Título no Brasil: O Fim da Rua
Título Original: The End Of Oak Street
Ano: 2026
Direção: Datvid Robert Mitchell
Roteiro: David Robert Mitchell
Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella
Nota: 4 /5
Por Amanda Gomes
Eu preciso começar essa crítica sendo completamente honesta: O Fim da Rua já tinha me conquistado antes mesmo de eu assistir.
Uma família vivendo em um subúrbio americano nos anos 1980 é transportada misteriosamente para um mundo cheio de dinossauros? Anne Hathaway e Ewan McGregor no elenco? Uma estética oitentista? Dinossauros perseguindo pessoas em um bairro residencial? Desculpa, mas como é que eu não ia querer assistir?
A história acompanha Denise e Greg, um casal que já não está exatamente no melhor momento do relacionamento, e seus filhos. A família vive em um bairro aparentemente comum quando acontecimentos estranhos começam a surgir. Até que, depois de uma forte tempestade, eles percebem que alguma coisa muito errada aconteceu.
O bairro inteiro foi parar em um lugar completamente diferente. E não é exatamente um condomínio tranquilo. Dinossauros passam a ser os novos vizinhos.
Eu gosto muito quando um filme abraça uma ideia completamente absurda e não fica tentando justificar demais sua existência. “O Fim da Rua” faz isso. Ele apresenta o acontecimento, deixa algumas perguntas sem resposta e simplesmente parte para a aventura. E, sinceramente? Funcionou para mim.
O mais divertido é ver elementos extremamente comuns do cotidiano sendo transformados em ferramentas de sobrevivência. Uma casa, uma churrasqueira, um carro, uma rua... tudo aquilo que antes fazia parte de uma vida normal agora pode ser a diferença entre viver ou virar jantar de algum dinossauro.
As cenas com os dinossauros são, sem dúvida, uma das melhores coisas do filme. Existe uma sensação constante de que alguma criatura pode surgir a qualquer momento, principalmente porque o filme gosta de colocar os ataques acontecendo de maneiras inesperadas. Em algumas cenas, inclusive, os dinossauros aparecem ao fundo enquanto os personagens ainda não perceberam o perigo.
Não é simplesmente colocar um dinossauro na tela e esperar que ele seja assustador. O filme brinca com a expectativa e com o espaço do bairro, fazendo com que a gente pense em como seria estar naquela situação. E é aí que “O Fim da Rua” fica mais divertido.
Também gostei muito da ambientação. Tudo tem aquela estética exageradamente oitentista que eu adoro. Os figurinos, os carros, os objetos dentro das casas, os penteados e até a maneira como os personagens são filmados ajudam a criar a sensação de que estamos assistindo a uma aventura perdida daquela época. Em alguns momentos, eu realmente tive a sensação de estar assistindo a uma mistura de filme de aventura dos anos 80 com ficção científica e terror de sobrevivência.
E, obviamente, é impossível não pensar em Steven Spielberg e nos filmes que ajudaram a construir esse tipo de cinema. “Jurassic Park” é a comparação mais óbvia quando falamos de dinossauros, mas “O Fim da Rua” também parece beber bastante daquela fonte de aventuras em que uma família comum é colocada diante de uma situação completamente extraordinária. Só que existe uma diferença importante: ele não tenta ser o novo Jurassic Park. E acho que é justamente por isso que funciona.
Anne Hathaway e Ewan McGregor também ajudam bastante. Os dois conseguem fazer com que a gente se importe com aquela família mesmo quando o roteiro está mais preocupado em correr de um dinossauro para o outro. Denise, principalmente, é uma personagem que vai ganhando força conforme a situação piora. Ela começa o filme lidando com problemas familiares e acaba precisando assumir uma postura completamente diferente para proteger os filhos.
Agora, preciso falar do principal problema para mim: o roteiro. Eu gostei muito da ideia, gostei dos dinossauros, gostei da estética e me diverti bastante. Mas também fiquei com várias perguntas depois que os créditos começaram. O filme praticamente não se preocupa em explicar como aquela situação aconteceu. E eu até consigo aceitar isso. Nem toda história precisa explicar absolutamente tudo. O problema é que algumas situações parecem acontecer simplesmente porque o roteiro precisa que elas aconteçam.
A resolução acontece rápido demais e algumas coisas ficam sem uma explicação que realmente me convencesse. Fiquei com aquela sensação de "tá, mas como isso aconteceu?" justamente quando o filme deveria estar entregando suas respostas. Mas, para ser sincera, não foi suficiente para estragar minha experiência.
Eu saí da sessão pensando que talvez esse seja justamente o tipo de filme que estava faltando: uma aventura original, divertida e sem medo de ser um pouco absurda. Ele tem problemas, principalmente quando tenta explicar ou encerrar sua própria história, mas consegue proporcionar duas horas muito divertidas.


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