domingo, 17 de junho de 2018

Menina que via Filmes: Abzurdah [Crítica]


Título Original: Abzurdah
Título no Brasil: Abzurdah
Direção: Daniela Goggi
Elenco: María Eugenia Suárez, Esteban Lamothe, Gloria Carrá mais
Gêneros Drama, Romance, Biografia

Nacionalidade Argentina
Formato visto: Netflix
#80
por Raffa Fustagno
 A CRÍTICA TEM SPOILERS
A história desse filme é baseada no livro de mesmo nome lançado no Brasil pela Editora Planeta mas já fora de catálogo - talvez vocês o encontrem somente na Estante Virtual- escrito por Cielo Latini. Trata-se de uma biografia contando um período autodestrutivo da protagonista, e não é ficção de acordo com a autora.
Em formato de filme ele ganhou um roteiro de Alejandro Montiel e de Daniela Goggi, que não fazem feio na adaptação porque o filme é bem interessante, mas aqui já aviso que nunca li o livro, portanto, toda minha visão é somente do filme.
Cielo ( Maria Eugenia Suaréz) é uma jovem linda com seus 15 ou 16 anos que está insatisfeita com tudo ao seu redor. Comum para idade, ela tem pais casados mas não gosta do formato controlador de sua mãe, seu pai ( interpretado pelo ótimo Rafael Spregelburd) é o lado light da relação pai e filho, sempre tentando fazer com que a menina não se sinta tão presa. 

Indo mal na escola e com problemas com a falta de amigos, ela muda de escola e como se passa na década de 90 vemos aquele início da internet que os mais antigos se lembrarão de ter que parar de usar o computador porque era vinculado com a linha telefônica. Ela tem um desktop antigo em seu quarto e se apaixona por rapazes da escola e vive intensamente a paixão ou não, mas é com um homem 10 anos mais velho que vai começar conversas mais intensas e ter interesse de algo mais.
A princípio o que vemos é o que sempre aconteceu, troca de mensagens, um encontro em um lanchonete com outros membros do grupo de conversa, mas Cielo vai se apaixonar por Alejo ( Esteban Lamothe) e por mais que o filme venda que ele é o grande vilão, talvez eu não tenha conseguido odiar tanto ele assim, abaixo algumas questões:
  • Cielo era virgem e ele 10 anos mais velho do que ela. Em nenhum momento, pelo menos no filme, ele a força a algo. Pelo contrário, ela até cita que é estranho o como eles já se viram várias vezes e não transaram. Quando isso acontece mesmo assim ele pergunta se ela está certa disso e ela responde que sim.
  • É errado dormir com uma menor de idade? Em alguns países como o Brasil abaixo de 14 anos é considerado crime. Temos muitos famosos que se envolveram com pessoas mais velhas sendo um menor de idade e o outro não como Marcelo Camelo e Caetano Veloso. Há uma grande discussão se mesmo a menor querendo ela sabe o que está fazendo, no caso de Cielo ela não me pareceu arrependida em nenhum momento, mesmo quando o tempo passa e ela já é maior de idade.
  • Desde o início do relacionamento deles, Alejo fala que não pretende ser namorado dela, não explica as razões, mas ela está ciente, Cielo age como alguém de sua idade e de acordo com sua maturidade, exigindo coisas que ele não prometeu. Aí entra a questão de que por mais que se sinta adulta ela não o era para encarar algo com alguém muito mais maduro e que só queria sexo com ela.
Fechado esse assunto, o que vemos a seguir no filme é uma obsessão dela com ele, o que se transforma em um distúrbio alimentar, a moça vomita propositalmente e vai perdendo muito peso ao longo do filme.
Se você está se perguntando onde estão os pais, eu por vezes também o achei omissos, ainda que ela mentisse muito, e mesmo quando ela sai para morar em outra cidade e fazer a faculdade a casa em que mora é bancada pelos pais, ela fala com eles de um jeito como quem não depende mais deles...ah, se fosse minha filha.
Abzurdah foi para mim uma prova clara de como ficamos quando falta amor próprio, Cielo não se amava e me lembrou muito relacionamentos fadados ao fracasso que vivemos ou vemos alguém vivendo e que a outra parte não se dá conta ou não liga para o mal que faz para a outra pessoa. 
Alejo parecia não perceber o quanto as vezes que se aproximava de Cielo a fazia mal, e mesmo que bancasse o bom moço, ele era uma péssima companhia para ela, porque não podia dar o que ela queria: que morassem juntos e ele a assumisse.
O filme é bem tenso, tem cenas dela se cortando, imagens de tentativa de suicídio, de bulimia...mas é real, a autora passou por isso e quis dividir com as outras pessoas porque hoje está curada.
O filme está disponível na Netflix, quem ja viu me diz se gostou. Eu gostei muito, e a atriz que faz a protagonista está ótima no papel. 

4 comentários:

  1. Mesmo não assinando a Netflix, vou procurar este filme amanhã mesmo. Adoro filmes com temas fortes assim. Que trazem assuntos tão densos e que muitas vezes, nos fazem abrir questionamentos.
    A personagem não só carrega a dor da autora, mas também a de muitas meninas e meninos!!!
    Beijo

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  2. Oi, Raffa.

    Apesar do filme não ser de ficção, gosto muito de tramas com essa temática. Dá um toque sutil e polêmico à trama.

    No entanto, não sei se eu iria curtir o filme, por ter algumas controvérsias.

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  3. Raffa!
    DEve mesmo ser um filme forte que fala sobre a obsessão dela pelo homem mais velho, os problemas psicológicos e físicos que isso causou, inclusive a mutilação.
    Confesso que não conhecia a protagonista e nada sei sobre sua história, já que nem o livro li, mas como gosto de filmes biográficos, quero poder assistir.
    Desejo que a semana seja abençoado!
    “Nunca sei se quero descansar porque estou realmente cansada, ou se quero descansar para desistir. “ (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  4. Achei que o filme trata muitos temas pesados, esse tem que ser bem pensado antes de entrar pra lista, quem sabe...

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