Título no Brasil: CopanAno: 2026
Direção: Carine Wallauer
Nota: 3,5/5,0
Direção e Roteiro | Carine Wallauer
Produção | Viviane Mendonça, Camilo Cavalcanti, Nabil Bellahsene, Justin Pechberty, Damien Megherbi
Fotografia | Carine Wallauer
Montagem | Eva Randolph
Som | Juliana Santana, Fred França
Desenho de Som | Waldir Xavier
Trilha sonora original | DJ KL Jay, DJ Will, DJ Kalfani
Gênero | Documentário
Duração | 98 minutos
País e ano de produção | Brasil / França, 2025
Empresa produtora | O PAR
Distribuição | Vitrine Filmes
Mesmo quem nunca entrou no Copana reconhece instantaneamente suas curvas gigantescas desenhadas por Oscar Niemeyer no meio da cidade. Mas o documentário Copan, dirigido por Carine Wallauer, entende que a grandiosidade do edifício vai muito além da arquitetura. O que realmente impressiona ali são as pessoas.
Ao invés de transformar o Copan em apenas um cartão-postal paulistano cheio de informações históricas e entrevistas explicativas, Wallauer escolhe um caminho muito mais íntimo e observacional. A câmera simplesmente acompanha o cotidiano do prédio: moradores entrando e saindo, funcionários trabalhando, assembleias caóticas, discussões políticas, silêncios, corredores infinitos e pequenas situações que parecem banais à primeira vista, mas que dizem muito sobre convivência, cidade e humanidade
Existe algo quase hipnotizante na maneira como o documentário observa aquele espaço. E acho que isso funciona tão bem porque Carine Wallauer não olha para o Copan como alguém de fora. A diretora morou no edifício durante sete anos, e essa proximidade fica evidente em cada cena. O filme nunca parece invasivo ou turístico. Existe carinho, curiosidade e até certa melancolia naquele olhar.
O mais fascinante é perceber como o prédio realmente funciona como uma pequena versão do Brasil. São mais de cinco mil moradores vivendo em realidades completamente diferentes dentro do mesmo bloco de concreto. Gente rica, estudantes, idosos, artistas, trabalhadores, porteiros, comerciantes, famílias inteiras e pessoas solitárias dividindo corredores, elevadores e tensões diárias. O documentário captura isso de maneira extremamente humana.