domingo, 26 de abril de 2026

Vidas Entrelaçadas [Crítica]

 


Título no Brasil: Vidas Entrelaçadas

Título Original: Couture
Ano: 2025
Países: França, EUA
Direção: Alice Winocour
Roteiro: Alice Winocour
Elenco: Angelina Jolie, Ella Rumpf, Anyier Anei
Nota: 3 /5
Por Amanda Gomes 

Se tem um tipo de filme que parece prometer uma coisa e entrega outra completamente diferente, é “Vidas Entrelaçadas”. E, sinceramente? Isso pode ser tanto o charme quanto a frustração da experiência.

À primeira vista, a ambientação na Semana de Moda de Paris faz a gente imaginar um mergulho naquele universo glamouroso, caótico e competitivo. Mas o filme da diretora Alice Winocour não está tão interessado assim na moda em si e isso fica bem claro conforme a narrativa avança.

A história acompanha diferentes mulheres nesse cenário: a Maxine, vivida por Angelina Jolie, uma cineasta que chega a Paris para filmar um projeto, mas acaba sendo atravessada por uma questão de saúde urgente; uma jovem modelo sudanesa completamente deslocada naquele ambiente; e Angèle, interpretada por Ella Rumpf, uma maquiadora que observa tudo ao redor como quem coleta histórias silenciosamente.

E aqui está o ponto: essas histórias até existem… mas raramente se encontram de verdade.


O filme vende essa ideia de “vidas entrelaçadas”, mas, na prática, o que vemos são trajetórias paralelas, quase isoladas. Cada personagem está tão imersa no próprio dilema que mal há espaço para conexões reais. É como se todas estivessem no mesmo lugar físico, mas vivendo em universos emocionais completamente diferentes.

Por um lado, isso cria uma atmosfera interessante meio melancólica, meio contemplativa. As personagens parecem flutuar pela cidade como fantasmas, mais preocupadas com suas próprias dores do que com qualquer glamour ao redor. Existe uma sensação constante de vazio, de deslocamento, que combina com a proposta mais introspectiva do filme.

Mas, ao mesmo tempo, isso também enfraquece o impacto. Porque quando ninguém realmente se conecta, a gente também não se apega tanto. Algumas histórias parecem promissoras, mas ficam superficiais. Personagens entram e saem sem deixar muita marca.

A própria Maxine, que deveria ser o centro emocional, é construída de forma um pouco distante. A atuação da Jolie sustenta muito, ela tem aquela presença magnética que segura o olhar, mas a personagem em si parece sempre meio desconectada, como se estivesse anestesiada diante da própria vida.

E talvez isso seja proposital. Porque, no fundo, o filme parece menos interessado em contar uma história tradicional e mais em capturar sensações. Existe uma metáfora constante sobre “costuras”, não só nas roupas, mas nos corpos, nas relações e nas fragilidades humanas. Só que essa ideia, apesar de bonita, nunca chega a se desenvolver com a força que poderia.

Outro ponto que me pegou foi essa sensação de indiferença. A diretora observa tudo com certa distância, quase sem julgamento, mas também sem muita paixão. É como se o filme estivesse ali… mas sem realmente querer dizer algo definitivo sobre aquele universo.

E isso pode incomodar. Porque, no final, fica a pergunta: o que exatamente “Vidas Entrelaçadas” quer discutir?

Ainda assim, não dá pra dizer que não há valor aqui. Existe algo interessante nessa proposta mais contemplativa, nesse olhar mais silencioso sobre mulheres lidando com pressões, escolhas e fragilidades em um ambiente que exige perfeição constante.

Se você espera uma crítica mais direta ao mundo da moda ou uma narrativa mais conectada, talvez saia frustrada. Agora, se você entra na vibe mais sensorial, quase como folhear um diário íntimo cheio de fragmentos, ele pode funcionar melhor.

No fim, é um filme bonito, bem atuado, cheio de ideias… mas que parece nunca costurar tudo isso de forma realmente impactante.

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