quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O Primata

 


Título no Brasil: O Primata 

Título Original: Primate

Ano: 2025

Direção: Johannes Roberts 

Roteiro: Johannes Roberts, Ernest Riera

Elenco: Troy Kotsur, Johnny Sequoyah, Jessica Alexander, Victoria Wyant, Kae Alexander e Gia Hunter

Nota: 4/5

Por Amanda Gomes

Nos dias de hoje, encontrar um filme de terror que traga uma ideia minimamente original é quase um milagre. Por isso, “O Primata” me causou aquele tipo raro de reação dupla: ao mesmo tempo em que desperta um genuíno “que loucura é essa?”, consegue transformar sua premissa absurda em uma experiência surpreendentemente eficaz. 

A trama acompanha Lucy, uma universitária que retorna à casa da família para passar as férias enquanto tenta lidar com o luto pela morte da mãe. Para aliviar o peso emocional, ela convida algumas amigas para um fim de semana que promete ser animado. O detalhe nada irrelevante é que a família possui Ben, um chimpanzé de estimação extremamente inteligente, capaz até de se comunicar com humanos. Quando o pai de Lucy viaja, a jovem decide organizar uma festa na piscina, decisão que, como manda o manual do terror, rapidamente se revela um erro. Ben reaparece agressivo, irreconhecível e contaminado com raiva. A partir daí, o que era um encontro festivo se transforma em um pesadelo sangrento.



À primeira vista, a premissa parece absurda demais para funcionar. Mas é justamente esse exagero que “O Primata” abraça com segurança. O roteiro constrói um espetáculo de violência gráfica, mortes inventivas e situações cada vez mais surreais. O chimpanzé raivoso se transforma em uma ameaça imprevisível, combinando força física, fúria animal e uma inteligência que torna tudo ainda mais perturbador.

O filme dosa muito bem terror e humor, criando uma experiência que assusta e diverte na mesma medida. As cenas são impactantes, algumas realmente difíceis de esquecer, mas nunca gratuitas. Aquele tipo de terror em que o medo nasce do contraste entre o cotidiano familiar e a violência incontrolável de um animal movido por puro instinto.

O roteiro sabe explorar os espaços da casa, transformando ambientes comuns em armadilhas claustrofóbicas, e mantém a tensão constante mesmo quando os personagens tomam decisões questionáveis. 

O elenco também contribui para o sucesso da proposta. Troy Kotsur se destaca de forma inesperada, enquanto Johnny Sequoyah, Jessica Alexander, Victoria Wyant, Kae Alexander e Gia Hunter sustentam bem o caos emocional e físico imposto pela narrativa.

O Primata não é apenas mais um filme de “monstro assassino”. É um exercício de sobrevivência que entende suas limitações, explora seu absurdo com inteligência e entrega exatamente aquilo que promete: tensão, violência, surpresa e diversão. Uma grata e sangrenta surpresa do gênero, daquelas que justificam o ingresso.

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