Título Original: Deux Jours, Une Nuit
Título no Brasil : Dois Dias, Uma Noite
Dirigido por Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
Com Marion Cotillard, Fabrizio Rongione, Catherine Salée mais
Gênero Drama
Nacionalidade França , Bélgica , Itália
censura 12 anos
Duração : 1h 35 min
Sandra (Marion Cotillard) perde seu emprego pois outros trabalhadores da fábrica prefiram receber um bônus ao invés de mantê-la na equipe. Ela descobre que alguns de seus colegas foram persuadidos a votar contra ela. Mas Sandra tem uma chance de reconquistá-lo. Ela e o marido (Fabrizio Rongione) têm uma tarefa complicada para o final de semana: eles devem visitar os colegas de trabalho e convencê-los a abrir mão de seus bônus, para que o casal possa manter o seu emprego.
A pergunta central que move esse filme é simples ( ou não!) : Você aceitaria ganhar um bônus de mil euros - ou no nosso dinheiro atual R$ 3.200,00 - mas que para isso fosse necessário demitir um colega seu do trabalho?
Parece surreal, mas é essa a história do filme Dois Dias, Uma Noite que tem Marion Cotillard no papel de Sandra, uma funcionária de uma fábrica de peças que acabou de ter alta da depressão e quer voltar ao trabalho. No entanto, uma amiga lhe liga e informa que um dos chefes ofereceu um bônus de mil euros para que ela não voltasse mais, afinal viram sem os meses que ela ficou fora em tratamento que o serviço dela poderia ser feito com uma hora a mais para cada um dos empregados.
Marion está como sempre impecável no papel da mulher que não tem forças para nada e até pensa em desistir facilmente, mas com o apoio do marido Manu ( Fabrizio Rongione) ela resolve ir atrás de um por um dos colegas do trabalho pedir para que eles voltem atrás e votem a favor dela ficar e assim não receberem o bônus. O chefe lhe dá até segunda para que ocorra uma nova votação e ela tem exatamente o título do filme para reverter esse resultado.
Várias coisas intrigam o espectador . Sandra ainda está visivelmente mal, não dá atenção aos filhos e tem uma animação em falar com as pessoas que irrita. Ela não chora, não implora, ela aceita de bom grado e meio que deseja " tudo de melhor" para quem acabou de lhe dizer que não está nem aí que ela perca o emprego.
É visível que alguns mal se importam com Sandra, o que importa é o dinheiro. E isso aflige quem assiste. No Brasil, onde essa prática não é utilizada, nos gera estranhamento, primeiro porque eles afirmam que são muito pobres e que sem o salário dela não pagarão mais a casa e terão que ir morar em um alojamento do governo. Não nos parece, eles tem um carro lindo, tudo de moderno dentro de casa e boa parte das pessoas que eles visitam e que dizem precisar muito do dinheiro está melhor que muito pobre brasileiro, fazendo terraço em uma linda casa por exemplo. Mas o filme se passa na Bélgica e os roteiristas e diretores quiseram passar na tela a era do desemprego europeu, que nem de longe se aproxima da pobreza extrema de países como o nosso. Olhando assim, ficamos com mais raiva das pessoas que dizem não poder deixar de receber o dinheiro , a quantia informada não é tão alta assim a ponto de mudar a vida de alguém. Uma coisa seria : " Te dou 300 mil se ela for mandada embora!" Mas três mil e duzentos? É dinheiro para se gastar em um mês pagando contas dessa vida cara que vivemos e que definitivamente não vale deitar a cabeça no travesseiro sabendo que alguém foi demitido porque você aceitou um bônus .

Se a cada não recebido por Sandra nos irritamos e temos vontade de socar a cara da pessoa, como informei acima ela diz que entende e que talvez ela mesma fizesse o mesmo. Aí que está, o quanto o dinheiro vale se você para recebê-lo prejudica alguém?
E fiquei pensando que no Brasil seria igual, muita gente diria que ok, mandar embora fulano para receber um dinheiro . E isso é desonesto, é mesquinho e me incomodou o filme todo.
Outro ponto muito bem levantado pelo filme é o da depressão, muitos ainda tratam a doença como frescura, e ela não deve ser tratada assim, casos recentes de famosos que aparentavam ter tudo que podemos ter e mesmo assim não viram mais graça na vida e se mataram chocaram o mundo que se perguntou o porquê. Sandra ao ver de muitos não deveria ter depressão. Tem um bom casamento, filhos saudáveis...e quando teve a doença ela ainda nem estava com esse problema no trabalho. Mas o que o filme mostra é que a depressão é mais forte do que a pessoa, é doença sim, merece ser tratada. Mas como fazer a sociedade entender isso? Aos olhos dos patrões ela falhou e esse é mais um ponto que conta a favor dela ser mandada embora , afinal , os meses que ficou afastada ocasionaram na tal votação.
Marion concorre ao Oscar de melhor atriz pela interpretação, está como sempre, estupenda atuando.
Se o filme fosse americano certamente estaria sendo falado no país inteiro, mas por ser belga/ francês só os que curtem cinema europeu pode ser que saibam da sua existência, uma pena, merecia ser visto e conscientizado por muitos.