terça-feira, 4 de agosto de 2026

Pequenas Criaturas


 Título no Brasil: Pequenas Criaturas 

País: Brasil

Ano: 2026

Direção: Anne Pinheiro Guimarães 

Roteiro: Anne Pinheiro Guimarães 

Elenco: Carolina Dickmann, Letícia Sabatella, Caco Ciocler

Nota: 4

Existem filmes que emocionam por causa dos grandes acontecimentos. Outros fazem exatamente o contrário: encontram beleza nas pequenas coisas. “Pequenas Criaturas” faz parte desse segundo grupo.

Confesso que entrei na sessão sem saber muito sobre o filme e fui completamente surpreendida. Não porque aconteçam reviravoltas gigantes ou cenas impactantes, mas porque ele consegue transformar momentos extremamente comuns em algo delicado e cheio de significado.

Ambientado na Brasília de 1986, pouco depois do fim da Ditadura Militar, o filme acompanha Helena, que se muda para a capital com os dois filhos enquanto o marido passa a maior parte do tempo viajando a trabalho. O que poderia ser apenas uma história sobre adaptação acaba se tornando um retrato muito bonito sobre família, solidão, amadurecimento e pertencimento.

O que mais gostei é que “Pequenas Criaturas” nunca parece ter pressa. A diretora Anne Pinheiro Guimarães parece muito mais interessada em mostrar o que acontece entre um grande acontecimento e outro. São os silêncios, os olhares, os dias quentes de férias, as conversas na piscina e os pequenos encontros entre vizinhos que realmente constroem essa história.

Talvez isso não funcione para todo mundo. É um filme contemplativo, que exige paciência e um olhar atento para os detalhes. Mas, para mim, foi justamente esse ritmo mais calmo que tornou tudo tão especial.


Carolina Dieckmann entrega uma atuação extremamente sensível. Helena é uma mulher que parece carregar um peso enorme sem conseguir colocá-lo em palavras. Ela tenta ser forte pelos filhos enquanto lida com suas próprias inseguranças e com a ausência constante do marido. É uma interpretação muito contida, mas cheia de emoção.

Ainda assim, quem realmente rouba a cena são as crianças. Théo Medon transmite muito bem todas as inseguranças da adolescência, vivendo as descobertas do primeiro amor e tentando entender as mudanças dentro da própria família.

Mas foi Lorenzo Mello quem conquistou completamente meu coração. Dudu é aquele tipo de personagem impossível de não gostar. Fascinado por Star Wars, Planeta dos Macacos, discos voadores e qualquer aventura que sua imaginação consiga inventar, ele enxerga um mundo mágico onde os adultos veem apenas rotina. Existe uma espontaneidade tão bonita na atuação dele que várias das minhas cenas favoritas acontecem simplesmente porque ele está em cena.

Acho que o filme acerta justamente ao mostrar como as crianças conseguem transformar qualquer lugar em um universo inteiro de possibilidades.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Odisseia [Crítica]

 


Título no Brasil: The Odyssey 

Título Original: A Odisseia  

Ano: 2026

País: EUA

Direção: Christopher Nolan 

Roteiro: Christopher Nolan  

Elenco: Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Zendaya 

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes

Existem alguns diretores que fazem a gente querer assistir aos filmes deles sem nem precisar saber sobre o que são. Com Christopher Nolan é exatamente assim comigo. Não importa se é ficção científica, guerra, suspense ou agora uma adaptação de um dos textos mais importantes da literatura mundial. Sempre existe aquela expectativa de que vou sair do cinema tendo vivido uma experiência, e não apenas assistido a um filme.

E foi exatamente isso que aconteceu com “A Odisseia”. Nolan consegue transformar um poema escrito há milhares de anos em algo extremamente acessível, sem perder a grandiosidade que essa história merece.

A trama acompanha Odisseu em sua longa jornada para voltar para casa depois da Guerra de Troia. Pelo caminho, ele enfrenta monstros, tempestades, deuses e inúmeros desafios, enquanto sua esposa Penélope e seu filho Telêmaco tentam manter vivo o reino de Ítaca mesmo após anos sem notícias do rei.

Como já era de se esperar, Christopher Nolan foge da narrativa linear. O filme alterna constantemente entre passado e presente, mostrando diferentes momentos da guerra e da viagem de Odisseu. Em qualquer outro diretor isso talvez pudesse ficar confuso, mas Nolan já mostrou várias vezes que domina esse tipo de estrutura, e aqui não é diferente. Aos poucos, todas as peças começam a se encaixar de uma forma muito natural.


O que mais me impressionou foi que, apesar da escala gigantesca da produção, o filme nunca parece exagerado. Claro que existem cenas enormes, batalhas épicas e criaturas mitológicas impressionantes, mas nada parece estar ali apenas para mostrar orçamento. Existe um equilíbrio muito bonito entre o espetáculo visual e a parte mais humana da história. No fim das contas, “A Odisseia” não é sobre monstros ou deuses. É sobre culpa, saudade, família e sobre tudo aquilo que carregamos durante a vida.

A Divina Sarah Bernhardt [Crítica]

 


Título no Brasil: A Divina Sarah Bernhardt 

Título Original: Sarah Bernhardt, La Divine 

País: França

Ano: 2026

Direção: Guillaume Nicloux 

Roteiro: Nathalie Leuthreau  

Elenco: Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte, Amira Casar 

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes

Confesso que entrei na sessão de “A Divina Sarah Bernhardt” sem conhecer quase nada sobre a mulher que inspirou o filme. E talvez essa tenha sido uma das melhores partes da experiência: sair do cinema com a sensação de ter conhecido uma personalidade fascinante que eu provavelmente jamais teria pesquisado por conta própria.

O filme acompanha Sarah Bernhardt, uma das maiores atrizes da história do teatro e considerada por muitos a primeira celebridade mundial. Mas, mais do que mostrar sua carreira brilhante, a história tenta apresentar quem existia por trás da figura pública: uma mulher intensa, livre, extravagante e completamente determinada a viver da forma que acreditava.

O que mais me chamou atenção foi perceber como Sarah parecia estar muitos anos à frente do seu tempo. Em uma época em que as mulheres ainda precisavam seguir uma série de regras impostas pela sociedade, ela fazia exatamente o contrário. Amava quem queria, administrava a própria carreira, desafiava convenções e parecia nunca pedir desculpas por ocupar espaço.

Ao mesmo tempo, gostei do fato de o filme não transformá-la em uma personagem perfeita. Ele mostra suas fragilidades, seus relacionamentos conturbados e os momentos em que até uma mulher tão admirada quanto ela precisava lidar com inseguranças e perdas. Isso faz com que Sarah deixe de ser apenas uma figura histórica e se torne alguém muito mais humana.