sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Retrospectiva ou melhor, obrigada por sobreviverem comigo a esse ano...

 


Acho que tinha um tempinho que não ficava tão para baixo no Ano Novo. Eu nunca fui de viajar nessa data, muito menos de ir para festas. Fiz uma puxada na memória e desde que conheci meu agora marido em 2013 nós passamos todas as viradas de ano na casa dos pais dele, na casa dos meus pais ou na casa de um casal de amigos que moram na rua deles. 
Isso quer dizer que mesmo morando no bairro onde muita gente sonha conhecer e ver os fogos - Copacabana - eu não vou até a praia vê-los acho que desde a adolescência. Isso acontece porque tenho pavor de multidão e porque a queima de fogos não teve mais graça para mim há um bom tempo.
Mas esse ano foi diferente né. Esse ano passamos nós dois e só. Nem meus pais vieram. Achei isso bem triste. 
E  bota ano diferente nisso. Eu comecei apreensiva porque operaria a vesícula, o que ocorreu maravilhosamente bem no dia 30 de janeiro. No hospital lembro de meu pai perguntando a todos os médicos que iam lá me ver sobre o perigo do Covid-19, porque ele queria saber se tinha algum risco de contaminação no Brasil. 
Todos respondiam que não, que ainda não tínhamos casos registrados, o que nem assim o deixava tranquilo. Meu pai sempre foi muito exagerado, ele sempre achou que teríamos grandes guerras, sempre achou que algumas coisas aconteceriam em proporções maiores do que realmente foram, então por essa razão eu me acostumei a achar que nada do que ele falava de fato teria aquela dimensão. Mas sabemos que ele estava certo.
Em fevereiro eu não viajei no Carnaval, na verdade eu fui somente ao cinema e vi muitos filmes em casa. Me preparava para tirar no início de março minhas tão sonhadas férias. Se você me acompanha há mais tempo sabe que fiquei desempregada 10 meses em 2018, voltei ao trabalho em 2019 quando dias depois fiquei 4 dias passando o Carnaval em Foz do Iguaçu  e não viajei o ano todo ( exceto para SP uma vez para CCXP). Eu amo viajar, amo participar de eventos literários, de shows, visitar minha tia em Atlanta....então minhas tão sonhada férias estava chegando. 
Os números do COVID 19 já eram altos na Itália, na Espanha, e em outros países. Mas aqui no Brasil ainda não. Tínhamos poucos casos, mais uma vez não acreditei em meu pai que disse que era melhor não viajarmos. Eu estava indo com minha mãe e minha sogra - ambas de quase  65 anos - para os EUA. Iríamos para Atlanta e NY e depois voltaríamos por apenas 10 dias. 
Meu marido não iria, meu pai tão pouco, éramos nós 3, eu não via minha tia que mora lá - e que é minha madrinha de batismo e casamento - desde 2017. O que para gente era muito tempo.
Então lá fomos nós e quando chegamos estava tudo tranquilo. Ainda que tivesse levado máscara porque meu pai fez questão e limpasse a mão o tempo todo com álcool em gel - eu sempre levei álcool na bolsa, porque eu tenho TOC com corrimão de escadas rolantes e "ferros de metrô" por exemplo. 
Nos 3 primeiros dias os números lá eram baixos, depois foram aumentando e eu comecei a ficar preocupada com isso, mas fingia que estava tudo bem. 
Quando a loja que estava com minha família passou o pronunciamento do presidente Donald Trump informando as medidas restritivas e do pulo no número de casos, eu vi que era sério, que nossas saídas passaram a serem um risco, ainda que Atlanta não tenha lugares lotados normalmente,  da noite para o dia os mercados tinham filas, As pessoas estocavam água e papel higiênico.
Meu tio foi um deles. Passei 3 dias sem visitar nenhum lugar, o máximo que íamos era à farmácia e ao mercado. 
Meu pai ligava  o tempo todo, no whatsapp do trabalho o governo - para o qual trabalhava na época - avisou que a equipe inteira deveria fazer home office. 
Eu os conhecia, para mandar isso, era porque era sério. O resto vocês já sabem. Eu lutei para voltar para o Brasil, nosso voo mudava de horário toda hora, o de NY foi cancelado, ninguém mais entrava lá. Os números da cidade eram assustadores.
Finalmente no Brasil após morgar no aeroporto de SP eu vi minha cidade mudada. As ruas vazias. As pessoas enclausuradas.

Fiquei de março a 22 de junho em casa sem trabalhar fisicamente. Retornei nessa data e trabalhei cuidando de números de "covidentos" diariamente. Contra todas as recomendações da OMS nosso ambiente de trabalho tinha cada vez mais gente, e seguíamos fingindo que aquilo não existia. Que não era um absurdo deixar tanta gente em um mesmo andar e de ar condicionado ligado e janelas trancadas.
As pessoas usavam a máscara quando lembravam, faziam o teste, dava positivo  e ficavam afastadas por 15 dias, até testarem novamente. Os servidores morreram em outros andares, a gente lamentava e seguia trabalhando. Quem seria louco de questionar algo em plena crise? Perder o emprego nunca.  A vida é consequência. 
Mas não há nada tão ruim que não possa piorar, e no trabalho de RH vivi o meu fundo do poço a partir do final de agosto, gostaria de dar mais detalhes mas só informarei que chegava em casa chorando constantemente por lutar contra toda ética que sempre acreditei e por ainda ter um chefe péssimo em todos os sentidos.
Ele certamente não imagina o mal que ele me fez, fodendo minha cabeça durante esse período, mas a cereja do bolo veio na última semana de novembro quando o chefe do chefe fez algo ainda pior que me senti um lixo.
Eu tinha dito que sairia de lá, Dei um prazo a mim mesma, Meu marido me apoiou, queria que saísse antes mas eu olhei meu cartão de crédito  e vi que precisava ficar até fevereiro. Deus é sempre mais, ele me ajudou com eles mesmos me desligando no primeiro dia útil de dezembro. E por favor, não lamentem, foi a melhor coisa que me aconteceu, eu não aguentava mais trabalhar com esse cara. Pela primeira vez sendo demitida eu não derramei nenhuma lágrima, talvez porque todas elas foram gastas desde que esse ser inominável entrou lá. 
É obvio que esse ano que começa vou ter que buscar outro emprego, ou...viver do canal, se atingisse um pouco mais de inscritos acho que conseguiria. Mas vamos seguir sonhando. 
No mundo da escrita eu consegui lançar 4 histórias. Lancei Palácio de Areia em março. Tive 1286 leitores em ebook da obra, Fora os cerca de 40 livros físicos vendidos.

Em agosto após meses de novelas turcas que descobri na pandemia eu lancei Minha Novela Turca que teve cerca de 1965 leitores além de 50 exemplares físicos vendidos. 
A história de Garotas Resistem deu uma atrasada, mas esse mês já chega para os leitores e Braba foi escrito em 2020 a convite da SeLiga Editorial. 
E o Natal me Trouxe chegou em dezembro após 3 anos dos leitores pedindo a continuação da história de Mafalda e Alfredo lançada como E a vida me Trouxe em 2017 na antologia de Blogueiras.com. 
Fiquei sem Bienal do Livro de São Paulo onde lançaria um livro pela Editora Fora da Caixa que ficou para ser lançado em 2021 se tivermos Bienal do Rio.
Em outubro assinei contrato com a Editora Leya para lançar um conto em uma antologia com duas outras blogueiras: Marina Mafra e Desiree Oliveira.
Se ficamos sem o evento da Menina físico, tivemos quase 30 lives com autores nacionais no IGTV, também entrevistei autoras internacionais como Beth Reekles para Astral Cultural e Jane Harvey-Berrick para The Gift Box.
No Canal da Menina que mudei o nome para Canal Raffa Fustagno alcançamos 15 mil inscritos! O vídeo mais visto tem quase 350 mil views. 
Preciso agradecer. O ano não foi fácil. Vi amigos perderem seus pais. Perdi uma amiga para um AVC em dezembro. Vi pouquíssimo meus amados pais. Não encontrei quase nenhum amigo. 
Mas estou viva e vocês também! É hora de rezarmos, para que esse governo faça o mínimo que esperamos: nos vacine. 
Obrigada, gente!! Muito, muito obrigada! Vamos para mais um ano juntos. 


4 comentários:

  1. Raffa, eu não sei mais quantos finais de ano passo contigo. Perdi as contas e acho isso maravilhoso, pois acompanho não só a autora, blogueira, produtora de conteúdo e tudo mais, mas acompanho a menina novinha mostrando suas compras que eu ficava morrendo de vontade conhecer, os lugares que você visitava, os artistas que você ficava caçando em porta de hotel.
    Vi a menina se transformando mulher, no seu casamento e vejo a cumplicidade e o amor que você tem com seu marido e admiro demais tudo isso.
    Vi você crescer e isso me faz muito feliz, muito orgulhosa de verdade.
    Sei que você vai muito além e só peço a Deus, saúde para que eu possa te ver chegar ainda mais longe!

    Não é você que tem que agradecer nada, sou eu, somos nós, que devemos agradecer sempre, por você se dedicar tanto a você, sua família, seus sonhos, mas também a nós, pessoas como eu, que moram no fim do mundo e aprenderam a ver o mundo, por sua vida!!!!

    Gratidão eterna!!!

    Um beijo carinhoso e que Deus sempre olhe por vocês!!
    Feliz 2021!!!!!

    Angela Cunha

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    1. A vida da gente muda mesmo. Ainda amo fazer compras mas no cenário de pandemia elas fazem quase nenhum sentido. As portas de hotel já tem um tempo que não acontecem rs, se não me falha a memória a última vez foi em 2018 indo atrás do Wagner Moura e da Ana de Armas em Ipanema. Nâo lembro se isso foi antes ou depois de eu tirar fotos em Buenos Aires com os atores da peça que assisti. HOje os hotéis estão às moscas. Para mim é uma alegria imensa te ter por aqui, acho que mais do que a interação blogueira- seguidora nos tornamos amigas virtuais. Agradeço a Deus por isso. Que 2021 venha mais leve, 2020 já nos mostrou a face de quem vale a pena, então agora é nos vacinar e viver a vida após isso intensamente. Feliz 2021.

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  2. Raffa, passamos por um ano tão difícil, acho que ninguém esperava (ou acreditaria) que em pleno ano de 2020 passaríamos por uma pandemia global, que teríamos que fazer quarentena e permanecer meses em casa, por vezes me vi triste, sem vontade de ler ou assistir nada, outras o animo vinha e conseguia consumir várias coisas! Acompanhar o canal e suas redes (as vezes com mais ou menos frequência), ajudou muito esse ano, poder ver os bate papos com autores, saber de suas leituras, resenhas de filmes e séries, me animava a também querer consumir as obras e poder fugir um pouco da nossa realidade. Obrigada :)

    Sempre acompanho seus posts nas redes sociais e via suas reclamações e pesares, fico feliz que mesmo em um momento triste como a demissão, você tenha encontrado a felicidade e o alivio.

    Parabéns por todos os seus números, você merece muito todos eles, sempre entregando muito conteúdo e histórias para nós <3 que 2021 traga muito sucesso e felicidade!!

    E que venha a vacina!!

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    1. Oi Jess, ter vc sempre me apoiando me alegra demais. Foi de fato um ano complicado mas espero que 2021 seja mais leve. Que se não vier a vacina para todos que pelo menos venha aos que maias estão tendo suas vidas ceifadas. Os do grupo de risco. Prometi a mim mesma que 2021 será de muita produção, livros lidos, filmes vistos e muito mais! Obrigada por suas palavras Feliz ano novo para gente. Beijos

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