quinta-feira, 30 de abril de 2026

ZICO - O Samurai de Quintino (Crítica)

 


Título no Brasil: ZICO - O Samurai de Quintino

País: Brasil

Ano: 2026

Direção:  João Wainer 

Roteirista: Thiago Iacocca 

Nota: 5/5

Por Amanda Gomes

Zico sempre foi uma dessas figuras que parecem maiores do que o próprio esporte. Mesmo para quem não é flamenguista, ou sequer acompanha futebol com tanta proximidade, existe algo quase inevitável em reconhecer sua dimensão dentro e fora dos gramados. Em “Zico, o Samurai de Quintino”, essa imagem lendária finalmente ganha contornos mais íntimos, revelando não apenas o camisa 10 brilhante, mas também o homem por trás do mito.

A produção revisita desde a infância de Arthur Antunes Coimbra, em Quintino, até sua consagração no Flamengo, na Seleção Brasileira e posteriormente no Japão, onde sua influência foi crucial para profissionalizar o futebol local. Mas o grande mérito do documentário está justamente em não se limitar à exaltação esportiva. Embora seja, sim, uma homenagem carregada de admiração, o longa encontra força ao humanizar Zico, mostrando suas fragilidades, dores e os pesos emocionais que acompanharam sua trajetória.

João Wainer utiliza imagens raras de arquivo, registros familiares e entrevistas com pessoas próximas para construir esse retrato. Sandra, esposa de Zico há décadas, surge como peça essencial nessa narrativa, oferecendo um olhar delicado sobre o homem que precisou ser dividido entre a família e milhões de torcedores. É através dessas relações pessoais que o documentário encontra seus momentos mais sensíveis.



Ainda que siga uma estrutura relativamente convencional para o gênero, com entrevistas, imagens históricas e uma linha narrativa mais segura, o filme compensa essa falta de ousadia formal com uma montagem envolvente e um material emocionalmente rico. Em alguns momentos, a sensação é realmente mais próxima de uma grande reportagem premium do que de uma obra cinematográfica inovadora, mas isso não compromete sua potência.

O documentário também não ignora os momentos dolorosos: as frustrações da Seleção de 1982, o pênalti perdido em 1986, as lesões e até questões familiares mais profundas aparecem como cicatrizes que ajudam a moldar a figura pública. Esse cuidado impede que o filme se transforme em uma simples glorificação vazia.

Para além das conquistas e dos gols, “Zico, o Samurai de Quintino” reforça algo talvez ainda mais valioso: o legado humano de um ídolo que nunca deixou suas origens para trás. Zico surge como símbolo de excelência, disciplina e paixão, mas também como alguém profundamente ligado à família, à simplicidade e à própria humanidade.

No fim, o documentário pode não reinventar o formato esportivo, mas emociona justamente por compreender que algumas lendas não precisam de grandes artifícios, apenas de verdade. Para fãs de futebol, é um prato cheio. Para os flamenguistas, que assim como eu sempre souberam da grandeza de Zico, é um presente poder conhecer mais dessa figura além de tudo que ele representou e segue representando no Flamengo. Para o público geral, é uma lembrança poderosa de como certos nomes transcendem o esporte e se tornam parte da memória cultural de um país.

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