Título no Brasil: Socorro!
Título Original: Send Help
Ano: 2026
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Mark Swift, Damian Shannon
Elenco: Rachel McAdams, Dylan O’Brien, Edyll Ismail
País: EUA
Nota: 4/5
Por Amanda Gomes
A trama acompanha Linda Liddle, uma funcionária exemplar do Departamento de Planejamento e Estratégia de uma poderosa multinacional. Invisibilizada, subestimada e frequentemente alvo de microagressões no ambiente corporativo, Linda acredita estar prestes a ser promovida após a morte do CEO da empresa, expectativa alimentada por anos de dedicação e por uma recomendação direta do fundador. No entanto, o cargo acaba nas mãos de Bradley Preston, herdeiro da companhia e personificação do privilégio masculino: arrogante, passivo-agressivo e incapaz de reconhecer o talento alheio. Quando ambos são enviados para uma viagem de negócios, uma violenta tempestade derruba o avião no mar, deixando-os presos em uma ilha deserta. O isolamento transforma a relação profissional em um perigoso jogo de poder, desejo, ressentimento e sobrevivência, ainda mais complexo pelo fato de Linda nutrir sentimentos conflitantes pelo próprio algoz.
Rachel McAdams entrega aqui uma das performances mais interessantes de sua carreira. A atriz constrói Linda como uma figura inicialmente contida, quase apagada, que aos poucos se revela resiliente, engenhosa e moralmente ambígua. o roteiro explora com inteligência a imagem historicamente associada à atriz, a da heroína romântica, para subvertê-la em algo mais instável e perigoso. Linda erra, exagera, manipula e, ainda assim, é impossível não se deixar capturar pelo magnetismo de McAdams, que transita com naturalidade entre fragilidade emocional e brutalidade instintiva. Dylan O’Brien, por sua vez, compõe um Bradley detestável na medida certa: um vilão cotidiano, reconhecível, cujo machismo estrutural e insegurança se tornam cada vez mais evidentes à medida que sua posição de controle é ameaçada. A química beligerante entre os dois sustenta o filme inteiro.
O diretor utiliza planos-detalhe obsessivos, enquadramentos tortos e movimentos de câmera agressivos para provocar repulsa e humor simultaneamente. A ilha se transforma em um tabuleiro mortal onde cada elemento carrega potencial de violência. O longa flerta com o slasher, com o survival movie e até com a comédia romântica distorcida, evocando referências que vão de A Lagoa Azul a O Náufrago.
O roteiro nem sempre mantém o mesmo fôlego, tropeçando levemente em diálogos redundantes antes do terceiro ato. Ainda assim, a construção da tensão é eficaz e culmina em uma reviravolta propositalmente anticlimática, coerente com o espírito cruel e irônico do filme. A fotografia vibrante intensifica o contraste entre o paraíso natural e a podridão humana, enquanto a trilha sonora exuberante reforça o tom de fábula macabra que Raimi parece saborear do início ao fim.
Com fogo, cocos, pedaços de madeira, conchas e muito suor, Linda tenta devolver ao mundo real um pouco da violência simbólica que sempre lhe foi imposta e a trama nos convida a rir, estremecer e torcer por isso.



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