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domingo, 3 de janeiro de 2016

Menina que via Filmes : Os Oito Odiados [Crítica]

Título Original : The Hateful Eight
Título no Brasil : Os Oito Odiados
Lançamento 7 de janeiro de 2016 (2h48min) 
Dirigido por Quentin Tarantino
Com Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh mais
Gênero Faroeste

Nacionalidade EUA
censura  18 anos









Qual filme ver no 1º dia do ano? A escolha venceu todas as opções quando me deparei com uma pré estreia de um filme de Quentin Tarantino, o diretor e idealizador de filmes que amo como Cães de Aluguel, Bastardos Inglórios, Django Livre, Pulp Fiction, Um Drink no Inferno e tantos outros, para mim é sempre garantia de um filme pelo menos bom. E não estava enganada.
Mesmo com o cinema lotado e sentada na fila do gargarejo com um ar condicionado funcionando mal no calor de 50 graus do Rio de Janeiro e quase 3 horas de exibição, não senti o tempo passando, isso poucos conseguem, mas Tarantino é um deles.
Trazendo mais uma vez o tema Faroeste - seu último filme Django livre também trazia - ele nos apresenta através das falas dos personagens quem é cada um que vai aparecendo, do tipo " Você não sabe quem é fulano? Vou te contar..." e claro que pelo excesso de neve e falas da primeira cena os mais leigos vão achar um pouco parado e somente gostar do filme quando eles enfim chegarem ao Armazém que querem....mas Tarantino está certo, como chegar lá e entender se cada personagem é tão rico de detalhes que merece mesmo cenas que o expliquem e que o juntem, como em um imenso quebra-cabeças com o personagem que acabamos de conhecer.

Kurt Russell brilhantemente é John The Ruth, o caçador de recompensas que quer entregar viva - isso ele deixa bem claro logo no início do filme - a procurada Daisy Domergue ( Jennifer Jason Leigh , que estava sumida mas que sempre vou lembrar dela por Mulher Solteira Procura ). No meio da neve, com um cocheiro e sua presa , ele encontra o Major Warren ( Samuel L. Jackson, por favor deem um Oscar para esse homem!) , um caçador de recompensas que prefere levar os procurados mortos e entregar para o xerife, os dois já se conheciam mas trocam diálogos impagáveis. Junte aos dois um pseudo xerife - que ninguém sabe se ele é verdade - e os leve até o tal Armazém onde criatura bizarras estão lá dentro. 
E é no tal Armazém da Minnie que a história pega fogo, são os 8 homens - na verdade são mais - com a prisioneira lutando para provarem quem são de verdade e toda hora se digladiando. Um coronel está lá dentro jogando seu xadrez ( o maravilhoso Bruce Dern!) , um cowboy disse que quer visitar a mãe ( papel de Michael Madsen) e o lugar está sendo cuidando por um mexicano enquanto Minnie e o marido foram visitar a mãe dela.
Ah sim, como esquecer do estupendo Tim Roth no papel do falador Oswaldo Mobray , o carrasco, ou seja, o homem que vai enforcar Daisy na cidade Red Rock. 
Ali, toda história americana se une para debaterem o como um não aceita  o outro, temos o negro, o mexicano, a mulher, os imigrantes em geral...Tarantino brinca com o espectador e com o cenário, patina com maestria entre o preconceito e os personagens marcantes americanos. Ali, todos gostam do presidente americano , Abraham Lincoln, e o negro é o único que já manteve contato com ele com uma carta que teria sido escrita pelo presidente americano.
Tem tudo que esperamos do diretor, falas perfeitas, atores em sintonia, uma música à altura -Enio Morricone a assina brilhantemente! - e sangue, isso não podia faltar.

Palmas - de pé - para Tarantino, o filme é fantástico. Assistam ;) 

sábado, 15 de março de 2014

Menina que via filmes : Nebraska [Crítica]

Título original : Nebraska
Título no Brasil : Nebraska
Direção : Alexander Payne
Elenco : Bruce Dern, Will Forte, June Squibb
Ano : 2013
País: EUA
Idioma : Inglês
Gênero : Drama
Censura : 12 anos
Duração : 2h






Woody Grant (Bruce Dern) é um homem idoso que acredita ter ganho US$ 1 milhão após receber pelo correio uma propaganda. Decidido a retirar o prêmio, ele resolve ir a pé até a distante cidade de Lincoln, em Nebraska. Percebendo que a teimosia do pai o fará viajar de qualquer jeito, seu filho David (Will Forte) resolve levá-lo de carro. Só que no caminho Woody sofre um acidente e bate com a cabeça, precisando descansar. David decide mudar um pouco os planos, passando o fim de semana na casa de um de seus tios antes de partir para Lincoln. Só que Woody conta a todos sobre a possibilidade de se tornar um milionário, despertando a cobiça não só da família como também de parte dos habitantes da cidade.





Nebraska no trailer pode facilmente ser confundido com um daqueles filmes parados e sem expectativa alguma, foi isso que senti assistindo ao trailer.
Mas no entanto, ao começar o filme, me deparei com uma história linda, melancólica sim, mas ainda assim bela sobre um aposentado de nome Woody ( Bruce Dern, espetacular e indicado ao Oscar 2014) que recebe em sua casa uma correspondência informando que ele ganhou 1 milhão de dólares.
Cismado que realmente ganhou o prêmio e não acreditando em seus filhos nem em sua esposa que dizem que isso não é verdade, é apenas uma jogada de marketing para que pessoas acreditem e vendam as revistas que eles querem.
Mas Woody não acredita em nada que lhe dizem, é pego diversas vezes fugindo de casa no meio da estrada e sendo levado de volta por seu filho David ( Will Forte, sensacional!) que também não tem uma vida nada fácil. Conhecemos a vida de David, um vendedor de aparelhos de som, cujo a esposa lhe abandonou e ele implora para que ela volte e ainda por cima tem que cuidar do pai já que seu irmão mais velho apresenta um telejornal , tem filhos e esposa para tomar conta.




O que nos impressiona no filme, no qual o diretor fez questão de colocar ele em preto e branco para que a melancolia e esse drama familiar ficasse ainda mais intenso, é o desdém que a família tem pelo velho alcoolatra Woody, somente David parece se preocupar com ele, sua esposa - a maravilhosa June Squibb , também concorreu ao Oscar! - já está cansada das estripulias do marido e suas rebeldias são as partes mais engraçadas do filme.
Com uma família interresseira, um filho apaixonado pelo pai , e uma esposa cansada de Woody o diretor nos prende a  atenção ao mesmo que tempo que nos faz parar para pensar até onde o amor nos leva , fazendo até mesmo que perdoemos aqueles que não foram tão leais como estamos sendo.
Lindo o filme merecia algum prêmio, espero que mais pessoas possam ver, um dos melhores filmes que vi esse ano!