sábado, 23 de junho de 2018

Menina que via Filmes: O Vazio do Domingo [Crítica]

Título Original: La enfermedad del domingo
Título no Brasil: O Vazio do Domingo
Data de lançamento 15 de junho de 2018 na Netflix (1h 53min)
Direção: Ramón Salazar
Elenco: Bárbara Lennie, Susi Sánchez, Miguel Angel Sola mais
Gênero Drama

Nacionalidade Espanha
#101
Formato visto: netflix







por Raffa Fustagno

****A CRÍTICA PODE TER ALGUNS SPOILERS*******
O que faz você amar sua mãe? Na certa é todo o carinho que sempre teve com você, certo? Essa é a pergunta que fazemos quando sabemos o que se passa nesse drama espanhol filmado originalmente para  o Netflix e trazendo uma história que não é comum de ser vista. Já que estamos acostumados a ver o pai abandonando o filho.
Anabel ( Susi Sanchéz) é uma milionária, casada com um homem importante, os dois tem uma única filha que aparenta ter 20 e poucos anos. O filme começa nos mostrando o como ela é exigente com um jantar que terá em sua mansão, ao dar ordens aos garçons não quer que nenhum use brincos ou relógios, mas apenas uma moça se recusa a fazer isso sem que ela note, a nós chama a atenção mas Anabel está ocupada com sua noite e segue batendo seu salto pelo imenso salão.
No jantar depois de todos irem embora fica somente ela e a moça que limpa a mesa, ao olhar bem para o rosto dela a mulher não precisa dizer mais nada: é sua filha. Uma filha que ela deixou para trás com o ex marido francês - Anabel é espanhola- há cerca de 30 anos, quando a menina tinha apenas 8 anos.

Agora com a já mulher à sua frente, Anabel se assusta com o que ela possa fazer. Em nossa cabeça vem logo que ela quer parte da fortuna que a mãe tem, ou seria vingança? Não sabemos e como o filme tem ritmo lento, não tente descobrir antes, a razão de ela querer a mãe por perto por 10 dias é desvendada aos poucos e isso faz com que o filme seja um tremendo diferencial na grade de filmes já vistos.
Ao pedir que sua mãe passe 10 dias com ela, Anabel sempre seca conta ao marido e à outra filha, ele também se preocupando com o dinheiro faz Chiara ( Bárbare Lennie de Um contratempo) assinar um documento de que nunca pedirá nenhum valor à mãe e depois desses dias não a procurará mais. Chiara nem liga, assina na mesma hora. Já sabemos - ou não - que não é dinheiro de herança o que ela deseja.

Ao aceitar ficar 10 dias em um chalé com a filha, as 2 estranhas vão se olhando e se fazendo perguntas. Não dá para chamar de mãe quem nos abandonou, e quem nunca mais quis ou se interessou em nos procurar. O tal chalé fica na França onde ela morou a vida inteira com o pai, esse não está no lugar e Chiara avisa que ele morreu, mas talvez isso não seja verdade.
Destoa dos jeans, botas e casacos largos de Chiara, as roupas de grife de sua mãe, que aos poucos vai perdendo sua vaidade ao perceber o quão egoísta foi com a filha. 
Há uma mágoa mas que Chiara deixa que seja demonstrada aos poucos, nada tem pressa no filme, e para uma experiência completa e merecida, não aguarde nenhum momento de ação, é a dor de uma filha abandonada e de uma mãe que esqueceu que tinha outra filha após ficar rica que vemos na tela. Essa dor existe e vai aumentando conforme o filme vai passando.
Não esperava assistir algo tão dolorido, como dói não ser querido, como é pesado saber que sua própria mãe nunca ligou para saber como você estava...como alguém pode fazer isso com a própria filha? Chiara se pergunta, Anabel não sabe responder e quando o faz nem ela encontra desculpa que justifique, o que impressiona é que seu marido e sua filha mais nova são totalmente contra o que ela fez, e se assustam com essa atitude, então porque alguém faz isso? Pode ser que não haja resposta.

Já adianto que  a cena final é para embaçar os óculos, preparar o Kleenex e respirar fundo. O segredo de Chiara é revelado, e Anabel - em uma cena que é para bater palmas de pé- sentirá como nunca o como um erro como esse não poderá ser apagado, a culpa é companheira de quem o faz.
Assistam, que filmaço. 

12 comentários:

  1. No começo da crítica você fala para não tentarmos adivinhar o que acontece e apenas assistir, eu já terminou de ler a crítica levantando hipóteses do que pode ter acontecido kkkkkkkkkkkkk fiquei bem curiosa para saber

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  2. Oi, Raffa.

    Não tenho o hábito de assistir filmes assim, porém acredito que eu iria gostar bastante desse filme. Pelo mesmo ser bem trabalhado e destoar aspectos realistas.

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  3. Que filme maravilhoso!!!
    Assisti ele nesta semana e não dá sinceramente para definir tudo que esta história nos traz.
    Comecei a ver com os pés meio atrás, mas o enredo te pega tão de jeito que fica complicado não se jogar naquela floresta e viver tudo que ambas as personagens vão vivendo no decorrer da história.
    A falta de amor, o abandono, mas ao mesmo tempo, todo o amor do mundo sendo ali vivido.
    Cenário, personagens, tudo se encaixa com perfeição. Algumas cenas dava um nó na garganta(como a da cachorrinha),senti muito medo do que poderia acontecer.
    Um filme mais do que recomendado!!!
    Beijo

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    1. Estou aqui ,as lágrimas,filme emocionante,intrigante. Uma triste história! Conseguiu me prender.

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  4. Não entendi o filme, no final ela mata a mocmdo nada em um lago, um dos piores filmes já visto

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  5. Não entendi o filme, no final a mãe mata a moça do nada em um lago, que filme esse ? Sem fundamento nenhum

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    1. Edvan,
      * ALERTA DE SPOILER DA RESPOSTA, POR FAVOR NÃO LEIAM SE NÃO VIRAM O FILME AINDA***

      A filha tem uma doença terminal não especificada e morrerá em poucos dias, por essa razão o pai de Chiara diz à mãe ( Anabel) que preferiu ir embora para Paris já que ela não aceitou fazer tratamento e que ele então preferia não se despedir dela nunca.
      A filha quando procura a mãe ela não quer grana, ela quer ficar com ela por 10 dias como despedida e quer que a afogue no Rio, coisa que o pai se negou, mas que a mãe que já tinha tantas dívidas com a filha por tê-la abandonado, optou por fazê-lo, não deixando claro se era a favor ou contra a atitude mas apenas como uma dívida que tinha com a filha, então ela a afoga no rio, mas a moça já morreria da tal doença em poucos dias. É forte e delicado e trata da decisão de podermos escolher quando não queremos mais viver, que é muito discutido em outros filmes pois aprendemos que a morte está nas mãos de Deus e tirar a própria vida é errado. Espero ter ajudado. Abraços.

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    2. Assisti ao filme e fiquei na duvida, mas foi exatamente o que imaginei. Ao falar baixinho no ouvido, ela pede que a mãe a afogue no rio. Achei o filme muito bom, mas o desprezo e a coragem da mãe diante de uma filha que queria apenas a presença e um pouco de carinho da mãe choca bastante.

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  6. Já adicionei na minha lista, pretendo ver logo!

    Beijos :)

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  7. Eita, contem spoiler sim ahahahah, mas acho que ta valendo assistir a trama, além de sombrio ele parece ter temas bem deliciados na historia, o que geralmente mexe muito com quem está assistindo. Parei de ler o comentários do pessoal para que o filme não fosse mais entregue ahahahahah

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  8. Realmente é um filme lindo!
    A relação que Anabel tem com a segunda filha também é conflituosa e fica claro que foi mais uma que cresceu às margens da vida da mãe, percebe-se quando diz “Trate de cuidar bem dela” se referindo à irmã recém descoberta.
    Realizar o último desejo da filha, Chiara, foi apenas a consumação do que Anabel fez quando a menina tinha oito anos, acho que a mesma já se sentia morta desde o abandono da mãe na infância. Foi um ato simbólico de enterrar.
    Mostrar seu ódio e seu amor em dez dias foi uma espécie de catarse para Chiara, embora pareça que no início o sentido de tudo, apesar da presença da mãe, tenha deixado de ser importante, assemelhando-se a um objeto de valor que não se encaixava na vida da filha.
    A cena do carrossel acho que foi um retorno a uma infância perdida. Particularmente, não gostei dessa “infantilização” da personagem.
    Por outro lado, ao voltar do rio é como se Anabel se desse conta do imenso vazio da vida. É a Anabel cansada das lutas pelo que sucesso que conquistou.

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  9. Sua constatação para a cena final no lago foi perfeita!É isso mesmo!Para Anabel uma consumação...para Kiara, uma libertação. O escancaramento do desamparo que a menina sofreu quando tinha apenas 8 anos. A infantilização da personagem retrata a sua infância perdida, revive aquele tempo, aqueles únicos momentos, onde a felicidade se fez presente na vida de Kiara. Chega a ser patético, e justamente por isso, é tão significativo. Sem dúvidas, um filme fantástico!

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