terça-feira, 3 de novembro de 2026

Razão e Sensibilidade (2026) adaptação envolvente que tem como mérito as atuações

 


Título no Brasil: Razão e Sensibilidade

Título Original: Sense and Sensibility

Ano: 2026

Direção: Georgia Oakley

Roteiro: Diana Reid

Elenco: Daisy Edgar-Jones, Esmé Creed-Miles, Caitriona Balfe

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes


As histórias de Jane Austen continuam encontrando maneiras de conquistar o público, mesmo depois de tantas adaptações. E "Razão e Sensibilidade", de Georgia Oakley, mostra que ainda existe espaço para revisitar esses romances sem depender apenas da nostalgia das versões anteriores. Aqui, o destaque não está somente nos interesses amorosos das irmãs Dashwood, mas também na relação entre elas e nas diferentes formas de lidar com os sentimentos.


Após a morte do pai, Elinor, Marianne e Margaret precisam deixar a casa onde cresceram e começar uma nova vida ao lado da mãe. É nesse cenário que acompanhamos as irmãs tentando encontrar seu lugar em meio às limitações impostas pela sociedade e, claro, aos dilemas amorosos. Enquanto Elinor procura controlar as próprias emoções e agir com prudência, Marianne acredita que o amor precisa ser vivido intensamente, sem tantas reservas.


Daisy Edgar-Jones e Esmé Creed-Miles funcionam muito bem como as protagonistas, especialmente porque o filme não trata suas diferenças como uma disputa sobre quem está certa. Elinor precisa aprender que guardar tudo para si também tem um preço, enquanto Marianne descobre que sentir intensamente não significa necessariamente enxergar as pessoas como elas realmente são. São duas jornadas diferentes, mas que se complementam de uma maneira muito bonita.


O romance entre Elinor e Edward é, para mim, um dos grandes acertos da adaptação. Daisy Edgar-Jones e George MacKay conseguem construir uma química muito delicada, apoiada em olhares, pequenos gestos e silêncios. É aquele tipo de relacionamento em que nem sempre precisamos ouvir uma declaração para entender o que os personagens estão sentindo. Já a relação de Marianne com Willoughby não me convenceu tanto e acaba perdendo força quando comparada à construção do outro casal. Por outro lado, Herbert Nordrum surpreende como o coronel Brandon, que ganha espaço e profundidade conforme a história avança.



Visualmente, o filme também merece destaque. A direção aposta em imagens delicadas e em uma atmosfera que combina com o período, usando os cenários e os silêncios para acompanhar os sentimentos das personagens. Existe uma sensibilidade na maneira como a história é conduzida, sem precisar transformar cada momento em uma grande declaração dramática.


No fim, "Razão e Sensibilidade" é uma adaptação envolvente, que encontra seu maior mérito na relação entre as irmãs Dashwood. Mais do que contar duas histórias de amor, o filme fala sobre amadurecimento, escolhas e sobre como nem sempre precisamos sentir ou agir da mesma maneira para compreender alguém. Talvez nem todos os romances tenham a mesma força, mas acompanhar Elinor e Marianne descobrindo a si mesmas já faz essa revisita valer a pena.

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