Título Original: Era Uma Vez Minha 1ª Vez
País: Brasil
Ano: 2026
Elenco: Letícia Braga, Duda Matte, Castorine
Nota: 3,5/5,0
País Brasil
Eu sempre gostei de filmes adolescentes que conseguem falar sobre aquela fase da vida em que parece que todo mundo está esperando que você descubra quem é, o que quer e, principalmente, qual deveria ser o seu “próximo passo”. Por isso, achei interessante a proposta de "Era Uma Vez Minha 1ª Vez", adaptação do livro de Thalita Rebouças.
A história acompanha quatro amigas que estão chegando ao fim da escola e decidem fazer um pacto para perder a virgindade antes da formatura. A premissa pode parecer aquela típica comédia adolescente sobre a “primeira vez”, mas o filme tenta ir um pouco além disso. E acho que essa é justamente uma das coisas que mais gostei na história: a ideia de mostrar que não existe uma idade certa ou um momento obrigatório para viver determinadas experiências.
Teresa, Patty, Clara e Tuca são amigas muito diferentes entre si, e cada uma acaba lidando de uma maneira com a pressão de estar vivendo essa fase. No começo, elas parecem muito determinadas a cumprir o pacto, mas, conforme as coisas começam a não sair exatamente como planejado, fica claro que cada uma tem seus próprios medos, inseguranças e desejos. E, para mim, é aí que o filme encontra seu lado mais interessante.
Gostei principalmente de como a história não trata a primeira relação sexual como uma espécie de troféu ou como algo que precisa acontecer simplesmente porque todas as outras pessoas estão fazendo. Existe uma preocupação em mostrar que cada pessoa tem seu próprio tempo e que mudar de ideia, não se sentir preparada ou simplesmente não querer alguma coisa também faz parte.
A amizade entre as quatro também é um ponto importante. Eu gostei de ver que os relacionamentos amorosos não acabam tomando completamente o espaço da história. No fim das contas, é a amizade delas que sustenta boa parte da narrativa.
As atuações de Letícia Braga, Duda Matte, Castorine e Lívia Silva ajudam bastante nesse sentido. Existem momentos em que a química entre as quatro funciona muito bem, principalmente quando elas estão simplesmente conversando, brincando ou dividindo alguma insegurança. São justamente essas cenas mais espontâneas que fizeram com que eu acreditasse mais na amizade delas.
Por outro lado, senti algumas vezes que os diálogos eram um pouco artificiais. Em determinados momentos, parecia que as personagens estavam falando para explicar ao público exatamente o que deveriam estar sentindo, e não simplesmente conversando entre si. Isso acabou tirando um pouco da naturalidade de algumas cenas.
Também achei que o filme, em certos momentos, tenta demais parecer “jovem”. Tem música, gírias, festas, conversas sobre sexo e todos aqueles elementos que normalmente associamos a uma produção adolescente, mas nem sempre isso é suficiente para criar identificação. Para mim, a identificação acontece muito mais quando conseguimos enxergar sentimentos verdadeiros nos personagens.
Outra coisa que me incomodou um pouco foi a previsibilidade. Não acho que um filme adolescente precise necessariamente ter grandes reviravoltas, até porque muitas vezes já sabemos mais ou menos onde a história vai chegar. O problema é quando o caminho até esse final também parece muito fácil de prever. Em alguns momentos, tive a sensação de que determinadas situações estavam sendo organizadas apenas para chegar a uma conclusão específica.
Apesar disso, não acho que isso estrague completamente a experiência. O tema que o filme escolhe abordar é importante, principalmente porque ainda existe muita pressão em torno da sexualidade durante a adolescência. Comparações, expectativas, medo de parecer diferente das amigas e a sensação de estar “atrasada” são coisas que podem fazer parte dessa fase. E gostei de o filme reforçar que amadurecer não significa necessariamente acompanhar o ritmo das outras pessoas.
Acho que "Era Uma Vez Minha 1ª Vez" tem uma mensagem muito bonita, um elenco jovem que funciona bem junto e uma história que pode conversar bastante com quem já passou ou ainda está passando por essa fase. Mas, ao mesmo tempo, senti que o filme se preocupa demais em deixar claro aquilo que quer dizer, quando talvez pudesse simplesmente deixar as personagens viverem suas experiências.
Ainda assim, fiquei com uma sensação positiva. Principalmente porque, por trás de toda a história sobre a primeira vez, existe uma mensagem que considero muito mais importante: não existe um cronograma para crescer. Você não precisa fazer alguma coisa porque suas amigas fizeram. Não precisa estar pronta porque alguém espera que você esteja. E não precisa transformar uma experiência em uma obrigação só para sentir que está acompanhando todo mundo.
No final, talvez essa seja a melhor coisa que o filme tenta dizer: cada pessoa tem o seu próprio tempo. E tudo bem se o seu for diferente.


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