quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A Empregada

 


Título no Brasil: A Empregada

Título Original: The Housemaid
Ano: 2025
País: Estados Unidos
Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklener
Nota: 3,5/5,0
Por Amanda Gomes 

Talvez o melhor jeito de começar falando sobre “A Empregada” seja com uma confissão honesta: eu não li o livro de Freida McFadden e não sabia absolutamente nada sobre a história além da sinopse básica. E, sinceramente? Acho que isso jogou totalmente a meu favor.

Entrar nesse filme sem qualquer expectativa, sem conhecer as reviravoltas e sem ter um material-base para comparar fez com que a experiência fosse muito mais instintiva e até mais divertida. Tudo era surpresa. Tudo parecia exagerado.

A trama acompanha Millie, uma jovem que começa a trabalhar como empregada doméstica na mansão opulenta dos Winchester. Nina, a patroa, é elegante, rica e… estranha. Andrew, o marido, parece ser o único ponto de normalidade naquele ambiente sufocante. Aos poucos, segredos vêm à tona, os de Millie e, principalmente, os daquela casa que parece bonita demais para ser segura.

“A Empregada” é quase como um primo espiritual de “Um Pequeno Favor”. O resultado é um suspense que não tem medo de ser camp, exagerado, às vezes até cafona, mas sempre consciente disso.

Se eu tivesse que definir “A Empregada” em uma frase, seria algo como: “fé nas malucas”. O filme vai de 8 a 80 com uma rapidez impressionante, abraça seus clichês e transforma tudo em uma espécie de montanha-russa narrativa que mistura vingança, thriller psicológico e um leve perfume de novela mexicana de luxo.

Logo na primeira interação entre Millie e Nina, o tom estranho já se estabelece. A mansão é impecável, quase um personagem próprio, enquanto Nina surge como essa figura instável, cheia de caras, bocas e mudanças bruscas de humor. Amanda Seyfried domina cada cena em que aparece e é impossível desviar o olhar dela, mesmo quando tudo parece fora do tom. Ou talvez justamente por isso.

Sydney Sweeney, por sua vez, demora um pouco para convencer como Millie, mas isso parece proposital. Existe ali uma estética de thriller dos anos 90/2000, onde os personagens beiram o estereótipo: a dondoca surtada, o marido bonito demais para ser confiável, a funcionária misteriosa, o jardineiro enigmático. É um amontoado de clichês que, curiosamente, funciona.

E então vêm as reviravoltas. Uma. Duas. Três. Algumas amarram bem as pontas, outras apostam mais no choque do que na sutileza. Um grande flashback reorganiza tudo o que vimos até ali e prepara o terreno para um terceiro ato completamente surtado, acelerado e barulhento em contraste direto com o suspense mais silencioso que, pelo que se comenta, marcou o livro.

É justamente aí que o filme parece dividir opiniões. Fica claro que o roteiro não confia totalmente na força do silêncio e da sugestão. Ele aposta no espetáculo, na ação, no corpo dos atores e em um clímax que beira o exagero. O suspense psicológico dá lugar a perseguições e resoluções grandiosas que soam quase como uma novela em horário nobre.

Ainda assim, funciona. Nem sempre de forma elegante, nem sempre de forma sutil, mas funciona. As reviravoltas são fortes o bastante para manter o espectador preso à cadeira. Seyfried ganha camadas inesperadas, Sweeney cresce de forma impressionante no último ato, e Sklenar entrega uma faceta diferente do galã que já vimos em outros papéis.

No fim das contas, “A Empregada” é uma experiência. Uma montanha-russa de sentimentos, exageros e surpresas que eu definitivamente subestimei. Pode não ser o thriller mais refinado do ano, mas é um filme que entende o entretenimento, que não pede permissão para ser ousado e que entrega exatamente o que promete: tensão, caos e mulheres no centro de tudo.

Uma grata surpresa, daquelas que a gente sai do cinema ainda tentando processar tudo, com a sensação de que, às vezes, o exagero também pode ser uma escolha narrativa. E uma bem divertida.

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