Título no Brasil: A Divina Sarah Bernhardt
Título Original: Sarah Bernhardt, La Divine
País: França
Ano: 2026
Direção: Guillaume Nicloux
Roteiro: Nathalie Leuthreau
Elenco: Sandrine Kiberlain, Laurent Lafitte, Amira Casar
Nota: 3,5/5,0
Por Amanda Gomes
Confesso que entrei na sessão de “A Divina Sarah Bernhardt” sem conhecer quase nada sobre a mulher que inspirou o filme. E talvez essa tenha sido uma das melhores partes da experiência: sair do cinema com a sensação de ter conhecido uma personalidade fascinante que eu provavelmente jamais teria pesquisado por conta própria.
O filme acompanha Sarah Bernhardt, uma das maiores atrizes da história do teatro e considerada por muitos a primeira celebridade mundial. Mas, mais do que mostrar sua carreira brilhante, a história tenta apresentar quem existia por trás da figura pública: uma mulher intensa, livre, extravagante e completamente determinada a viver da forma que acreditava.
O que mais me chamou atenção foi perceber como Sarah parecia estar muitos anos à frente do seu tempo. Em uma época em que as mulheres ainda precisavam seguir uma série de regras impostas pela sociedade, ela fazia exatamente o contrário. Amava quem queria, administrava a própria carreira, desafiava convenções e parecia nunca pedir desculpas por ocupar espaço.
Ao mesmo tempo, gostei do fato de o filme não transformá-la em uma personagem perfeita. Ele mostra suas fragilidades, seus relacionamentos conturbados e os momentos em que até uma mulher tão admirada quanto ela precisava lidar com inseguranças e perdas. Isso faz com que Sarah deixe de ser apenas uma figura histórica e se torne alguém muito mais humana.
Sandrine Kiberlain entrega uma atuação que, na minha opinião, é o coração do filme. Mesmo sem conhecer profundamente a verdadeira Sarah Bernhardt, em nenhum momento duvidei da personagem que estava vendo na tela. Ela consegue ser grandiosa durante as apresentações no teatro e extremamente delicada nas cenas mais íntimas. É aquele tipo de atuação que prende a atenção sem precisar de grandes exageros.
Visualmente, o filme também é um espetáculo. Os figurinos são lindíssimos, os cenários têm aquele charme típico dos dramas de época e a fotografia ajuda muito a criar a sensação de que realmente estamos caminhando pela Paris do fim do século XIX. Em vários momentos tive vontade de pausar o filme apenas para observar todos os detalhes da direção de arte.
Apesar disso, acho importante dizer que “A Divina Sarah Bernhardt” não é uma cinebiografia tradicional. Se você espera acompanhar toda a trajetória da atriz em ordem cronológica, talvez saia um pouco frustrado. O filme prefere selecionar alguns momentos específicos da vida dela e construir a narrativa a partir dessas lembranças. Para mim, funcionou bem, embora em alguns momentos eu tenha sentido falta de conhecer um pouco mais sobre sua carreira nos palcos.
Uma das coisas que mais gostei foi perceber que o filme nunca tenta transformar Sarah apenas em um mito inalcançável. Pelo contrário. Ele mostra uma mulher cheia de personalidade, de contradições e de vontade de viver. Talvez seja justamente isso que faz sua história continuar tão interessante mais de cem anos depois.
“A Divina Sarah Bernhardt” talvez não seja uma cinebiografia grandiosa ou revolucionária, mas é uma homenagem delicada e muito bonita a uma mulher que ajudou a mudar a forma como artistas eram vistos no mundo. É um filme elegante, sensível e que lembra que algumas pessoas realmente conseguem atravessar gerações sem deixar seu brilho desaparecer.


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