sábado, 19 de setembro de 2026

A Maravilhosa Árvore Encantada


Título no Brasil: A Maravilhosa Árvore Encantada

Título Original: The Magic Faraway Tree

Ano: 2026

Direção: Ben Gregor

Roteiro: Simon Farnaby

Elenco: Andrew Garfield, Claire Foy, Nonso Anozie 

Nota: 3,5


Eu sempre gosto quando um filme infantil consegue conversar também com os adultos que estão assistindo. "A Maravilhosa Árvore Encantada" parte de uma ideia bastante simples, mas que faz muito sentido nos dias de hoje: o que acontece quando uma família decide deixar para trás a vida cercada de tecnologia e tenta recuperar um pouco daquela infância que parece cada vez mais distante?


Na história, Polly e Tim são pais de três crianças e vivem em Londres. Depois de Polly deixar o emprego como engenheira em uma grande empresa de tecnologia, a família decide abandonar a cidade grande e começar uma nova vida no interior da Inglaterra. O plano é realizar um sonho antigo e produzir molhos de tomate a partir de uma receita da família.


Só que, obviamente, mudar de vida nunca é tão simples quanto parece. As crianças sentem falta da cidade, dos amigos e, principalmente, da internet. Beth, a filha mais velha, tem bastante dificuldade para aceitar a mudança e parece não entender por que os pais decidiram trocar toda aquela estrutura por uma vida em uma cidade pequena.


E, sinceramente, eu até entendo um pouco o lado dela. Afinal, imagina sair de uma cidade grande, perder o contato com os amigos e chegar a um lugar onde aparentemente não tem muita coisa para fazer. Para uma criança acostumada com telas, a ideia de ficar sem internet pode parecer quase uma tragédia. É justamente nesse cenário que Fran, a filha mais nova, encontra a Maravilhosa Árvore Encantada.


Ao explorar a floresta próxima da nova casa, ela conhece a fada Silky  e descobre que a árvore funciona como um portal para outros mundos, cheios de criaturas e situações completamente diferentes. E é aí que o filme realmente começa a entrar no território da fantasia.


Uma das coisas que mais gostei foi perceber que o filme não trata a imaginação como algo ultrapassado. Pelo contrário. Existe uma defesa muito bonita da ideia de que crianças precisam ter espaço para inventar suas próprias brincadeiras, explorar o mundo e descobrir coisas sem que tudo esteja pronto para elas em uma tela. E acho que essa é uma mensagem especialmente importante para os pais.


A produção cria diferentes mundos, criaturas e personagens mágicos que parecem ter saído diretamente das páginas de um livro infantil. O CGI é bem trabalhado e, em boa parte do tempo, consegue se misturar aos cenários sem deixar aquela sensação exageradamente artificial. Os efeitos práticos também ajudam bastante nessa construção. Ao mesmo tempo, confesso que o filme começa muito bem e depois perde um pouco do ritmo.


Conforme a história avança, temos diferentes aventuras e descobertas, mas algumas acabam parecendo um pouco episódicas. É como se estivéssemos acompanhando capítulos diferentes de um livro infantil, sempre conhecendo um novo personagem ou entrando em um novo mundo, mas sem sentir que cada acontecimento necessariamente muda alguma coisa de maneira significativa. Não chega a ser um grande problema, principalmente pensando no público infantil, mas em alguns momentos eu fiquei um pouco cansada.


E acho que o carisma dos personagens é justamente o que impede o filme de ficar realmente entediante. As crianças são simpáticas, os pais funcionam bem como núcleo familiar e existe uma leveza constante que faz com que mesmo os momentos mais parados sejam fáceis de acompanhar.


E falando em atuações, preciso destacar Rebecca Ferguson. Ela interpreta Dona Bronca, uma figura de autoridade extremamente rígida, ranzinza e até um pouco assustadora, que comanda a escola das crianças. A personagem funciona muito bem como uma espécie de obstáculo ao longo da história e Ferguson claramente se diverte com esse lado mais exagerado.


Claire Foy também funciona muito bem como Polly, principalmente por conseguir transmitir a preocupação de uma mãe que quer fazer o melhor pela família, mas que também está tentando descobrir se a decisão que tomou realmente foi a certa.

Andrew Garfield traz um pouco mais de leveza para Tim, e os dois formam um casal que consegue transmitir a sensação de uma família que está tentando começar novamente.


Por trás de toda a fantasia, existe uma história sobre uma família tentando descobrir como viver de uma maneira diferente. Os pais querem recomeçar. Os filhos querem voltar para aquilo que conheciam. E, no meio disso, todos precisam encontrar uma nova maneira de enxergar aquela mudança. A árvore mágica acaba funcionando como uma espécie de ponte entre essas duas coisas. Ela representa a possibilidade de descobrir algo novo justamente quando tudo parece estranho e desconfortável.


Também gostei de como o filme não tenta transformar cada conflito em algo gigantesco. É uma história infantil, então existe uma certa inocência na maneira como os problemas são apresentados e resolvidos. Isso pode ser encantador para algumas pessoas e um pouco frustrante para outras.


Talvez o filme pudesse ser mais ágil e desenvolver melhor algumas de suas ideias, mas não acho que isso apague o que ele faz de melhor. É uma fantasia colorida, leve e, acima de tudo, bastante inocente. E talvez seja justamente essa inocência que mais me conquistou.


Porque, no fim, "A Maravilhosa Árvore Encantada" não está dizendo que precisamos abandonar a tecnologia ou voltar a viver como se os celulares nunca tivessem existido. Ele está dizendo que ainda existe valor em ficar entediado, sair de casa, correr, imaginar histórias e descobrir alguma coisa simplesmente porque tivemos curiosidade de olhar para ela. 

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