Título no Brasil : A Filha
Autora : Jane Shemilt
Editora Harper Collins Brasil
Número de págs: 318
O que me levou a passar a leitura desse livro à frente de outros foi o tema, mesmo que não sendo baseado em fatos reais já relatei aqui diversos casos - em filmes e livros -de crianças e adolescentes que somem.
Jenny é mãe de 3 filhos, Naomi , a adolescente , e dois meninos gêmeos mais novos . A mais velha está na fase de não contar tudo à mãe, faz aulas de teatro e de uns tempos para cá mal conversa com seus pais, que aliás trabalham muito. A mãe, médica, tenta como pode dar atenção à filha mas ela parece preocupada com outras coisas, antes de ir ao teatro avisa que sairá para jantar com amigos, a mãe estipula um horário, como toda adolescente ela acha que é pouco e pede mais tempo. Chegam a um consenso e ela sai.
O que Jenny não sabe mas nós sabemos pela sinopse é que ela sairia de casa naquele ano de 2009 e não voltaria mais, o que a mãe sabe? Ela descobre que pouco...ao conversar com a melhor amiga sabe que a filha andou mentindo, ao esperar que a mãe da amiga seja complacente com sua dor pela filha desaparecida se desaponta . Todos parecem não se importar tanto quanto ela...e será que alguém ama mais uma filha do que a própria mãe? Jenny parece achar que o mundo não entende a dor de sua perda. Nem mesmo seu marido e os filhos ficam em segundo plano sem que ela perceba que sua vida se divide em antes e depois do sumiço de Naomi.
O que me ganhou na história foi o como vamos indo e vindo na história mas não antes dos acontecimentos mas antes das verdades e depois. O quanto o sumiço de Naomi pode contribuir para que algumas mentiras sejam descobertas? E será que era somente ela que escondia algo?
Se por um lado a autora nos coloca diante da dor de uma mãe por outro ao nos apresentar a verdade nos impõe um momento de julgamento do como mexemos com a vida de outra pessoa por nossas atitudes. Existe culpa para os pais? Até onde eles poderiam ter ido para evitar o sumiço de Naomi? E o final surpreendente nos faz repensar os conceitos que temos sobre a relação entre pais e filhos e tudo que envolve uma família.
Imaginei que a história enveredaria para um lado que ela não foi e nem por isso me desapontei, gostei da personalidade forte de Jenny, a mãe sofredora que ama mais a filha do que a si mesma. Esse livro foi uma grata surpresa.
