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sábado, 29 de agosto de 2026

Muito Prazer [Crítica]

 


Título no Brasil: Muito Prazer

Ano: 2026

Direção: Jorge Furtado

Roteiro: Jorge Furtado

Elenco: Luisa Arraes, Daniel de Oliveira, Samantha Jones

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes

Acho que a melhor forma de começar essa crítica é dizendo que o filme é exatamente o que eu esperava: estranho, engraçado e um pouquinho absurdo.

A história acompanha Rubem, um motorista de aplicativo que herda um motel que acreditava estar abandonado. Quando chega ao local, ele descobre que Grace, uma antiga funcionária, está vivendo ali. Os dois acabam se tornando parceiros na tentativa de reabrir o Motel Pérola e encontrar uma forma de fazer o negócio dar certo.

Até que surge uma ideia que, olhando de fora, parece completamente absurda. Filmar os hóspedes escondido e vender os vídeos na internet. É aí que entra Nalva, uma vendedora de câmeras que acaba se tornando parte do plano e, consequentemente, do trio que conduz boa parte da história.

E eu preciso dizer: Samantha Jones foi uma das minhas maiores surpresas. Nalva tem uma energia completamente diferente dos outros personagens e, sempre que aparece, parece que o filme ganha um pouco mais de vida. Ela consegue arrancar risadas mesmo nas situações mais absurdas e tem uma presença que faz a gente querer que ela apareça mais.

sábado, 22 de agosto de 2026

Só Por Uma Noite


 Título no Brasil: Só Por Uma Noite 

Título Original: One Night Only 

Ano: 2026

Direção: Will Gluck 

Roteiro: Will Gluck 

Elenco: Monica Barbaro, Callum Turner, Maya Hawke

País EUA

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes

Eu adoro uma boa comédia romântica. Não preciso que ela reinvente o gênero, tenha um roteiro revolucionário ou me faça questionar a existência humana. Às vezes, tudo o que eu quero é sentar no cinema, me divertir, torcer pelo casal e sair de lá com aquela sensação gostosa de ter assistido a alguma coisa leve. E “Só Por Uma Noite” entrega exatamente isso.

A premissa, inclusive, foi o que mais chamou minha atenção. Em uma versão distópica de Nova York, o governo proibiu relações sexuais fora do casamento. A única exceção é uma noite por ano, quando os solteiros recebem autorização para fazer sexo durante algumas horas.

Sim, é exatamente tão absurdo quanto parece. E talvez seja justamente por isso que funciona.


A ideia me lembrou um pouco “Uma Noite de Crime”, só que, felizmente, sem toda aquela violência. Aqui, em vez de as pessoas saírem pelas ruas para matar umas às outras, elas passam o ano inteiro esperando pela única noite em que podem finalmente se envolver sexualmente sem serem punidas pelo governo. E o mais engraçado é perceber como isso transforma a cidade inteira em um enorme caos romântico.

Tem gente desesperada procurando um pretendente, pessoas tentando encontrar o par perfeito para aquela noite, encontros que dão errado, preservativos sendo procurados em cima da hora e todo tipo de situação que parece saída de uma comédia romântica exagerada. No meio disso tudo conhecemos Allie e Owen.

Allie é uma cantora que trabalha fazendo jingles e ainda acredita que pode encontrar uma conexão verdadeira com alguém. Owen, por outro lado, é dono de uma pizzaria e acabou de ser abandonado pela namorada justamente no pior momento possível: às vésperas da única noite do ano em que ele poderia aproveitar para conhecer alguém.

Ou seja, os dois estão solteiros, carentes e procurando alguma coisa que parece cada vez mais difícil de encontrar. Obviamente, eles se encontram. E obviamente também não é simples.

sábado, 15 de agosto de 2026

O Fim da Rua {Crítica ]


 Título no Brasil: O Fim da Rua

Título Original: The End Of Oak Street 

Ano: 2026

Direção: Datvid Robert Mitchell 

Roteiro: David Robert Mitchell 

Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella 

Nota: 4 /5

Por Amanda Gomes

Eu preciso começar essa crítica sendo completamente honesta: O Fim da Rua já tinha me conquistado antes mesmo de eu assistir.

Uma família vivendo em um subúrbio americano nos anos 1980 é transportada misteriosamente para um mundo cheio de dinossauros? Anne Hathaway e Ewan McGregor no elenco? Uma estética oitentista? Dinossauros perseguindo pessoas em um bairro residencial? Desculpa, mas como é que eu não ia querer assistir?

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Pequenas Criaturas


 Título no Brasil: Pequenas Criaturas 

País: Brasil

Ano: 2026

Direção: Anne Pinheiro Guimarães 

Roteiro: Anne Pinheiro Guimarães 

Elenco: Carolina Dickmann, Letícia Sabatella, Caco Ciocler

Nota: 4

Existem filmes que emocionam por causa dos grandes acontecimentos. Outros fazem exatamente o contrário: encontram beleza nas pequenas coisas. “Pequenas Criaturas” faz parte desse segundo grupo.

Confesso que entrei na sessão sem saber muito sobre o filme e fui completamente surpreendida. Não porque aconteçam reviravoltas gigantes ou cenas impactantes, mas porque ele consegue transformar momentos extremamente comuns em algo delicado e cheio de significado.

Ambientado na Brasília de 1986, pouco depois do fim da Ditadura Militar, o filme acompanha Helena, que se muda para a capital com os dois filhos enquanto o marido passa a maior parte do tempo viajando a trabalho. O que poderia ser apenas uma história sobre adaptação acaba se tornando um retrato muito bonito sobre família, solidão, amadurecimento e pertencimento.

O que mais gostei é que “Pequenas Criaturas” nunca parece ter pressa. A diretora Anne Pinheiro Guimarães parece muito mais interessada em mostrar o que acontece entre um grande acontecimento e outro. São os silêncios, os olhares, os dias quentes de férias, as conversas na piscina e os pequenos encontros entre vizinhos que realmente constroem essa história.

Talvez isso não funcione para todo mundo. É um filme contemplativo, que exige paciência e um olhar atento para os detalhes. Mas, para mim, foi justamente esse ritmo mais calmo que tornou tudo tão especial.


Carolina Dieckmann entrega uma atuação extremamente sensível. Helena é uma mulher que parece carregar um peso enorme sem conseguir colocá-lo em palavras. Ela tenta ser forte pelos filhos enquanto lida com suas próprias inseguranças e com a ausência constante do marido. É uma interpretação muito contida, mas cheia de emoção.

Ainda assim, quem realmente rouba a cena são as crianças. Théo Medon transmite muito bem todas as inseguranças da adolescência, vivendo as descobertas do primeiro amor e tentando entender as mudanças dentro da própria família.

Mas foi Lorenzo Mello quem conquistou completamente meu coração. Dudu é aquele tipo de personagem impossível de não gostar. Fascinado por Star Wars, Planeta dos Macacos, discos voadores e qualquer aventura que sua imaginação consiga inventar, ele enxerga um mundo mágico onde os adultos veem apenas rotina. Existe uma espontaneidade tão bonita na atuação dele que várias das minhas cenas favoritas acontecem simplesmente porque ele está em cena.

Acho que o filme acerta justamente ao mostrar como as crianças conseguem transformar qualquer lugar em um universo inteiro de possibilidades.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Odisseia [Crítica]

 


Título no Brasil: The Odyssey 

Título Original: A Odisseia  

Ano: 2026

País: EUA

Direção: Christopher Nolan 

Roteiro: Christopher Nolan  

Elenco: Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Zendaya 

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes

Existem alguns diretores que fazem a gente querer assistir aos filmes deles sem nem precisar saber sobre o que são. Com Christopher Nolan é exatamente assim comigo. Não importa se é ficção científica, guerra, suspense ou agora uma adaptação de um dos textos mais importantes da literatura mundial. Sempre existe aquela expectativa de que vou sair do cinema tendo vivido uma experiência, e não apenas assistido a um filme.

E foi exatamente isso que aconteceu com “A Odisseia”. Nolan consegue transformar um poema escrito há milhares de anos em algo extremamente acessível, sem perder a grandiosidade que essa história merece.

A trama acompanha Odisseu em sua longa jornada para voltar para casa depois da Guerra de Troia. Pelo caminho, ele enfrenta monstros, tempestades, deuses e inúmeros desafios, enquanto sua esposa Penélope e seu filho Telêmaco tentam manter vivo o reino de Ítaca mesmo após anos sem notícias do rei.

Como já era de se esperar, Christopher Nolan foge da narrativa linear. O filme alterna constantemente entre passado e presente, mostrando diferentes momentos da guerra e da viagem de Odisseu. Em qualquer outro diretor isso talvez pudesse ficar confuso, mas Nolan já mostrou várias vezes que domina esse tipo de estrutura, e aqui não é diferente. Aos poucos, todas as peças começam a se encaixar de uma forma muito natural.


O que mais me impressionou foi que, apesar da escala gigantesca da produção, o filme nunca parece exagerado. Claro que existem cenas enormes, batalhas épicas e criaturas mitológicas impressionantes, mas nada parece estar ali apenas para mostrar orçamento. Existe um equilíbrio muito bonito entre o espetáculo visual e a parte mais humana da história. No fim das contas, “A Odisseia” não é sobre monstros ou deuses. É sobre culpa, saudade, família e sobre tudo aquilo que carregamos durante a vida.

A Divina Sarah Bernhardt [Crítica]

 


Título no Brasil: A Divina Sarah Bernhardt 

Título Original: Sarah Bernhardt, La Divine 

País: França

Ano: 2026

Direção: Guillaume Nicloux 

Roteiro: Nathalie Leuthreau  

Elenco: Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte, Amira Casar 

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes

Confesso que entrei na sessão de “A Divina Sarah Bernhardt” sem conhecer quase nada sobre a mulher que inspirou o filme. E talvez essa tenha sido uma das melhores partes da experiência: sair do cinema com a sensação de ter conhecido uma personalidade fascinante que eu provavelmente jamais teria pesquisado por conta própria.

O filme acompanha Sarah Bernhardt, uma das maiores atrizes da história do teatro e considerada por muitos a primeira celebridade mundial. Mas, mais do que mostrar sua carreira brilhante, a história tenta apresentar quem existia por trás da figura pública: uma mulher intensa, livre, extravagante e completamente determinada a viver da forma que acreditava.

O que mais me chamou atenção foi perceber como Sarah parecia estar muitos anos à frente do seu tempo. Em uma época em que as mulheres ainda precisavam seguir uma série de regras impostas pela sociedade, ela fazia exatamente o contrário. Amava quem queria, administrava a própria carreira, desafiava convenções e parecia nunca pedir desculpas por ocupar espaço.

Ao mesmo tempo, gostei do fato de o filme não transformá-la em uma personagem perfeita. Ele mostra suas fragilidades, seus relacionamentos conturbados e os momentos em que até uma mulher tão admirada quanto ela precisava lidar com inseguranças e perdas. Isso faz com que Sarah deixe de ser apenas uma figura histórica e se torne alguém muito mais humana.

domingo, 21 de junho de 2026

Toy Story 5 {Crítica}


 Título no Brasil: Toy Story 5

Título Original: Toy Story

Ano: 2026

Direção:  Andrew Stanton, McKenna Harris

Elenco: Marco Ribeiro, Tom Hanks, Guilherme Briggs

Nota: 5/5

Por Amanda Gomes

Eu estava muito ansiosa para assistir a Toy Story 5. Parte disso vem do meu amor pela franquia, que acompanha toda a minha vida. Mas confesso que outro motivo pesou bastante: o anúncio de que Taylor Swift estaria na trilha sonora. Como fã, isso foi suficiente para aumentar ainda mais minha curiosidade sobre um filme que, sinceramente, eu nem sabia se precisava existir.

Porque vamos combinar: quando anunciaram um quinto Toy Story, a primeira reação de muita gente foi levantar uma sobrancelha. Afinal, Toy Story 3 parecia ter encerrado a história de forma perfeita, e o quarto filme já havia dividido opiniões. Então era impossível não pensar que talvez a Pixar estivesse apenas apostando em uma fórmula segura para continuar lucrando com uma das franquias mais amadas da animação.

Mas a verdade é que, depois de assistir ao filme, essa preocupação ficou em segundo plano. “Toy Story 5” consegue algo que parecia improvável: justificar sua própria existência.

Desta vez, a história coloca Jessie no centro da narrativa, enquanto Woody e Buzz assumem papéis mais secundários. Foi uma mudança que gostei bastante. Jessie sempre foi uma personagem carismática e cheia de personalidade, mas raramente teve o mesmo espaço que os protagonistas clássicos. Aqui ela finalmente brilha.

sábado, 13 de junho de 2026

O afinador [Crítica]

 


Título no Brasil: O Afinador

Título Original: Tuner 

País EUA

Ano: 2026

Direção:  Daniel Roher 

Roteirista: Daniel Roher, Robert Ramsey  

Elenco: Leo Woodall, Dustin Hoffman, Havana Rose Liu  

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes

Existe um tipo de filme que dificilmente vira fenômeno de bilheteria, mas que encontra seu público justamente por apostar em histórias menores, mais intimistas e guiadas pelos personagens. “O Afinador” é exatamente esse tipo de obra.

A trama acompanha Niki, um jovem afinador de pianos que possui ouvido absoluto, mas vive com hiperacusia, uma condição que torna sons altos dolorosos e transforma o simples ato de atravessar uma rua movimentada em um desafio diário.

Depois de ver o sonho de seguir carreira como pianista ruir por causa dessa sensibilidade extrema, Niki encontra uma nova forma de usar seu talento: criminosos descobrem que sua audição excepcional pode ajudá-los a abrir cofres com precisão quase cirúrgica. O que começa como uma solução para problemas financeiros rapidamente o coloca em uma espiral de dilemas morais, colocando em risco sua segurança, seu relacionamento com Ruthie e a relação com Harry, seu mentor e figura paterna.

O que mais me chamou atenção em “O Afinador” foi a forma como o filme utiliza o som para contar a história. A sonoplastia deixa de ser apenas um elemento técnico e se transforma em parte da experiência emocional do espectador. Os ruídos caóticos das ruas, o silêncio quase sufocante durante os assaltos e a maneira como somos colocados dentro da percepção de Niki ajudam a construir uma tensão constante sem a necessidade de grandes explosões ou reviravoltas mirabolantes.


Leo Woodall entrega uma atuação bastante contida, mas muito eficiente. É fácil entender a frustração de alguém que teve seu maior talento transformado justamente naquilo que o afastou do futuro que imaginava para si. Dustin Hoffman, mesmo com menos tempo de tela, traz carisma e afeto ao papel de mentor, enquanto Havana Rose Liu contribui para que o protagonista tenha uma dimensão mais humana para além do suspense.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Dia D [Crítica ]


 Título no Brasil: Dia D

Título Original: Disclosure Day 

Ano: 2026

Direção: Steven Spielberg 

Roteirista: David Koepp  

Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth 

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes


Steven Spielberg voltando à ficção científica é sempre um acontecimento. Mesmo para quem não acompanha toda a filmografia do diretor de forma obsessiva, existe aquela expectativa inevitável de reencontrar um pouco da magia de filmes como “E.T”. ou “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”. 

A trama acompanha personagens que acabam envolvidos em uma conspiração ligada à existência de vida extraterrestre e à tentativa de impedir que certas informações cheguem ao público. Entre perseguições, segredos governamentais e acontecimentos inexplicáveis, Spielberg constrói uma história que mistura suspense, ficção científica e aventura, sempre colocando as emoções humanas no centro da narrativa.

O grande destaque do filme é Emily Blunt. Sua Margaret, uma apresentadora da previsão do tempo que passa a experimentar fenômenos que desafiam qualquer lógica, é de longe a personagem mais interessante da história. A atriz consegue equilibrar humor, vulnerabilidade e estranhamento com muita naturalidade, trazendo humanidade até para os momentos mais absurdos do roteiro. Josh O'Connor também funciona bem como um dos protagonistas, enquanto Colin Firth entrega um antagonista eficiente, embora pouco memorável.

O problema é que “Dia D” parece dividido entre dois filmes diferentes. De um lado, existe uma ficção científica intrigante sobre empatia, comunicação e o impacto que uma revelação dessa magnitude teria sobre a humanidade. Do outro, há um suspense de ação cheio de perseguições, fugas improváveis e sequências que lembram franquias como “Missão: Impossível”. Nem sempre essas duas propostas conversam tão bem entre si.




Spielberg continua sendo um diretor extremamente habilidoso. O filme é visualmente elegante, mantém um bom ritmo e consegue despertar curiosidade sobre seus mistérios. A trilha sonora, mais uma vez, ajuda a amplificar a emoção de determinadas cenas, e há momentos que resgatam aquele olhar otimista e quase infantil que marcou tantos de seus clássicos.

Ainda assim, saí da sessão com uma sensação curiosa: gostei do filme mais do que desgostei dele, mas esperava me sentir mais impactada. “Dia D” é envolvente, sincero e até emocionante em alguns momentos, mas parece hesitar justamente quando poderia ir mais fundo nas consequências de sua própria premissa. Quando finalmente chega a hora das grandes respostas, a resolução soa menos grandiosa do que a expectativa construída ao longo do caminho.

No fim das contas, Dia D está longe de ser um dos melhores filmes da carreira de Spielberg, mas também passa longe de ser uma decepção completa. É uma ficção científica feita com coração, interessada nas pessoas antes dos efeitos especiais e que ainda acredita que o desconhecido pode despertar esperança em vez de medo. Talvez não seja um novo clássico, mas é o tipo de filme que nos lembra por que Spielberg continua sendo uma das vozes mais importantes do cinema: porque, mesmo quando não acerta completamente, ele nunca perde a capacidade de nos fazer olhar para o céu e imaginar que existe algo maior lá fora.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Todo Mundo em Pânico 6

 


Título no Brasil: Todo Mundo em Pânico 6

Título Original: Scary Movie

País: EUA

Ano: 2026

Direção: Michael Tiddes 

Roteirista: Shawn Wayans, Marlon Wayans 

Elenco: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris 

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes


Confesso que nunca fui uma grande fã de “Todo Mundo em Pânico”. Assisti aos dois primeiros filmes quando era mais nova, vi alguns filmes soltos da franquia original e, como boa parte das pessoas da minha geração, cresci cercada pelas referências, memes e cenas que acabaram entrando para a cultura pop. Também preciso admitir que esse tipo de humor escrachado nunca foi exatamente o meu favorito. Ainda assim, sempre enxerguei um charme especial nos primeiros filmes, que conseguiam misturar sátira, absurdo e comentários sobre o cinema de terror de uma forma divertida.

Por isso, fui assistir a “Todo Mundo em Pânico 6” sem grandes expectativas. Depois de treze anos sem um novo capítulo da franquia, a principal dúvida era se ainda existia espaço para esse tipo de comédia em uma época em que as referências surgem e envelhecem na velocidade das redes sociais. A resposta é: sim, mas com algumas ressalvas.

O novo filme aposta fortemente na nostalgia. O retorno de personagens clássicos e dos irmãos Wayans ajuda a recuperar parte da identidade que muitos fãs sentiam falta desde os primeiros longas. Existe uma clara tentativa de lembrar ao público por que a franquia fez tanto sucesso nos anos 2000, e em alguns momentos isso realmente funciona.



As melhores piadas surgem quando o roteiro brinca com os clichês dos filmes de terror de forma mais ampla, em vez de apenas recriar cenas famosas. Há boas piadas envolvendo franquias conhecidas, situações absurdas e até algumas críticas ao próprio estado atual de Hollywood, especialmente à obsessão por continuações, reboots e personagens clássicos retornando décadas depois.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Mestres do Universo

 


Título no Brasil: Mestres do Universo

Título Original: Masters Of The Universe

Ano: 2026

Direção: Travis Knight 

Roteirista: Chris Butler 

Elenco: Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Alison Brie

Nota: 4/5

País; EUA

Por Amanda Gomes

Eu nunca assisti ao desenho original de He-Man. Minha referência ao personagem sempre foi mais visual: o herói musculoso de cabelo loiro. Por isso, entrei na sessão de “Mestres do Universo” sem a bagagem nostálgica que muitos espectadores provavelmente carregam. E talvez tenha sido justamente isso que tornou a experiência tão interessante.

O filme não tenta se transformar em algo mais sério ou complexo do que realmente é. Pelo contrário: abraça seu lado extravagante, divertido e até um pouco brega, e isso funciona muito bem. 

Nicholas Galitzine entrega um Adam carismático e humano, distante daquela imagem de herói perfeito e inalcançável. Antes de se tornar He-Man, ele é um jovem cheio de dúvidas e inseguranças, o que torna sua jornada mais fácil de acompanhar. O elenco de apoio também cumpre bem seu papel, especialmente Camila Mendes como Teela, que ganha espaço próprio na narrativa e não existe apenas para orbitar o protagonista.


Visualmente, o filme abraça a fantasia sem vergonha. O Esqueleto, interpretado por Jared Leto, surge exatamente como um vilão clássico deve ser: exagerado, ameaçador e divertido. Eternia parece saída diretamente de uma animação dos anos 80, mas com a tecnologia que uma superprodução atual permite.

A produção também tem senso de humor suficiente para rir de si mesma. Algumas das melhores cenas acontecem justamente quando o filme reconhece o quão absurda sua própria proposta pode parecer. E sim, há uma referência ao famoso meme envolvendo He-Man que arrancou risadas da sessão inteira.

Nem tudo funciona perfeitamente. Em alguns momentos, a história segue uma fórmula muito conhecida de filmes de origem de heróis, o que tira um pouco do impacto da narrativa. Ainda assim, o carisma dos personagens e o tom leve compensam boa parte dessas escolhas.

No fim, “Mestres do Universo” não tenta mudar o cinema nem reinventar o gênero. É uma aventura divertida, visualmente caprichada e consciente de sua própria identidade. Para quem, como eu, não cresceu assistindo ao desenho, o filme funciona como uma boa porta de entrada para esse universo. E para quem tem uma ligação afetiva com He-Man, provavelmente será uma viagem ainda mais especial.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Backrooms - Um Não-Lugar

 


Título no Brasil: Backrooms - Um Não-Lugar

Título Original: Backrooms

País; EUA

Ano: 2026

Direção: Kane Parsons 

Roteirista: Roberto Patino 

Elenco: Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass 

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes

Existe algo profundamente desconfortável em lugares que parecem familiares demais. Aqueles corredores infinitos de escritório, iluminados por lâmpadas fluorescentes cansadas, onde o silêncio parece ter peso e o ar parece preso no tempo. “Backrooms: Um Não-Lugar” entende perfeitamente esse medo moderno e transforma uma creepypasta da internet em um dos filmes de terror mais inquietantes do ano.

Mesmo sem ser alguém mergulhada no universo de fóruns, analog horror ou teorias infinitas da internet, o filme funciona justamente porque acessa um tipo de ansiedade muito universal: a sensação de estar perdido em espaços que deveriam ser normais. E talvez seja isso que torne tudo tão assustador.