Título no Brasil: Só Por Uma Noite
Título Original: One Night Only
Ano: 2026
Direção: Will Gluck
Roteiro: Will Gluck
Elenco: Monica Barbaro, Callum Turner, Maya Hawke
País EUA
Nota: 4/5
Por Amanda Gomes
Eu adoro uma boa comédia romântica. Não preciso que ela reinvente o gênero, tenha um roteiro revolucionário ou me faça questionar a existência humana. Às vezes, tudo o que eu quero é sentar no cinema, me divertir, torcer pelo casal e sair de lá com aquela sensação gostosa de ter assistido a alguma coisa leve. E “Só Por Uma Noite” entrega exatamente isso.
A premissa, inclusive, foi o que mais chamou minha atenção. Em uma versão distópica de Nova York, o governo proibiu relações sexuais fora do casamento. A única exceção é uma noite por ano, quando os solteiros recebem autorização para fazer sexo durante algumas horas.
Sim, é exatamente tão absurdo quanto parece. E talvez seja justamente por isso que funciona.
A ideia me lembrou um pouco “Uma Noite de Crime”, só que, felizmente, sem toda aquela violência. Aqui, em vez de as pessoas saírem pelas ruas para matar umas às outras, elas passam o ano inteiro esperando pela única noite em que podem finalmente se envolver sexualmente sem serem punidas pelo governo. E o mais engraçado é perceber como isso transforma a cidade inteira em um enorme caos romântico.
Tem gente desesperada procurando um pretendente, pessoas tentando encontrar o par perfeito para aquela noite, encontros que dão errado, preservativos sendo procurados em cima da hora e todo tipo de situação que parece saída de uma comédia romântica exagerada. No meio disso tudo conhecemos Allie e Owen.
Allie é uma cantora que trabalha fazendo jingles e ainda acredita que pode encontrar uma conexão verdadeira com alguém. Owen, por outro lado, é dono de uma pizzaria e acabou de ser abandonado pela namorada justamente no pior momento possível: às vésperas da única noite do ano em que ele poderia aproveitar para conhecer alguém.
Ou seja, os dois estão solteiros, carentes e procurando alguma coisa que parece cada vez mais difícil de encontrar. Obviamente, eles se encontram. E obviamente também não é simples.
O interessante é que “Só Por Uma Noite” não tem pressa para transformar os dois em um casal. Eles se aproximam, se afastam, se desencontram e acabam passando boa parte da noite tentando chegar um ao outro. É aquela estrutura clássica das comédias românticas que a gente já conhece, mas que continua funcionando quando existe química entre os protagonistas. E Monica Barbaro e Callum Turner têm química.
Os dois conseguem fazer com que até as conversas mais simples sejam divertidas. Existe uma naturalidade na relação entre Allie e Owen que faz a gente torcer para que eles fiquem juntos, mesmo sabendo praticamente desde o primeiro encontro como essa história vai terminar.
Porque vamos combinar: ninguém entra em uma comédia romântica esperando que o casal principal termine separado.
O que eu gostei é que, apesar da premissa envolver sexo, o filme não fica obcecado em transformar tudo em uma piada sexual. Aos poucos, a história passa a falar muito mais sobre a necessidade de conexão. E acho que aí está o coração do filme.
Todo mundo naquela cidade está esperando por uma noite de prazer, mas Allie e Owen parecem estar procurando alguma coisa diferente. Eles querem alguém com quem possam conversar, rir, se sentir confortáveis e, principalmente, alguém que faça com que não precisem esperar até o próximo ano para se encontrarem novamente. Existe uma crítica interessante por trás disso.
O governo controla até mesmo os relacionamentos das pessoas, e o filme brinca com a ideia de como seria viver em uma sociedade em que até a nossa intimidade fosse regulamentada. Não é uma crítica extremamente profunda e, sinceramente, acho que nem tenta ser. Ela aparece mais como pano de fundo para a história de amor.


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