Título no Brasil: Toy Story 5
Título Original: Toy Story 5
Ano: 2026
Direção: Andrew Stanton, McKenna Harris
Elenco: Marco Ribeiro, Tom Hanks, Guilherme Briggs
Nota: 5/5
Por Amanda Gomes
Eu estava muito ansiosa para assistir a Toy Story 5. Parte disso vem do meu amor pela franquia, que acompanha toda a minha vida. Mas confesso que outro motivo pesou bastante: o anúncio de que Taylor Swift estaria na trilha sonora. Como fã, isso foi suficiente para aumentar ainda mais minha curiosidade sobre um filme que, sinceramente, eu nem sabia se precisava existir.
Porque vamos combinar: quando anunciaram um quinto Toy Story, a primeira reação de muita gente foi levantar uma sobrancelha. Afinal, Toy Story 3 parecia ter encerrado a história de forma perfeita, e o quarto filme já havia dividido opiniões. Então era impossível não pensar que talvez a Pixar estivesse apenas apostando em uma fórmula segura para continuar lucrando com uma das franquias mais amadas da animação.
Mas a verdade é que, depois de assistir ao filme, essa preocupação ficou em segundo plano. “Toy Story 5” consegue algo que parecia improvável: justificar sua própria existência.
Desta vez, a história coloca Jessie no centro da narrativa, enquanto Woody e Buzz assumem papéis mais secundários. Foi uma mudança que gostei bastante. Jessie sempre foi uma personagem carismática e cheia de personalidade, mas raramente teve o mesmo espaço que os protagonistas clássicos. Aqui ela finalmente brilha.
O grande tema do filme é a relação das crianças com a tecnologia. Bonnie continua sendo a dona dos brinquedos, mas agora enfrenta dificuldades para se conectar com outras crianças em um mundo cada vez mais dominado por telas. Quando ela ganha um tablet chamado Lilypad, os brinquedos passam a enxergar aquele novo objeto como uma ameaça ao espaço que ocupavam em sua vida.
O que mais me surpreendeu foi que o filme não cai na armadilha de demonizar a tecnologia. Em um primeiro momento, parece que a história seguirá por esse caminho, mas logo percebemos que a proposta é mais madura. O problema não é a existência das telas, mas a forma como elas são utilizadas e o quanto podem substituir experiências importantes quando não há equilíbrio. E talvez seja justamente por isso que “Toy Story 5” funcione tão bem.
Assim como os primeiros filmes falavam sobre amadurecimento, despedidas e mudanças, este aborda um tema extremamente atual sem perder a essência da franquia. Continua sendo uma história sobre pertencimento, amizade e sobre o medo de ser deixado para trás. Ao mesmo tempo, a Pixar continua fazendo aquilo que sabe fazer melhor: emocionar.
Eu ri muito durante a sessão. Existem momentos genuinamente engraçados, daqueles que arrancam gargalhadas do cinema inteiro. Mas também existem cenas que trazem aquela famosa sensação de “caroço na garganta”. A Pixar tem uma habilidade quase irritante de nos fazer rir e chorar no intervalo de poucos minutos, e aqui isso acontece diversas vezes.
Visualmente, o filme é lindo. A animação impressiona até nos pequenos detalhes, mostrando o quanto a tecnologia evoluiu desde aquele primeiro Toy Story lançado há mais de trinta anos. Mas, curiosamente, o coração da história continua exatamente o mesmo. Talvez o que mais tenha mexido comigo seja a mensagem final.
Enquanto Toy Story 3 falava sobre deixar ir, Toy Story 5 parece falar sobre legado. Sobre como as brincadeiras, os brinquedos e as memórias da infância continuam vivendo dentro de nós muito depois de crescermos. Não importa se hoje passamos mais tempo diante de telas, trabalhando ou lidando com responsabilidades adultas. Aquela criança ainda existe em algum lugar.
E acho que foi nesse momento que percebi por que essa franquia continua funcionando tão bem. Não é sobre brinquedos. Nunca foi. É sobre nós.
“Toy Story 5” talvez não alcance o impacto emocional gigantesco de Toy Story 3, mas entrega algo igualmente valioso: uma história sincera, divertida e surpreendentemente atual. E, ao contrário do que eu pensava antes de entrar na sessão, saí do cinema sentindo que esse quinto capítulo realmente tinha algo a dizer.
Ninguém estava pedindo por Toy Story 5. Depois de assistir, porém, fica difícil imaginar que ele não deveria existir.

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