sexta-feira, 5 de junho de 2026

100 noites de desejo - uma história sobre pertencimento e luta! Amei!

 


(100 Nights of Hero, GBR, 2025)
Gênero: Fantasia
  • Direção: Julia Jackman
  • Roteiro: Julia Jackman
  • Elenco: Emma Corrin, Nicholas Galitzine, Maika Monroe, Charli XCX, Richard E. Grant, Felicity Jones
  • Duração: 91 minutos

Todo Mundo em Pânico 6

 


Título no Brasil: Todo Mundo em Pânico 6

Título Original: Scary Movie

País: EUA

Ano: 2026

Direção: Michael Tiddes 

Roteirista: Shawn Wayans, Marlon Wayans 

Elenco: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris 

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes


Confesso que nunca fui uma grande fã de “Todo Mundo em Pânico”. Assisti aos dois primeiros filmes quando era mais nova, vi alguns filmes soltos da franquia original e, como boa parte das pessoas da minha geração, cresci cercada pelas referências, memes e cenas que acabaram entrando para a cultura pop. Também preciso admitir que esse tipo de humor escrachado nunca foi exatamente o meu favorito. Ainda assim, sempre enxerguei um charme especial nos primeiros filmes, que conseguiam misturar sátira, absurdo e comentários sobre o cinema de terror de uma forma divertida.

Por isso, fui assistir a “Todo Mundo em Pânico 6” sem grandes expectativas. Depois de treze anos sem um novo capítulo da franquia, a principal dúvida era se ainda existia espaço para esse tipo de comédia em uma época em que as referências surgem e envelhecem na velocidade das redes sociais. A resposta é: sim, mas com algumas ressalvas.

O novo filme aposta fortemente na nostalgia. O retorno de personagens clássicos e dos irmãos Wayans ajuda a recuperar parte da identidade que muitos fãs sentiam falta desde os primeiros longas. Existe uma clara tentativa de lembrar ao público por que a franquia fez tanto sucesso nos anos 2000, e em alguns momentos isso realmente funciona.



As melhores piadas surgem quando o roteiro brinca com os clichês dos filmes de terror de forma mais ampla, em vez de apenas recriar cenas famosas. Há boas piadas envolvendo franquias conhecidas, situações absurdas e até algumas críticas ao próprio estado atual de Hollywood, especialmente à obsessão por continuações, reboots e personagens clássicos retornando décadas depois.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Mestres do Universo

 


Título no Brasil: Mestres do Universo

Título Original: Masters Of The Universe

Ano: 2026

Direção: Travis Knight 

Roteirista: Chris Butler 

Elenco: Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Alison Brie

Nota: 4/5

País; EUA

Por Amanda Gomes

Eu nunca assisti ao desenho original de He-Man. Minha referência ao personagem sempre foi mais visual: o herói musculoso de cabelo loiro. Por isso, entrei na sessão de “Mestres do Universo” sem a bagagem nostálgica que muitos espectadores provavelmente carregam. E talvez tenha sido justamente isso que tornou a experiência tão interessante.

O filme não tenta se transformar em algo mais sério ou complexo do que realmente é. Pelo contrário: abraça seu lado extravagante, divertido e até um pouco brega, e isso funciona muito bem. 

Nicholas Galitzine entrega um Adam carismático e humano, distante daquela imagem de herói perfeito e inalcançável. Antes de se tornar He-Man, ele é um jovem cheio de dúvidas e inseguranças, o que torna sua jornada mais fácil de acompanhar. O elenco de apoio também cumpre bem seu papel, especialmente Camila Mendes como Teela, que ganha espaço próprio na narrativa e não existe apenas para orbitar o protagonista.


Visualmente, o filme abraça a fantasia sem vergonha. O Esqueleto, interpretado por Jared Leto, surge exatamente como um vilão clássico deve ser: exagerado, ameaçador e divertido. Eternia parece saída diretamente de uma animação dos anos 80, mas com a tecnologia que uma superprodução atual permite.

A produção também tem senso de humor suficiente para rir de si mesma. Algumas das melhores cenas acontecem justamente quando o filme reconhece o quão absurda sua própria proposta pode parecer. E sim, há uma referência ao famoso meme envolvendo He-Man que arrancou risadas da sessão inteira.

Nem tudo funciona perfeitamente. Em alguns momentos, a história segue uma fórmula muito conhecida de filmes de origem de heróis, o que tira um pouco do impacto da narrativa. Ainda assim, o carisma dos personagens e o tom leve compensam boa parte dessas escolhas.

No fim, “Mestres do Universo” não tenta mudar o cinema nem reinventar o gênero. É uma aventura divertida, visualmente caprichada e consciente de sua própria identidade. Para quem, como eu, não cresceu assistindo ao desenho, o filme funciona como uma boa porta de entrada para esse universo. E para quem tem uma ligação afetiva com He-Man, provavelmente será uma viagem ainda mais especial.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Backrooms - Um Não-Lugar

 


Título no Brasil: Backrooms - Um Não-Lugar

Título Original: Backrooms

País; EUA

Ano: 2026

Direção: Kane Parsons 

Roteirista: Roberto Patino 

Elenco: Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass 

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes

Existe algo profundamente desconfortável em lugares que parecem familiares demais. Aqueles corredores infinitos de escritório, iluminados por lâmpadas fluorescentes cansadas, onde o silêncio parece ter peso e o ar parece preso no tempo. “Backrooms: Um Não-Lugar” entende perfeitamente esse medo moderno e transforma uma creepypasta da internet em um dos filmes de terror mais inquietantes do ano.

Mesmo sem ser alguém mergulhada no universo de fóruns, analog horror ou teorias infinitas da internet, o filme funciona justamente porque acessa um tipo de ansiedade muito universal: a sensação de estar perdido em espaços que deveriam ser normais. E talvez seja isso que torne tudo tão assustador.

Copan [Crítica]

 


Título no Brasil: Copan

Ano: 2026

Direção: Carine Wallauer 

Nota: 3,5/5,0

Direção e Roteiro | Carine Wallauer
Produção | Viviane Mendonça, Camilo Cavalcanti, Nabil Bellahsene, Justin Pechberty, Damien Megherbi
Fotografia | Carine Wallauer
Montagem | Eva Randolph
Som | Juliana Santana, Fred França
Desenho de Som | Waldir Xavier
Trilha sonora original | DJ KL Jay, DJ Will, DJ Kalfani
Gênero | Documentário
Duração | 98 minutos
País e ano de produção | Brasil / França, 2025
Empresa produtora | O PAR
Distribuição | Vitrine Filmes

Mesmo quem nunca entrou no Copana reconhece instantaneamente suas curvas gigantescas desenhadas por Oscar Niemeyer no meio da cidade. Mas o documentário Copan, dirigido por Carine Wallauer, entende que a grandiosidade do edifício vai muito além da arquitetura. O que realmente impressiona ali são as pessoas.

Ao invés de transformar o Copan em apenas um cartão-postal paulistano cheio de informações históricas e entrevistas explicativas, Wallauer escolhe um caminho muito mais íntimo e observacional. A câmera simplesmente acompanha o cotidiano do prédio: moradores entrando e saindo, funcionários trabalhando, assembleias caóticas, discussões políticas, silêncios, corredores infinitos e pequenas situações que parecem banais à primeira vista, mas que dizem muito sobre convivência, cidade e humanidade 

Existe algo quase hipnotizante na maneira como o documentário observa aquele espaço. E acho que isso funciona tão bem porque Carine Wallauer não olha para o Copan como alguém de fora. A diretora morou no edifício durante sete anos, e essa proximidade fica evidente em cada cena. O filme nunca parece invasivo ou turístico. Existe carinho, curiosidade e até certa melancolia naquele olhar.


O mais fascinante é perceber como o prédio realmente funciona como uma pequena versão do Brasil. São mais de cinco mil moradores vivendo em realidades completamente diferentes dentro do mesmo bloco de concreto. Gente rica, estudantes, idosos, artistas, trabalhadores, porteiros, comerciantes, famílias inteiras e pessoas solitárias dividindo corredores, elevadores e tensões diárias. O documentário captura isso de maneira extremamente humana.