sexta-feira, 5 de junho de 2026

Todo Mundo em Pânico 6

 


Título no Brasil: Todo Mundo em Pânico 6

Título Original: Scary Movie

País: EUA

Ano: 2026

Direção: Michael Tiddes 

Roteirista: Shawn Wayans, Marlon Wayans 

Elenco: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Anna Faris 

Nota: 3,5/5,0

Por Amanda Gomes


Confesso que nunca fui uma grande fã de “Todo Mundo em Pânico”. Assisti aos dois primeiros filmes quando era mais nova, vi alguns filmes soltos da franquia original e, como boa parte das pessoas da minha geração, cresci cercada pelas referências, memes e cenas que acabaram entrando para a cultura pop. Também preciso admitir que esse tipo de humor escrachado nunca foi exatamente o meu favorito. Ainda assim, sempre enxerguei um charme especial nos primeiros filmes, que conseguiam misturar sátira, absurdo e comentários sobre o cinema de terror de uma forma divertida.

Por isso, fui assistir a “Todo Mundo em Pânico 6” sem grandes expectativas. Depois de treze anos sem um novo capítulo da franquia, a principal dúvida era se ainda existia espaço para esse tipo de comédia em uma época em que as referências surgem e envelhecem na velocidade das redes sociais. A resposta é: sim, mas com algumas ressalvas.

O novo filme aposta fortemente na nostalgia. O retorno de personagens clássicos e dos irmãos Wayans ajuda a recuperar parte da identidade que muitos fãs sentiam falta desde os primeiros longas. Existe uma clara tentativa de lembrar ao público por que a franquia fez tanto sucesso nos anos 2000, e em alguns momentos isso realmente funciona.



As melhores piadas surgem quando o roteiro brinca com os clichês dos filmes de terror de forma mais ampla, em vez de apenas recriar cenas famosas. Há boas piadas envolvendo franquias conhecidas, situações absurdas e até algumas críticas ao próprio estado atual de Hollywood, especialmente à obsessão por continuações, reboots e personagens clássicos retornando décadas depois.

Por outro lado, o filme parece querer compensar todos os anos de ausência de uma só vez. As referências vão desde sucessos recentes até produções lançadas há mais de uma década, o que faz algumas piadas parecerem um pouco atrasadas. Em certos momentos, a sensação é de estar assistindo a uma sequência de esquetes desconectadas, e não a uma história que realmente se preocupa em construir uma narrativa consistente.

Outro ponto que chama atenção é a tentativa de comentar temas atuais, especialmente a chamada cultura do cancelamento. O assunto aparece diversas vezes ao longo do filme, mas sem dominar completamente a trama. Algumas piadas funcionam, outras parecem mais interessadas em provocar do que em realmente dizer algo. Ainda assim, o longa evita transformar a experiência em um debate político cansativo e mantém o foco no humor.

O elenco entrega exatamente o que se espera desse tipo de produção. Ninguém está ali para ganhar um prêmio de atuação, mas todos parecem entender perfeitamente o tom da proposta. O resultado é um filme que não tem vergonha de ser bobo, exagerado e até um pouco datado.

No fim das contas, “Todo Mundo em Pânico 6” não reinventa a série e provavelmente não vai conquistar quem nunca gostou desse estilo de humor. Mas também não tenta ser algo que não é. Como alguém que guarda boas lembranças dos primeiros filmes, mesmo sem ser uma fã apaixonada, saí da sessão me divertindo mais do que esperava.

Talvez esse seja o maior acerto do longa: entender que seu papel não é revolucionar a comédia nem fazer comentários profundos sobre a sociedade. Seu objetivo é fazer o público rir de situações absurdas, referências ao cinema de terror e da própria indústria do entretenimento. E, apesar dos tropeços, ele consegue cumprir essa missão na maior parte do tempo.


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