domingo, 18 de outubro de 2026

Street Fighter {Crítica]

 


Título no Brasil: Street Fighter

Título Original: Street Fighter 

Ano: 2026

Direção: Kitao Sakurai 

Roteiro: Dalan Musson, Kitao Sakurai 

Elenco: Noah Centineo, Andrew Koji, Callina Liang 

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes


Adaptar videogames para o cinema nunca foi uma tarefa simples, e "Street Fighter" já sabe bem disso. Mas, nesta nova tentativa, o filme parece finalmente entender o que torna a franquia tão especial: não é preciso levar tudo a sério o tempo inteiro. Com cores vibrantes, golpes icônicos e personagens tão exagerados quanto nos jogos, a produção abraça o absurdo e transforma isso em parte da diversão.


Ambientado em 1993, o longa acompanha Ryu e Ken, antigos parceiros que seguiram caminhos diferentes após a morte de seu mestre, Gouken. Enquanto Ryu vive isolado, tentando controlar o próprio lado mais agressivo, Ken se tornou uma figura famosa, cercada de extravagância, mas escondendo suas próprias frustrações. É Chun-Li quem coloca os dois novamente no mesmo caminho ao recrutá-los para um novo torneio mundial, que acaba envolvendo conspirações e ameaças muito maiores do que eles imaginavam.


Andrew Koji e Noah Centineo funcionam bem juntos, especialmente porque seus personagens têm personalidades opostas. Ryu é mais contido e atormentado, enquanto Ken usa a arrogância e o bom humor para esconder suas inseguranças. Callina Liang também traz presença para Chun-Li, que tem sua própria motivação e não está ali apenas para acompanhar os protagonistas. A química entre o trio ajuda a sustentar a história, mesmo quando o roteiro não dá a todos os personagens o desenvolvimento que mereciam.



E, claro, as lutas são um dos grandes destaques. Os confrontos incorporam movimentos conhecidos dos jogos de um jeito que funciona na tela, sem perder a identidade exagerada da franquia. A direção de arte também acerta ao apostar em cenários coloridos, enquanto a trilha sonora e as referências à cultura dos anos 1990 ajudam a criar aquela sensação gostosa de nostalgia. Um dos detalhes mais especiais são os flashbacks em animação desenhada à mão, que remetem às adaptações animadas da época e demonstram carinho pelo material original.


Isso não significa que tudo funcione perfeitamente. O roteiro oscila entre momentos divertidos e conflitos que parecem apressados, enquanto alguns personagens acabam ficando em segundo plano. M. Bison, por exemplo, poderia ter recebido mais profundidade, considerando sua importância para a história. O humor também nem sempre acerta, e o desfecho deixa a sensação de que estamos assistindo apenas à primeira parte de algo maior, sem que a trama atual receba um encerramento tão satisfatório.


Ainda assim, "Street Fighter" entende que seu maior trunfo está em respeitar a essência dos jogos, em vez de tentar transformá-los em algo completamente diferente. É uma adaptação imperfeita, mas cheia de personalidade, que entrega boas lutas, nostalgia e momentos divertidos. Talvez não seja o filme mais bem amarrado do mundo, mas é difícil não se divertir quando ele simplesmente aceita o quanto essa franquia pode ser absurda e faz disso sua maior qualidade

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