Título no Brasil: O Diabo Veste Prada 2
Título Original: The Devil Wears Prada 2
Ano: 2026
Direção: David Frankel
País; EUA
Roteirista: Aline Brosh McKenna
Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci
Nota: 4/5
Por Amanda Gomes
Vinte anos depois de o grande sucesso de “O Diabo Veste Prada” e de ter se consolidado como um verdadeiro marco da cultura pop, retornar ao universo de Miranda Priestly parecia, honestamente, um risco enorme. Afinal, sequências tardias costumam viver de nostalgia vazia ou de tentativas desesperadas de reviver uma fórmula que já funcionou no passado. Mas “O Diabo Veste Prada 2” surpreende justamente por entender que seu maior trunfo não está apenas em revisitar personagens icônicos, e sim em inseri-los em um mundo que mudou radicalmente e que talvez não tenha mais espaço para eles da mesma forma.
Dessa vez, a Runway não enfrenta apenas dramas editoriais ou crises de ego, mas uma ameaça muito mais contemporânea: a corrosão da mídia impressa, o domínio das redes sociais, a lógica do conteúdo rápido e a transformação da arte em algoritmo. É um filme profundamente consciente de seu tempo, e isso faz toda a diferença. A sequência não tenta recriar o brilho do original de forma artificial, mas utiliza sua própria existência para discutir justamente o colapso da indústria que ajudou a eternizar.
Andy Sachs retorna mais madura, agora como uma jornalista respeitada que também foi atingida pela precarização brutal do mercado editorial. Sua volta à Runway é menos sobre repetir velhos passos e mais sobre encarar, sob outra perspectiva, o quanto o mundo profissional, especialmente para mulheres, continua exigindo concessões difíceis. Anne Hathaway traz uma segurança muito interessante para essa nova fase da personagem, mantendo seu carisma intacto, mas agora com uma bagagem emocional que enriquece sua trajetória.
Meryl Streep, por sua vez, continua simplesmente magnética. Miranda Priestly permanece afiada, intimidadora e deliciosamente calculista, mas há aqui uma vulnerabilidade inédita. Não porque a personagem tenha perdido sua essência, mas porque agora até figuras como ela precisam confrontar a obsolescência em um sistema que transforma tudo em produto descartável. É fascinante ver Miranda, antes uma força quase inabalável, precisando negociar sua sobrevivência em uma indústria que ela ajudou a moldar.
Emily Blunt continua ótima, embora seu arco sofra um pouco mais com as limitações do roteiro, que por vezes se rende a soluções previsíveis e diálogos expositivos demais. Stanley Tucci, como Nigel, segue sendo uma presença calorosa e essencial, funcionando como o coração emocional dessa narrativa.
O filme também acerta ao manter o glamour que tornou o original tão irresistível. Moda, locações luxuosas, cameos e referências continuam presentes, mas agora carregam uma melancolia quase palpável. Existe uma sensação constante de que esse brilho pode desaparecer a qualquer momento, e talvez essa seja justamente a proposta.
Claro, há problemas. A montagem excessivamente acelerada, a estética visual mais plastificada e certas concessões narrativas ao público da era TikTok acabam criando uma contradição curiosa.
No fim, “O Diabo Veste Prada 2” funciona porque entende que amadurecer não significa perder identidade, mas adaptar-se sem abandonar completamente aquilo que nos define. Mais do que uma simples continuação, o longa se transforma em uma reflexão elegante sobre moda, jornalismo, envelhecimento profissional e relevância cultural.
Talvez não fosse uma sequência necessária. Mas, surpreendentemente, é uma sequência que faz sentido e que prova que algumas histórias, quando revisitadas com inteligência, ainda têm muito a dizer.

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