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quarta-feira, 18 de março de 2015

Menina que via Filmes : Timbuktu [Crítica]

Título Original: Timbuktu
Dirigido por Abderrahmane Sissako
Com Ibrahim Ahmed dit Pino, Abel Jafri, Hichem Yacoubi mais
Gênero Drama

Nacionalidade França , Mauritânia



























Não fazia a menor ideia de onde ficava Timbuktu antes do filme ser um dos candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro desse ano. Mesmo não ganhando ele se manteve nos cinemas - mesmo em poucas salas - com as sessões lotadas e o sucesso é merecido.
Não espere um filme fácil de ser digerido, Timbuktu é tudo, menos um filme agradável de ser visto. Cidade de Mali, o nome que não foi traduzido em português na verdade é Tombucto, na África. 
A cidade é um verdadeiro deserto onde jihadistas tomaram conta com suas leis e em nome de um Alá que nem mesmo os muçulmanos reconhecem . Logo no início já sabemos que por lá não é permitido mulheres saírem de casa sem cobrirem a cabeça, corpo e também mãos e pés, ou seja, faz se obrigatório o uso de luvas e meias, por mais que seja um calor tenebroso.
Falado boa parte no dialeto local e com algumas falas em francês o filme é lento e na medida exata para nos mostrar como vivem pessoas que não podem nem ouvir música. É crime. Quem o faz leva chibatadas. Mesmo que cante músicas reverenciando Alá. 
Um pouco afastados das casas do Centro vive uma família aparentemente feliz , o pai passa o dia na sombra enquanto sua filha de 12 anos ajuda com o gado , ela e mais um amigo que ficou órfão trabalham , assim como a esposa que sem querer muito da vida penteia os cabelos e corta batatas, não necessariamente ao mesmo tempo mas em cenas que nos levam a crer que ela passa metade dos seus dias com essas atividades. O que vai acontecer com aquela família não terá final feliz. 
Não sabemos de onde vem o dinheiro para roupas e nem onde os jihadistas abastecem seus carros zero. 















Em um mundo sem televisão ou jornais o que se sabe é o que se ouve no boca a boca, um guerrilheiro diz ao outro que a França nunca ganhou a Copa , o que outro diz que claro que ganhou em cima do Brasil e que Zidane é o melhor jogador que ele já viu jogar. O outro ri e mesmo em uma pobreza muito pior que a nossa diz que a França só ganhou a Copa porque o Brasil é muito pobre e nos compraram com um navio lotado de arroz.
Para rir ou para chorar? Olhamos sem ação e nem sabemos se sentimos raiva ou pena de um povo que não faz as próprias escolhas, que é punido se estiver fora de casa sem motivo aparente para isso. 
Mas o diretor nos deixa ver que mesmo o juiz jihadista esconde seus segredos : ele paquera uma mulher casada, fuma muito e gosta de dançar ballet quando ninguém está vendo.
Filme incrível e com uma direção acertada, merece ser visto. 

segunda-feira, 9 de março de 2015

Menina que via Filmes : Pra Sempre Alice [Crítica]


Título Original : Still Alice
Título no Brasil : Pra Sempre Alice
Dirigido por Richard Glatzer, Wash Westmoreland
Com Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart
Gênero Drama

Nacionalidade EUA , França
Baseado na obra de Lisa Genova


Como todos sabem o filme chegou aso cinemas do país com Julianne Moore já tendo sido a campeã na categoria melhor atriz do Oscar desse ano. 
Merecido. A Dra. Alice Howland tem um casamento dos sonhos, três filhos lindos e acabou de completar 50 anos. Leciona na Universidade de Columbia e ama seu trabalho. Até que ela começa a perceber que não consegue lembrar de tudo que ela sabe e isso é preocupante. Sem querer deixar seu marido preocupado, ela esconde de John ( Alec Baldwin) a verdade, até onde pode. Quando as coisas vão piorando e ela conta tudo e eles começam a ver que a doença é muito mais preocupante do que achavam . Alice é diagnosticada com Alzheimer, em um caso raro para pouca idade mas que passa de mãe para filho e que faz com seus filhos tenham grandes chances de ter a mesma doença.
Começa a luta, Alice primeiro conta para os filhos que se desesperam . Lydia ( Kristen Stewart  , que não sei porque está tão masculina nos últimos papéis, independente de sua opção sexual de escolha , ela mudou muito, se em Acima das Nuvens o jeito masculino se justificava, o desse filme não entendi)  é a filha mais nova que mora em Los Angeles e tenta ser atriz , os pais querem que ela volte para NY. Anna ( Kate Bosworth) é a filha casada que tenta engravidar se se desespera ainda mais com o diagnóstico positivo, ela também terá a doença. Para fechar temos o filho mais novo que pouco aparece.

O amor de John mas o limite que ele chega quando ela parece não reconhecer nem a si mesmo nos emocionam, quando ela ainda se lembra de quem é e faz um discurso o cinema inteiro funga. 
Vê-la esquecendo quem são seus filhos, urinando na roupa e apática na nossa frente nos fazem pensar em como tem gente passando por isso, e em certo momento ela diz que preferia ter câncer porque pelo menos ela morreria.
Forte, verdadeiro e com uma atuação sensacional de Moore, o filme é triste mas lindo. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Menina que via Filmes : Selma - Uma Luta Pela Igualdade [Crítica]

Título Original : Selma
Título no Brasil : Selma
Dirigido por Ava DuVernay
Com David Oyelowo, Tom Wilkinson, Carmen Ejogo mais
Gênero Drama , Histórico , Biografia

Nacionalidade Reino Unido , EUA



Candidato a melhor filme Selma chamou a atenção dos cinéfilos no Brasil principalmente pela escassez de salas passando o filme. O único horário no Rio de Janeiro era  à meia-noite de um cinema há mais de uma hora de onde moro. Vencida a barreira, fomos eu meu noivo assistir a um filme que eu sabia poucas coisas a respeito mas que assim que começou liguei os fatos a pessoa.
Martin Luther King ( interpretado pelo maravilhoso David Oleyowo) era pastor, ganhou o Nobel da Paz por causa de seu ativismo como líder pacifista na década de 60. Lutou por anos para que os afro- descentes tivessem os mesmos direitos que os brancos. 

O filme começa com uma extraordinária Oprah Winfrey - no papel de Ann Lee Cooper - tentando se registrar para votar. Ela sabe de política , está em dia com suas obrigações mas por puro racismo o responsável por aprovar que ela vote, implica até onde pode para negar seu direito. Ao espectador dá raiva.
Enquanto isso vemos o como as pessoas de cor como eram chamadas eram discriminadas em diversos aspectos, Martin tentando o tempo todo pregar que era direito deles votarem, conviverem nos mesmos locais que os brancos. 
Parece surreal nos dias de hoje saber que tudo isso foi verdade. Martin brigou tanto que chegou a Casa Branca seu poder de voz, conheceu, conversou e lutou com o presidente Lyndon Johnson para que a lei dos direitos civis fosse aprovada. O presidente da época que não tinha pulso muito firme e que ficava em cima do muro se via acuado quando Martin lhe pressionava. 
Vemos também a violência sofrida por eles, um neto tenta somente defender seu avô da própria polícia e acaba sendo morto. O motivo? Estavam em uma passeata pelos direitos iguais.

Mas é assim que  o filme vai contagiando quem assiste, nos vemos na pele daquele que sofre, a câmera chega perto e por mais que a diretora tenha optado por muito drama, a verdade não deixa que o que sofreram seja outra coisa senão uma dor violenta.
A marcha em Selma, no Alabama é mostrada, quando haviam somente negros atravessando a ponte famosa foram humilhados, senhores foram surrados sem piedade.  
Com o apelo de Martin eles se viram cercados de brancos que o apoiavam e enfim conseguiram atravessar a ponte, ou não, já que Martin recua mas sabe que a vitória é somente uma pedaço, ainda tem muito chão para ser percorrido.
Com atuações primorosas e um roteiro que envolve Selma é maravilhoso. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

[Oscar 2015] Tudo que rolou na mais esperada noite do ano

Se tem uma noite que eu tenho certeza de que dormirei tarde de acordarei exausta é a do Oscar ! Como sabem sou cinéfila, não resisto a saber e torcer para os grandes vencedores da noite. 
Ontem não foi diferente, tinha meus preferidos, claro, quase nunca os que torço mais são os que ganho, mas mesmo assim sei o valor da estatueta e fico feliz com a alegria de cada um premiado.
A noite de ontem começou com um tapete vermelho divo...

Vamos ao que teve?

Teve  Mark Hulk Zuffalo ao lado da esposa divando na elegância


Teve Ágata Zulezka , chatinha em "Ida"dizendo que não estava nem aí para aquilo lá, que não quer mais ser atriz, que blá blá blá zzzzzzzzzzz

Teve Jennifer "Musa"Anniston dizendo para o mundo "sou vampira e não envelheço! Beijo no ombro"


Para completar ainda aperta a Emma Stone assim...FOFAS DETECTED!!

Teve a viúva de Chirs Kyle ( Sniper Americano), Taya,  linda de viver, falando sobre o marido, momento Kleenex da noite. O filme é sensacional.


Teve Bradley Cooper...e os olhos de Cooper, e o corpo de Cooper... e ai, ai...teve tudo isso aí em cima <3!

Teve a mãe mais lacradora da história, Melanie Griffith que foi casada com Don Johnson e Antonio Banderas e ainda tem uma filha como Dakota! E sim, teve Dakota linda , e a gente morrendo de inveja!


Teve Jennifer Lopez com aquela cara de "Eu sou a diva que você quer copiar". E quem não quer? Corpo lindo, vestido lindo... o ex Ben Affleck estava lá, mas dizem as boas línguas que não se falaram e ele não levou a esposa.

Teve Adam Levine...gente, ele sempre leva uma magrela a tira colo, mas e daí? Queria eu ser magrela e...epa, eu não...mas quem não queria né meninas ? Ele cantou a música que concorria "Lost in Stars"do filme "Mesmo se nada der certo"

Teve David Olyelowo que falou mal da Academia por não ter indicado nenhum ator negro esse ano, inclusive ele que estava super bem em Selma. E amei essa foto dele com o mito Michael Keaton, esse estava concorrendo a categoria por Birdman.


Teve a maravilhosa, Marion Cotillard. A francesa mais poderosa da atualidade <3!


Teve o casal fofo : Anna Faris e Chis Pratt :)



Teve Benedict Cumberbatch , que também concorria ao Oscar por Jogo da Imitação.

Teve Ethan Hawke (  direita) concorrendo ao Oscar de melhor coadjuvante, a esposa dele é  a cara da ex Uma Thurman.

Teve Channing Magic Tatum apresentando um prêmio.

Teve Lady Gaga pela primeira vez normal cantando "Sound of Music"e reverenciando Julie Andrews

Teve Meryl Streep fazendo a gente chorar naquela hora que lembram todos que morreram.

Teve Patricia Arquette depois de 30 anos de carreira ganhando o Oscar de Melhor atriz coadjuvante por "Boyhood" Merecido.

JK Simmons ganhou a estatueta merecidamente por Whiplash. Melhor ator coadjuvante

Melhor Filme foi para Birdman e vemos Michael Keaton no palco <3!

Melhor diretor foi também para Birdman, o mexicano Alejando G. Iñarritu ganhou 3 Oscars!!

Juliane Moore linda como sempre ganhou por "Pra Sempre Alice"o Oscar de melhor atriz.

O Oscar de melhor filme estrangeiro foi para IDA, eu não curti muito...mas...
Eddie Redmayne emocionado ganhou o Oscar de melhor ator por Stephen Hawking em "A Teoria de Tudo"

Valeu a pena :) 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

[Oscar 2015] Os indicados e o que a Menina achou deles...

Não é novidade para ninguém que acompanhe o blog, ou melhor a coluna Menina que via Filmes o quanto sou apaixonada por cinema. Para mim Oscar é como final de Campeonato Brasileiro, eu tenho que ver todos os filmes indicados, eu tenho meus favoritos...e geralmente como é sempre em um dia que trabalho no dia seguinte, eu vou para o trabalho fazendo cosplay de zumbi. Mas no final, eu amo, e ano que vem farei tudo de novo.
A lista de indicados saiu em janeiro, e desde então tenho tentado ver todos os filmes que concorrem a estatueta. 
A disputa acirrada faz com que cinéfilos como eu fiquem em dúvida , a Academia muitas vezes surpreende...vamos conhecer os indicados em cada categoria e os que eu já assisti e fiz minha análise  no blog, clicando no filme você consegue ler a crítica:

Melhor filme
Sniper americano 
Birdman 
Selma 


Melhor diretor
Alejandro Gonzáles Iñárritu (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood)
Wes Anderson (O grande hotel Budapeste)
Morten Tyldum (O jogo da imitação)

Melhor ator

Steve Carell (Foxcatcher)
Bradley Cooper (Sniper americano)
Benedict Cumberbatch (O jogo da imitação)
Michael Keaton (Birdman)
Eddie Redmayne (A teoria de tudo)



Melhor ator coadjuvante
Ethan Hawke (Boyhood)
Edward Norton (Birdman)
Mark Ruffalo (Foxcatcher)
JK Simons (Whiplash)

Melhor atriz
Marion Cotillard (Dois dias, uma noite)
Felicity Jones (A teoria de tudo)
Julianne Moore (Para sempre Alice)


Melhor atriz coadjuvante
Patricia Arquette (Boyhood)
Laura Dern (Livre)
Keira Knightley (O jogo da imitação)
Emma Stone (Birdman)

Melhor filme em língua estrangeira
Tangerines  (Estônia)
Timbuktu  (Mauritânia)

Melhor documentário
O sal da terra 
CitizenFour 
Finding Vivian Maier 
Last days 
Virunga 

Melhor documentário em curta-metragem
Crisis Hotline: Veterans Press 1 
Joanna 
Our curse 
The reaper (La Parka) 
White earth 

Melhor animação
Os Boxtrolls 
Song of the sea 
The Tale of the Princess Kaguya 

Melhor animação em curta-metragem
The bigger picture 
The dam keeper 
Feast 
Me and my moulton 
A single life 

Melhor curta-metragem em ficção
Aya 
Boogaloo and Graham 
Butter lamp (La lampe au beurre de Yak) 
Parvaneh 
The phone call 

Melhor roteiro original
Birdman 
Boyhood
Foxcatcher
O grande hotel Budapeste

Melhor roteiro adaptado
Sniper americano
O jogo da imitação
Vício inerente
A teoria de tudo
Whiplash

Melhor fotografia
Emmanuel Lubezki (Birdman)
Robert Yeoman (O grande hotel Budapeste)
Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski (Ida)
Dick Pope (Sr. Turner)
Roger Deakins (Invencível)

Melhor edição
Sniper americano
Boyhood
O grande hotel Budapeste
O jogo da imitação
Whiplash

Melhor design de produção
O grande hotel Budapeste 
O jogo da imitação 
Caminhos da floresta 
Sr. Turner 

Melhores efeitos visuais
X-Men: Dias de um futuro esquecido

Melhor figurino
Milena Canonero (O grande hotel Budapeste)
Mark Bridges (Vício inerente)
Colleen Atwood (Caminhos da floresta)
Jacqueline Durran (Sr. Turner)

Melhor maquiagem e cabelo
Foxcatcher
O grande hotel Budapeste
Guardiões da Galáxia

Melhor trilha sonora
Alexandre Desplat (O grande hotel Budapeste)
Alexandre Desplat (O jogo da imitação)
Hans Zimmer (Interestelar)
Gary Yershon (Sr. Turner)
Jóhann Jóhannsson (A teoria de tudo)

Melhor canção
Glory, de John Stephens e Lonnie Lynn (Selma)
Grateful, de Diane Warren (Além das luzes)
I'm not gonna miss you, de Glen Campbell e Julian Raymond (Glen Campbell…I'll be me)

Melhor edição de som
Sniper americano
Birdman
O hobbit: A batalha dos cinco exércitos
Interestelar

Melhor mixagem
Sniper americano
Birdman
Interestelar
Invencível
Whiplash

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Menina que via Filmes : BirdMan ou A Inesperada Virtude da Ignorância

Título Original : Birdman 
Título no Brasil : Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância
Dirigido por Alejandro González Iñárritu
Com Michael Keaton, Zach Galifianakis, Edward Norton mais
Gênero Comédia , Drama

Nacionalidade EUA
Censura : 16 anos
Duração  : 1h 49 min






No passado, Riggan Thomson (Michael Keaton) fez muito sucesso interpretando o Birdman, um super-herói que se tornou um ícone cultural. Entretanto, desde que se recusou a estrelar o quarto filme com o personagem sua carreira começou a decair. Em busca da fama perdida e também do reconhecimento como ator, ele decide dirigir, roteirizar e estrelar a adaptação de um texto consagrado para a Broadway. Entretanto, em meio aos ensaios com o elenco formado por Mike Shiner (Edward Norton), Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough), Riggan precisa lidar com seu agente Brandon (Zach Galifianakis) e ainda uma estranha voz que insiste em permanecer em sua mente.






Quando soube que Birdman estava concorrendo em várias categorias do Oscar 2015 me animei muito. Sou fã de Michael Keaton, obviamente por causa do papel em Batman, e sofri junto com ele a cada filme médio que ele optou em fazer, como um Nicolas Cage menos famoso, Keaton apostou em filmes dramáticos como Minha Vida ao lado de Nicole Kidman e recentemente participou do péssimo remake de Robocop . Porque contei tudo isso? Porque tenho certeza que muitos verão em Birdman um filme se pé nem cabeça e nem ousarão entender o como ele é brilhantemente crítico . 
Riggan Thomson ( Keaton, fenomenal, valendo a indicação ao Oscar) é um ator que já fez muito sucesso em Hollywood interpretando Birdman, uma espécie de Batman já vivido pelo ator que o faz. 
No entanto, já se passaram 20 anos da última atuação como o homem pássaro e ele não conseguiu mais nenhum papel de destaque o que ganhou é de te vivido o personagem e no presente sofre quando as crianças nem sabem quem ele é, somente as mães.
Riggan é um astro em busca do seu reconhecimento, alguém que sente imensa falta do passado de glórias e que precisa ter novamente esse envolvimento com o público . Seria normal se o tal ator não ouvisse a si mesmo como um diabinho lhe dando ideias do que precisa fazer para voltar a ter sucesso, ou seja, o Birdman fica lhe falando o que fazer, em cenas que valem uma salva de palmas para Keaton.

Prestes a estrear uma peça que lhe valeu as últimas economias que possuía, ele ainda tem que lidar com um ator ótimo mas completamente doido ( Edward Norton, outro monstro atuando como sempre no papel de Mike) , uma atriz que sofre com o relacionamento com Mike ( Naomi Watts), e uma filha muito doida ( Emma Stone, que está tão magra e de olhos esbugalhados que achei que tinha vindo de Grandes Olhos) que luta contra o vício de drogas mas que clama por atenção paterna.
Nos bastidores sofremos com ele, é tanta gente louca que o espectador passa a ter pena do ex Birdman. 
Para completar também temos Zach Galifianakis ( de Se beber, não case) como o agente que só pensa em se dar bem em cima do ator que tenta ter mais momentos de glória.
De verdadeiro na vida de Riggan sobra somente sue ex esposa que mesmo traída inúmeras vezes é quem sempre está do seu lado quando tudo parece mal.
Os diálogos são interessantes, a maior preocupação do protagonista em um voo que quase caiu era saber que se o avião caísse a manchete do jornal do dia seguinte seria que George Clooney morreu e não ele, é exatamente uma crítica ao mundo de celebridades e busca da fama que temos inclusive em nosso país, onde deixar de ser notícia é sofrido para alguns.
Michael Keaton talvez tenha feito tão bem o papel porque se identificou, em um mundo de aparências onde quando se está lá no alto faturando somos rodeados de falsos amigos e quando não fazemos mais sucesso todos somem, o ator parece entender bem do que se trata o filme e até as ilusões dele parecem reais para gente.
A cena em que ele ganha muita fama e os ingressos da peça se esgotam porque ele sem querer ficou de cueca em plena Times Square é sensacional, como não viralizar  um vídeo do You Tube? 
Sua filha vibra com as milhões de curtidas e compartilhamentos, e ele agora tem twitter com milhares de seguidores em um dia! Isso é ser atual. 

Fica difícil não ter raiva da crítica de teatro que destrói montagens de peça em um único dia e sente prazer nisso, e claro que ele se pergunta o que faz mesmo alguém virar um crítico? A frustração de não ter virado ator ou diretor? O poder de ter influência sobre o que será sucesso ou não?
A cena é sensacional, assim como todo o filme e o final inesperado. Keaton merece cada indicação, está soberbo, e que venham mais filmes com o eterno Batman, aos 63 anos ele tem gás para muito filme bom! 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Menina que via Filmes: Dois Dias, Uma Noite [Crítica]

Título Original: Deux Jours, Une Nuit
Título no Brasil : Dois Dias, Uma Noite
Dirigido por Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
Com Marion Cotillard, Fabrizio Rongione, Catherine Salée mais
Gênero Drama

Nacionalidade França , Bélgica , Itália
censura 12 anos
Duração : 1h 35 min







Sandra (Marion Cotillard) perde seu emprego pois outros trabalhadores da fábrica prefiram receber um bônus ao invés de mantê-la na equipe. Ela descobre que alguns de seus colegas foram persuadidos a votar contra ela. Mas Sandra tem uma chance de reconquistá-lo. Ela e o marido (Fabrizio Rongione) têm uma tarefa complicada para o final de semana: eles devem visitar os colegas de trabalho e convencê-los a abrir mão de seus bônus, para que o casal possa manter o seu emprego.


A pergunta central que move esse filme é simples ( ou não!) : Você aceitaria ganhar um bônus de mil euros - ou no nosso dinheiro atual R$ 3.200,00 - mas que para isso fosse necessário demitir um colega seu do trabalho? 
Parece surreal, mas é essa a história do filme Dois Dias, Uma Noite que tem Marion Cotillard no papel de Sandra, uma funcionária de uma fábrica de peças que acabou de ter alta da depressão e quer voltar ao trabalho. No entanto, uma amiga lhe liga e informa que um dos chefes ofereceu um bônus de mil euros para que ela não voltasse mais, afinal viram sem os meses que ela ficou fora em tratamento que o serviço dela poderia ser feito com uma hora  a mais para cada um dos empregados. 
Marion está como sempre impecável no papel da mulher que não tem forças para nada e até pensa em desistir facilmente, mas com o apoio do marido Manu ( Fabrizio Rongione) ela resolve ir atrás de um por um dos colegas do trabalho pedir para que eles voltem atrás e votem a favor dela ficar e assim não receberem o bônus. O chefe lhe dá até segunda para que ocorra uma nova votação e ela tem exatamente o título do filme para reverter esse resultado.

Várias coisas intrigam o espectador . Sandra ainda está visivelmente mal, não dá atenção aos filhos e tem uma animação em falar com as pessoas que irrita. Ela não chora, não implora, ela aceita de bom grado e meio que deseja " tudo de melhor" para quem acabou de lhe dizer que não está nem aí que ela perca o emprego. 
É visível que alguns mal se importam com Sandra, o que importa é o dinheiro. E isso aflige quem assiste. No Brasil, onde essa prática não é utilizada, nos gera estranhamento, primeiro porque eles afirmam que são muito pobres e que sem o salário dela não pagarão mais a casa e terão que ir morar em um alojamento do governo. Não nos parece, eles tem um carro lindo, tudo de moderno dentro de casa e boa parte das pessoas que eles visitam e que dizem precisar muito do dinheiro está melhor que muito pobre brasileiro, fazendo terraço em uma linda casa por exemplo. Mas o filme se passa na Bélgica e os roteiristas e diretores quiseram passar na tela a era do desemprego europeu, que nem de longe se aproxima da pobreza extrema de países como o nosso. Olhando assim, ficamos com mais raiva das pessoas que dizem não poder deixar de receber o dinheiro , a quantia informada não é tão alta assim a ponto de mudar a vida de alguém. Uma coisa seria : " Te dou 300 mil se ela for mandada embora!" Mas três mil e duzentos? É dinheiro para se gastar em um mês pagando contas dessa vida cara que vivemos e que definitivamente não vale deitar  a cabeça no travesseiro sabendo que alguém foi demitido porque você aceitou um bônus . 

Se a cada não recebido por Sandra nos irritamos e temos vontade de socar a cara da pessoa, como informei acima ela diz que entende e que talvez ela mesma fizesse o mesmo. Aí que está, o quanto o dinheiro vale se você para recebê-lo prejudica alguém?
E fiquei pensando que no Brasil seria igual, muita gente diria que ok, mandar embora fulano para receber um dinheiro . E isso é desonesto, é mesquinho e me incomodou o filme todo.
Outro ponto muito bem levantado pelo filme é o da depressão, muitos ainda tratam a doença como frescura, e ela não deve ser tratada assim, casos recentes de famosos que aparentavam ter tudo que podemos ter e mesmo assim não viram mais graça na vida e se mataram chocaram o mundo que se perguntou o porquê. Sandra ao ver de muitos não deveria ter depressão. Tem um bom casamento, filhos saudáveis...e quando teve a doença ela ainda nem estava com esse problema no trabalho. Mas o que o filme mostra é que a depressão é mais forte do que a pessoa, é doença sim, merece ser tratada. Mas como fazer a sociedade entender isso? Aos olhos dos patrões ela falhou e esse é mais um ponto que conta a favor dela ser mandada embora , afinal , os meses que ficou afastada ocasionaram na tal votação. 
Marion concorre ao Oscar de melhor atriz pela interpretação, está como sempre, estupenda atuando. 
Se o filme fosse americano certamente estaria sendo falado no país inteiro, mas por ser belga/ francês só os que curtem cinema europeu pode ser que saibam da sua existência, uma pena, merecia ser visto e conscientizado por muitos. 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Menina que via Filmes : O Jogo da Imitação [Crítica]

Título Original: The Imitation Game
Título no Brasil: O Jogo da Imitação
Dirigido por Morten Tyldum
Com Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode mais
Gênero Biografia , Drama

Nacionalidade EUA , Reino Unido
Duração : 1h 55 min
Censura: 12 anos








Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico monta uma equipe que tem por objetivo quebrar o Enigma, o famoso código que os alemães usam para enviar mensagens aos submarinos. Um de seus integrantes é Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático de 27 anos estritamente lógico e focado no trabalho, que tem problemas de relacionamento com praticamente todos à sua volta. Não demora muito para que Turing, apesar de sua intransigência, lidere a equipe. Seu grande projeto é construir uma máquina que permita analisar todas as possibilidades de codificação do Enigma em apenas 18 horas, de forma que os ingleses conheçam as ordens enviadas antes que elas sejam executadas. Entretanto, para que o projeto dê certo, Turing terá que aprender a trabalhar em equipe e tem Joan Clarke (Keira Knightley) sua grande incentivadora.








Biografias me encantam. Se tratam de temas como Segunda Guerra então, melhor ainda. Alan Turing ( Benedict Cumberbatch, estupendo no papel!) sempre foi diferente dos outros, na escola era zoado por seus colegas e os professores sabiam da genialidade dele. Adulto, formado em Matemática, ele se candidata a equipe militar britânica para desvendar a "enigma", aparelho que os alemães utilizavam para se comunicar e dar coordenadas aos submarinos  durante a Segunda Guerra. Extremamente pedante e com cara de poucos amigos, Turing fez mais desafetos do que amigos, inclusive o Comandante Denninston ( Charles Dance) que o contrata mas depois não aguenta o jeito sem limites dele. 

No meio da equipe montada Turing também cria inimigos, ele quer trabalhar sozinho, acha que ninguém está a sua altura e somente se encanta com Joan Clarke ( Keira Knightley, linda e atuando bem como sempre). A moça que se apaixona por ele e que é muito inteligente logo vira sua melhor amiga, ela quer mais do que isso, ele se assume homossexual para ela, mas como era crime na época ninguém podia saber da verdade.
Entre decifrar código e relembrar um passado de bullying na escola, o espectador não vê muitos bombardeios e nem sequer há cenas de guerra , esse não é o foco. O principal ali é mostrar que uma pessoa que pelo menos diminuiu em 2 anos a guerra de Hitler foi esquecida e se matou por ser homossexual, ou seja, ele mesmo foi vítima do preconceito de uma guerra que nasceu disso, contra o povo judeu. 

Com atuações que se completam ( o time todo é bom, mas temos destaque para Mark Strong como Stewart Menzies e Matthew Good como Hugh) e relatos que nos impressionam sobre a genialidade do matemático britânico e tudo que ele ajudou a descobrir sobre a Enigma!
O roteiro é acertado e não deixa falhas , a direção é uma perfeição que mesmo quem não saiba percebe que esse filme é daqueles dignos de estatueta. Se vai ganhar, não sabemos, mas será uma injustiça se sair sem nenhuma do evento desse ano.
Benedict e Keira duelam em cena, e juntos fazem desse filme um dos melhores do gênero. Para ver mais de uma vez.