quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Menina que via Filmes: Os Miseráveis [Crítica]


Título Original: Les Misérables
Título no Brasil: Os miseráveis
16 de janeiro de 2020 / 1h 42min / Policial, Drama
Direção: Ladj Ly
Elenco: Damien Bonnard, Alexis Manenti, Djebril Didier Zonga
Nacionalidade França
por Cecilia Mouta


A arte é o que é porque consegue falar com diferentes épocas sobre as questões de seu tempo. A História, com H maiúsculo, se repete. E a arte está aqui para nos lembrar disso. 
Os Miseráveis é uma obra literária escrita pelo escritor francês Victor Hugo em 1862. Mais de um século depois, Ladj Ly desenvolve para o cinema uma versão atualizada da problemática do romance. 
O cenário agora é a França de 2018, clima de copa do mundo. Se por um lado, nos primeiros minutos de filme, o povo está unido pela paixão em comum pelo futebol, pelo sentimento compartilhado de patriotismo, é só terminar o evento para que as rachaduras na sociedade francesa se mostrem, pronta a eclodir a aparente paz social. 

Stéphane (Damien Bonnard)  acaba de ser transferido de outra cidade para o departamento de anticrime da polícia da capital francesa. Como um personagem novato, ele tem o papel de situar o espectador naquela realidade, pois tudo que seus dois companheiros precisam lhe explicar, fica também explicado para o espectador. Em muitos momentos, esse artifício narrativo é bem colocado na trama, mas em alguns momentos tornou tudo fácil demais. 
Do outro lado do muro, o muro invisível que cerca a desigualdade social, está Issa. Um jovem negro, pobre, morador da periferia, que vive se metendo em confusões e cometendo pequenos delitos. 
O conflito maior começa quando Issa rouba um filhote de leão de um circo alocado ali perto. Os três policiais, na tentativa de fazer seu trabalho e falhando profundamente no abuso de poder, acabam ferindo o menino com um tiro de borracha no rosto. De feições desfiguradas, Issa coordena uma rebelião às forças policiais.
Algumas escolhas do diretor em relação às câmeras foi muito feliz. Nas cenas de confusão, a câmera estava no meio, “atacando” e “sendo atacada”, colocando o espectador no olho do furacão. As imagens de drone, realizando uma metalinguagem com o personagem Buzz também enriqueceram a narrativa. Mas longas idas e vindas dos policiais pelas ruas da cidade acabam tornando a narrativa um pouco cansativa. Grande parte do filme se passa dentro do carro de polícia. A narrativa também peca um pouco na hora de construir personagens mais profundos.  

Já o final, genialmente inacabado, mostra que o fim desse problema não é simples, não é fácil e não pode ser feito pela subida de créditos na tela. A bomba está armada, resta saber para que lado vai explodir. Adji Ly teria falhado miseravelmente se não tivesse lançado ao público uma forte crítica social. Mas ele o fez. Deixo aqui o trecho do livro do Victor Hugo citado pelo filme: “MEUS AMIGOS, LEMBRAI-VOS SEMPRE DE QUE NÃO HÁ ERVAS DANINHAS NEM HOMENS MAUS: — HÁ, SIM, MAUS CULTIVADORES.”

Um comentário:

  1. Mesmo com algumas falhas citadas, não vejo a hora de poder conferir este filme. Sei lá, desde que vi a chamada para ele a primeira vez, achei que seria tudo tão intenso!!!
    Espero de coração que o filme chegue aqui em Lost. Este vale o cinema!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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