quinta-feira, 23 de abril de 2026

Maldição da Múmia [Crítica]

 


Título no Brasil: Maldição da Múmia

Título Original: The Mummy
Ano: 2026
Direção: Lee Cronin
Roteiro: Lee Cronin
Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy
Nota: 3,5/5,0
Por Amanda Gomes


Confesso que fui assistir esperando aquele terror clássico com estética egípcia e sustos previsíveis… mas o filme vai por um caminho bem mais desconfortável, e até meio perturbador, do que eu imaginava. A história gira em torno de uma família marcada pelo desaparecimento da filha, que retorna anos depois de uma forma simplesmente aterradora: encontrada dentro de um sarcófago, com uma presença que claramente não é mais humana. E é aí que o filme me ganhou. Em vez de sair correndo pra ação, ele escolhe construir esse mistério com calma, mergulhando no luto, na negação e na dinâmica familiar. Tem um peso emocional ali que sustenta tudo, mesmo quando a narrativa começa a flertar com o absurdo.

Falando em gore: o filme não economiza. Tem cenas realmente agonizantes, daquelas que fazem você desviar o olhar por reflexo. O visual da personagem (principalmente da “Kate”) é de um desconforto absurdo, quase hipnótico de tão grotesco. Pra quem gosta de horror mais físico, mais “na carne”, é um prato cheio.

Mas nem tudo funciona tão bem assim. O roteiro explica demais. Em alguns momentos, parece que o filme não confia totalmente no espectador e sente a necessidade de detalhar toda a mitologia. Funciona até certo ponto, ajuda a entender o universo, mas também tira um pouco do mistério que poderia deixar tudo mais inquietante.

E o maior problema, pra mim, é o ritmo no final. São mais de duas horas de filme, e dá pra sentir. O último ato se arrasta, perde força e, pra piorar, a conclusão não entrega o impacto que a história vinha construindo. Fica aquela sensação de que o filme prometeu algo mais corajoso… e decidiu recuar.



Outro ponto que me incomodou foi o desempenho do Jack Reynor. Enquanto o restante do elenco sustenta bem o drama, ele parece preso em uma única expressão o tempo inteiro, o que acaba quebrando um pouco a imersão emocional em momentos importantes.
Ainda assim, quando o filme abraça o grotesco sem medo, com aquele humor ácido meio cruel e situações absurdas, ele funciona muito melhor. É nesses momentos que você entende qual era a proposta de verdade.

No fim das contas, “A Maldição da Múmia” é uma experiência meio irregular, mas interessante. Tem ideias boas, momentos realmente impactantes e uma atmosfera que incomoda na medida certa. Ao mesmo tempo, sofre por tentar ser mais do que consegue sustentar até o final. Não é um terror perfeito, mas é aquele tipo de filme que, mesmo falhando, ainda vale a experiência… principalmente se você curte um horror mais visceral e sem muito apego ao conforto.

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