quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Menina que via Filmes: Carcereiros - o filme [Crítica]


Título Original: Carcereiros
Adaptado da obra: Carcereiros
Gênero: Drama
Nacionalidade: Brasil
Direção: José Eduardo Belmonte
Roteiro: José Eduardo Belmonte
Distribuição: Imagem Filmes
Elenco: Rodrigo Lombardi, Milton Gonçalves, Rômulo Braga, Kaysar Dadour, Dan Stulbach, Jackson Antunes, Tony Tornado, Bianca Müller, Ivan de Almeida, Giovanna Rispoli, Similião Aurélio, Germano Pereira, José Trassi, Rainer Cadete, Rafael Portugal. 
por Larissa Rumiantzeff

Quem vê o Dráuzio Varella todo pimpão falando sobre saúde na televisão pode nem pensar que ele é porreta, que já escreveu vários livros inspirados na sua experiência como médico voluntário em presídios. Em 2003, chegou aos cinemas Carandiru, adaptação de seu primeiro livro. O filme que eu tive a oportunidade e o privilégio de assistir hoje foi Carcereiros, uma adaptação do seu livro homônimo, escrito em 2012. Com roteiro de Marçal Aquino, Fernando Bonassi, Dennison Ramalho e Marcelo Starobinas, e direção de José Eduardo Belmonte, o longa prende o espectador na tela, com o perdão do trocadilho. O diferencial desse filme é ter sido adaptado também de uma série, então pode ser que quem tenha visto um dos outros formatos tenha uma opinião diferente da minha. 

Em Carcereiros, somos apresentados ao cotidiano de uma prisão em São Paulo, do ponto de vista de Adriano, um viúvo de quarenta anos, pai de uma menina, Lívia (Giovanna Rispoli). Adriano revela no início do filme que presenciou a morte do próprio sobrinho na mesma linha de trabalho. A adolescente que, além de se incomodar com a ausência do pai, tem medo constante de perdê-lo, insiste em vão para que ele procure outro tipo de emprego. A psicóloga com quem ele conversa também pergunta o porquê de ele insistir nesse trabalho, mesmo diante de tantos revezes. 

Logo nas primeiras cenas, conhecemos a natureza de Adriano: um carcereiro íntegro e honesto, avesso a violência. Somos também apresentados aos colegas de trabalho de Adriano: o chefe do presídio, Doutor Gouveia (Milton Gonçalves) e Valdir (Tony Tornado). O personagem interpretado por Ivan de Almeida aparentemente é um dos melhores amigos de Adriano. 
As primeiras cenas do filme estabelecem as amizades e rivalidades dentro do presídio. A principal tensão se dá entre os membros de duas facções rivais, Juarez e Príncipe. Este último é mantido afastado de Juarez, que ameaça sua vida. Ambas facções brigam pelo domínio do presídio, porém mantém uma relação respeitosa com Adriano, justamente pela sua conduta com eles.  Tem ainda os crentes, comandados pelo Enfermeiro (Rafael Portugal do Canal Porta dos Fundos)
Porém, esse equilíbrio é ameaçado com a chegada de um terrorista internacional. Abdel Mussa (Kaysar Dadour) precisa pernoitar no presídio, antes de ser levado em segurança pela Polícia Federal ao seu país para ser julgado lá. E Adriano precisará manter a paz a qualquer custo. Porém, como se não bastassem os ânimos dentro da penitenciária, uma ameaça externa coloca em risco a vida de todos. E eles estão atrás de alguém lá dentro. 
“Carcereiros” pode não parecer novidade para quem já está familiarizado com a série, mas é um filme de ação divertido e com crítica social, sem ser excessivamente didático. O ritmo é acelerado, o que o distingue de Carandiru, por exemplo. Para os fãs do gênero, o filme não deixa nada a desejar para grandes produções internacionais. 
O trabalho dos atores também foi ótimo. Para quem já assiste a série, talvez não fique surpreso com Rodrigo Lombardi ou outros nomes já conhecidos. Foi uma grata surpresa rever Tony Tornado, por exemplo. As cenas com eles foram algumas das mais engraçadas. Eu fiquei estarrecida de saber que o personagem do terrorista Abdel Mussa foi interpretado pelo ex-BBB Kaysar Dadour, que já tinha se destacado pelo seu trabalho em Filhos da terra. Outro ator que brilhou foi Romulo Braga, como o bandido Juarez. Giovanna Rispoli, conhecida das novelas globais, foi outra que deu um show de interpretação. Uma surpresa que tive foi o papel de Rafael Portugal como o Enfermeiro. Aqui ele interpreta um personagem bondoso, solidário, sem tanto do humor que o caracteriza em Porta dos Fundos. Deem mais papeis do tipo para o Rafael, porque ele dá conta. Dan Stulbach se parece com o Tom Hanks, mas aqui ele é só um presidiário.
Contudo, “Carcereiros” não é perfeito. As cenas de ação foram ótimas, porém, para alguém que fosse esperando um filme no teor mais crítico da série, talvez estranhe. Algumas cenas são inclusive bem fortes. A classificação é de 12 anos, mas vai do critério dos pais. 
A moral do filme está no plot twist. Porém, o mesmo elemento surpresa talvez tire o foco do enredo e quebre a continuidade da narrativa. Contudo, a mensagem defendida por Adriano desde o início é clara. Todo preso é igual, todos ali são tratados com respeito. 
A atuação de Jackson Antunes ficou um pouco exagerada, beirando o cômico. Outro ponto problemático foi a verossimilhança. As obras de Drauzio Varella têm um caráter mais documental, então um mesmo carcereiro ser feito refém mais de 3 vezes no mesmo dia me fez questionar a competência do personagem. 
Isso não chega a comprometer a qualidade da obra, entretanto. Inclusive, recomendo para os fãs de filmes de ação e do trabalho do Dráuzio Varella. O fato de um filme desses ser brasileiro é um bônus. 



3 comentários:

  1. Eu vi a primeira temporada da série na época e gostei muito, apesar de não ser muito meu estilo.
    Amo as letras do Dr. Dráuzio, mas admito que estou meio apreensiva quanto ao filme. rs
    Será que dá realmente para compactar algo tão grande?? Não sei.
    Mas pela crítica acima, acho que deu.rs na medida do possível.
    Verei assim que chegar aqui em Lost!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. Larissa!
    Tive oportunidade de acompanhar a série, primeiro porque amo o Rodrigo Lombardi e também porque a série e pelo visto esse filme, são baseadas na experiências do Dr. Drauzio a quem respeito muito.
    Acredito que seja mais para mostrar a realidade nos presídios, a questão da corrupção que há e da hierarquia, enfim, vou assistir, mesmo com suas ressalvaas que parecem justas.
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Eu ainda não assisti a série, mas tenho bastante curiosidade e não sabia que era uma adaptação de um livro do Dráuzio, já quero conferir a série e o filme!!

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