas que a pobre da princesa não vai conhecer.
A primeira Ymbryne fala muito sobre família também e seus valores, uma mulher que se transforma em ave e é usada pelo pai para a luta de terras e ao ver sua família ser dizimada percebe que seu pai nunca aceitou sua condição de verdade, mesmo literalmente batendo asas para outro local vai achar preconceito por onde passa por ser diferente.
Um dos contos que mais amei foi A Mulher que era amiga de fantasmas , uma menina que perde  a irmã muito jovem e que começa a se comunicar com ela, a irmã passa a ser então sua melhor amiga, só que um belo dia a fantasma camarada some e ela percebe que não tem amigos vivos, na busca por eles ela vai até mesmo querer vender a casa dos pais e comprar uma casa mal assombrada para ter muitos amigos. O final é surpreendente, o que começa melancólico finaliza de forma tão divina que só mesmo Ransom para escrever dessa forma.

Os demais contos também trazem temáticas interessantes, são ao todo 10! Destaco também A Menina Que Domava Pesadelos trazendo a personagem Lavinia, uma menina cujo pai é médico e seu maior sonho é virar médica também, o que seu pai lhe desencoraja porque naquela época mulheres não tinham essa profissão, ela então descobre seu dom,de tirar o pesadelo das pessoas e seu primeiro paciente é seu irmão, o caminho que o conto toma é sensacional e terminamos ele com um sorriso no rosto.
Por favor leiam, Ransom nos leva a mundo de ficção com pitadas de realidade, a nossa mesmo, a de que ainda temos muito que aprender com as histórias inventadas. 


Se você não viu o vídeo, clica aqui embaixo!

domingo, 25 de setembro de 2016

Menina que via Filmes: Viva a França! [Crítica]

Título Original: En Mai Fais Ce Qu´il Te Plait
Título no Brasil: Viva a França!
Data de lançamento 8 de setembro de 2016 (1h 54min)
Direção: Christian Carion
Elenco: August Diehl, Olivier Gourmet, Mathilde Seigner mais
Gêneros Drama, Guerra, Histórico

Nacionalidade França
Ano: 2015


Não vá ao cinema imaginando encontrar um A Vida é Bela francês. Apesar do filme ter muito da relação pai e filho, aqui não há ilusão. Hans ( August Diehl) é um alemão militante que ao ver que será preso junto com seu filho (não encontrei em nenhum site o nome do ator que faz a criança) foge para França. Desde cedo ele treina o filho para fingir que não são alemães e sim franceses. A princípio achei que fossem judeus, mas depois pelo que o filme leva, acredito que sejam somente alemães que não eram a favor de Hitler e como toda ditadura ele mandava matar também. Hans perdeu a esposa e agora só tem seu filho que aparente ter uns 8 anos. Ele e  a criança vão somente com a roupa do corpo para França e lá encontrarão um grupo de franceses que também tenta fugir das maldades alemãs, o que o filme tem de diferente é que os filmes de Segunda Guerra muitas vezes somente mostram o que os nazistas faziam com os judeus, dessa vez o diretor nos leva ao mundo das pessoas que não eram judias mas que foram expulsas de suas casas e muitas mortas apenas pelo prazer de matar. Ou seja, nada justificava o que faziam. 
Nesse grupo dessa pequena cidade que tenta fugir pela estrada há um prefeito gente boa Paul ( o ator Olivier Gourmet) e uma professora, a Suzanne ( Alice Isaaz)  que ao ver que Max ( o menino) se afastou do pai "o adota", criando laços com o menino que a faz o proteger como a um filho.
Max vai ver muitas mortes, vai sentir falta do pai que se perderá do grupo no meio do caminho,tudo isso embalado pela trilha sonora perfeita de Enio Morricone. O filme emociona muitas vezes, e a gente fica querendo que o pai encontre logo o filho, que a guerra acabe, etc

Há outros papéis de destaque como do soldado britânico que ficará amigo de Hans e  o ajudará na caminhada ao encontro do filho ( o soldado é interpretado por um ator que gosto muito mas poucas vezes aparece: Matthew Rhys).
O final é maravilhoso, apesar dos críticos especializados terem achado o final mais do mesmo, eu achei que era um sinal de esperança no meio de tantas atrocidades.