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sábado, 7 de março de 2015

Menina que ia ao Teatro : Fazendo História [Crítica]

Título Original: History Boys
Título no Brasil : Fazendo História
Autor : Alan Bennet
Teatro Gláucio Gill - Copacabana
Ingressos : R$ 30 ( R$ 15 para estudantes e idosos)
De Quinta a Domingo as 20 h 
Duração : 2 h e 10 minutos
Elenco : Mouhamed Harfouch, Xando Graça, Nedira Campos, Edmundo Lippi, André Arteche, Renato Goés, Hugo Kerth, Rafael Canedo e mais


Sinto saudades quando fico muito tempo sem ir ao teatro. Perto de minha casa o Teatro Gláucio Gill é sempre uma ótima opção para ver peças bem mais em conta por ter subsídio do governo. 
Fazendo História é a adaptação para o Brasil de History Boys do autor e escritor  britânico Alan Bennet. Para quem não o conhece, ele é  autor de muitas histórias bacanas mas pouco conhecidas no Brasil, já ganhou vários prêmios e ainda escreve para nossa alegria aos mais de 80 anos de idade. Fico feliz quando vejo uma peça dessa qualidade em nossos teatros. Apesar de negar que seja autobiográfico Alan descreve com perfeição o dia a dia de uma escola britânica, do fim do que é o nosso ensino médio, 8 alunos estão prestes a se despedir da escola e irem para faculdade, o sonho de todos - ou pelo menos do ranking escolar - é que passem para Cambridge ou Oxford. 

Hector ( Xando Graça, excepcional no papel) é o professor mais velho que tem tara pelos meninos e que aproveita da situação ao dar carona a eles até suas casas. Os alunos agem com normalidade, aceitam  a carona e riem das aulas com o professor bonachão que não está nem aí se eles passarão na faculdade ou não . Suas aulas são regadas de muitas música - inclusive em francês, e vibrei ouvindo músicas cantadas pela diva Piaf - e desafios de cenas de filme. Nada a ver com sua matéria, mas eles não se importam. 
O destaque dessas cenas é Posner ( Hugo Kerth , valendo muitas palmas pela atuação)  , um rapaz judeu e homossexual que luta contra seus sentimentos por Dakin ( Renato Góes) o gostosão da turma. Em suas canções e cenas impossível não se impressionar com o talento desse rapaz. 
Os outros sete também fazem bonito, mas Scripps ( Andre Arteche) é o único que toca piano, o que por razões óbvias me chamou atenção, apesar de ter sofrido um pouco com as notas extremamente desafinadas. No final o resultado não é dos piores e leiga plateia mal percebe. Seria injusto lembrar do ator somente pelo piano desafinado, a atuação dele também é digna de aplausos,  e como há muito tempo não via...quem não é? Roteiro inteligente, atores em sintonia, fazer crítica assim é fácil.
Enquanto os alunos tem suas aulas recreativas com Hector chega na escola um novo professor : Irwin ( Mouhamed Harfouch, gente, em pensar que estudei com ele no ensino médio, muito legal ver o como o rapaz tem talento e arrasa!).  Com o intuito de fazê-los passar nas bancas examinadoras das sinistras faculdades o professor a princípio os assusta, mas depois ele mesmo que se vê em uma situação com um dos rapazes no mínimo inusitada para seus critérios politicamente corretos, e deixo para vocês descobrirem o que ocorre.
Entre filmes que marcaram gerações, músicas lindas e autores que quem ama livros como nós vai amar vê-los citados, a peça ainda tem como qualidade nos fazer rir com cenas engraçadas e a altura da inteligência do autor.
Não sou profunda conhecedora de Bennet mas o pouco que vi/ li já posso afirmar que ele arrasa.
Com um elenco composto por 12 atores - somente uma mulher em cena, Nedira Campos faz Dorothy, a professora meio chatinha mas que as vezes diverte- a peça não precisa de cenários mirabolantes para dizer ao que veio. Excelente é pouco.